// LIVRO

ChatGPT Image 12 de fev. de 2026, 22_49_32

Contrato de Obsessão

Em Contrato de Obsessão, Alexander Kane é o CEO bilionário mais temido de Nova York: frio, controlador e obcecado por poder, ele constrói impérios destruindo rivais e comprando lealdades. Nada o detém — até Elena Voss cruzar seu caminho. Ela é uma designer de joias talentosa, independente e ferozmente protetora de sua liberdade, recusando-se a vender sua pequena empresa para o predador corporativo. Intrigado pela mulher que o desafia, Alexander propõe um contrato audacioso: um mês sob seu domínio absoluto, em troca de recursos ilimitados para realizar seus sonhos. O que começa como um jogo de sedução e controle evolui para uma paixão avassaladora, repleta de noites intensas e desejos proibidos. Mas segredos sombrios do passado de Alexander — um trauma que o transformou em um homem quebrado — e a vulnerabilidade escondida de Elena ameaçam romper os laços que os unem. Nessa dança perigosa de obsessão e redenção, eles descobrirão que o verdadeiro preço do amor não é dinheiro, mas entrega total. Um romance hot que pulsa com tensão sexual explosiva, emoções viciantes e um final que deixa o coração acelerado — perfeito para quem ama histórias de alphas dominantes e heroínas que os fazem cair de joelhos.

Capítulo 1

O ar da sala de reuniões estava carregado de tensão, como se o próprio oxigênio tivesse sido sugado pelo vácuo de poder que Alexander Kane emanava. Ele se sentava à cabeceira da mesa de mogno polido, os dedos longos tamborilando ritmicamente no braço da cadeira de couro italiano, enquanto seus olhos cinzentos, frios como aço forjado, varriam os executivos reunidos. Aos 35 anos, Alexander era o epítome do sucesso impiedoso: alto, com ombros largos moldados por horas na academia particular de seu arranha-céu, e um terno sob medida que custava mais do que o salário anual de qualquer um ali. Seu cabelo escuro, cortado com precisão militar, contrastava com a barba por fazer que dava um ar de perigo controlado. Ele não sorria. Sorrios eram para fracos.

“Senhor Kane, a aquisição da Voss Designs está progredindo conforme o planejado”, disse Marcus, seu vice-presidente de fusões e aquisições, com a voz trêmula apesar dos anos de experiência. “Enviamos a oferta final ontem. Eles devem assinar até o fim da semana.”

Alexander inclinou a cabeça ligeiramente, os lábios se curvando em um sorriso que não chegava aos olhos. “Devem? Eu não lido com ‘devem’, Marcus. Eu lido com certezas. O que os está segurando?”

Marcus engoliu em seco, folheando os papéis à sua frente. “A proprietária, Elena Voss. Ela é… teimosa. Recusou as duas ofertas anteriores, alegando que a empresa é um legado familiar. Mas dobramos o valor. Ninguém resiste a isso.”

Um legado familiar. Alexander quase riu. Ele havia destruído legados inteiros no passado — empresas centenárias reduzidas a cinzas corporativas porque ousaram competir com a Kane Enterprises. Sua fortuna, avaliada em bilhões, não viera de heranças; viera de sangue, suor e uma determinação feroz de nunca mais ser o menino órfão que mendigava por migalhas. Aos 18 anos, ele havia construído sua primeira startup do zero, e agora, aos 35, controlava um império que abrangia tecnologia, imóveis e luxo. Mas o que o impulsionava não era o dinheiro; era o controle. Comprar tudo — empresas, silêncio, lealdade. Nada escapava ao seu alcance.

“Marque uma reunião com ela”, ordenou Alexander, sua voz baixa e autoritária, ecoando como um comando irrevogável. “Pessoalmente. Hoje à tarde.”

Marcus piscou, surpreso. “Hoje? Senhor, ela está em uma galeria no SoHo, lançando uma nova coleção. Pode não estar disponível.”

“Então torne-a disponível.” Alexander se levantou, o movimento fluido e predatório, como um leão se preparando para a caçada. “Eu não espero. Eu tomo.”

Duas horas depois, o carro blindado de Alexander parou em frente à galeria Voss, um espaço elegante no coração do SoHo, com vitrines que exibiam joias que pareciam saídas de um sonho febril — diamantes lapidados em formas orgânicas, ouro entrelaçado com pedras preciosas que capturavam a luz como fogo vivo. Ele desceu do veículo, ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. Seu segurança, um homem imenso chamado Victor, o seguiu a uma distância discreta.

Ao entrar, o ar cheirava a champanhe e perfume caro. A galeria estava lotada: colecionadores, celebridades e jornalistas circulavam entre os displays iluminados. Mas os olhos de Alexander foram direto para ela. Elena Voss.

Ela estava no centro da sala, vestida em um vestido preto justo que abraçava suas curvas como uma segunda pele, o decote sutil revelando a clavícula delicada adornada por um colar de sua própria criação — uma peça de safira que parecia pulsar com vida própria. Seus cabelos castanhos caíam em ondas soltas até os ombros, e seus olhos verdes, afiados como lâminas, varriam a multidão com uma confiança que o intrigou imediatamente. Aos 28 anos, Elena não era apenas bonita; era magnética, com uma presença que demandava atenção sem esforço. Ela ria de algo que um convidado disse, o som rico e genuíno, mas Alexander notou o cansaço sutil em seus ombros — o peso de gerenciar uma empresa à beira da falência, graças às manobras sutis que ele havia orquestrado nos bastidores.

Ele se aproximou, cortando a multidão como uma lâmina afiada. As conversas ao redor diminuíram quando as pessoas o reconheceram. “Senhorita Voss”, disse ele, sua voz grave cortando o burburinho.

Elena se virou, e por um momento, seus olhos se encontraram. Algo elétrico passou entre eles — uma faísca de reconhecimento, de desafio. Ela ergueu o queixo, não recuando um centímetro. “Senhor Kane. Que surpresa. Não esperava vê-lo aqui. Minha galeria não é exatamente o tipo de lugar para… aquisições corporativas.”

O tom dela era educado, mas carregado de ironia. Alexander sentiu um puxão inesperado no peito — atração, misturada com irritação. Mulheres geralmente se derretiam ao seu redor, oferecendo sorrisos nervosos e olhares convidativos. Elena? Ela o olhava como se ele fosse apenas mais um obstáculo em seu caminho.

“Eu vim pessoalmente discutir a oferta”, respondeu ele, aproximando-se mais, invadindo seu espaço pessoal de propósito. O perfume dela — algo floral e selvagem, como jasmim à noite — o atingiu como um soco. “É generosa. Mais do que sua empresa vale no mercado atual.”

Elena cruzou os braços, o movimento fazendo o vestido se ajustar ainda mais às suas curvas. “Generosa para quem? Para você, que quer engolir minha criação e transformá-la em mais uma engrenagem da sua máquina? Não, obrigada. A Voss Designs não está à venda.”

Alexander inclinou a cabeça, estudando-a. Seus lábios eram cheios, pintados de um vermelho profundo que o fazia imaginar coisas que não deveria — não ali, não com ela. “Tudo tem um preço, senhorita Voss. Empresas, lealdade… até pessoas.”

Seus olhos flamejaram. “Não eu. E não minha empresa. Meu avô construiu isso do nada, com as mãos. É mais do que dinheiro. É legado.”

Legado. A palavra o acertou como uma lâmina. Seu próprio legado era uma cicatriz: pais mortos em um acidente quando ele tinha dez anos, criado em orfanatos onde aprendeu que fraqueza era fatal. Ele havia jurado nunca depender de ninguém, nunca deixar nada escapar de seu controle. E agora, essa mulher ousava desafiá-lo?

“Legados podem ser destruídos”, disse ele, a voz baixando para um tom perigoso, íntimo. “Eu poderia esmagar sua empresa em semanas. Fornecedores cancelando contratos, clientes fugindo… Você sabe do que sou capaz.”

Elena deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles para meros centímetros. Ele podia sentir o calor de seu corpo, o ritmo acelerado de sua respiração. “Ameaças, senhor Kane? Que original. Mas eu não me curvo a bullies. Se quer minha empresa, vai ter que lutar por ela. E eu luto sujo.”

O ar entre eles crepitava com tensão. Alexander sentiu um desejo primitivo surgir — não apenas de possuir sua empresa, mas dela. De dobrá-la, de fazê-la gemer seu nome em rendição. Seus olhos desceram para sua boca, e por um segundo, ele imaginou capturá-la ali, na frente de todos, marcando-a como sua.

“Você está brincando com fogo, Elena”, murmurou ele, usando seu primeiro nome de propósito, para testar os limites.

Ela não piscou. “E você está subestimando o quão quente eu posso queimar, Alexander.”

Antes que ele pudesse responder, um fotógrafo se aproximou, o flash disparando. “Senhor Kane, senhorita Voss, uma foto juntos?”

Elena sorriu, mas era um sorriso afiado como uma faca. “Por que não? Vamos imortalizar o momento em que o grande Alexander Kane encontrou alguém que não pode comprar.”

Alexander posou ao lado dela, sua mão roçando levemente a curva de sua cintura — um toque inocente para os observadores, mas carregado de promessa. Ele sentiu a rigidez em seu corpo, o tremor sutil que traía o efeito que ele tinha sobre ela. Bom. Porque ela o estava afetando de maneiras que ele não esperava.

Enquanto o flash piscava, Alexander se inclinou ligeiramente, seus lábios próximos ao ouvido dela. “Isso não acabou, Elena. Eu sempre consigo o que quero. E agora… eu quero você.”

Ela se virou para ele, os olhos dilatados com uma mistura de raiva e algo mais escuro, mais primal. “Então venha pegar, se tiver coragem.”

O resto da tarde passou em um borrão de conversas forçadas e olhares roubados. Alexander observava Elena interagir com os convidados, notando como ela se movia com graça felina, como seu riso ecoava, mas seus olhos voltavam para ele repetidamente. Ele não era o único notando; Victor, seu segurança, murmurou algo sobre “problemas à vista”, mas Alexander o ignorou.

De volta ao seu escritório no topo da Kane Tower, Alexander se sentou em sua cadeira de couro, olhando para a cidade que se estendia como um tapete de luzes aos seus pés. Ele havia construído isso tudo, mas pela primeira vez em anos, sentia um vazio. Elena Voss havia acendido algo nele — uma obsessão que ia além dos negócios.

Ele pegou o telefone e discou para Marcus. “Aumente a oferta. O dobro. E prepare um contrato pessoal. Um mês. Ela em minha companhia, sob minhas regras. Em troca, dou a ela o que quiser — financiamento, contatos, o mundo.”

Marcus gaguejou. “Um contrato… pessoal? Senhor, isso é irregular.”

“Irregular é ela recusar”, rebateu Alexander, sua voz dura. “Faça acontecer.”

Enquanto desligava, Alexander imaginou Elena assinando, imaginou-a em sua cama, arqueando sob ele, implorando por mais. Mas no fundo, ele sabia: isso não era só sobre posse. Era sobre quebrar barreiras, sobre encontrar alguém que o desafiasse de verdade.

E ele mal podia esperar para começar o jogo.

Mas quando o contrato chegou às mãos de Elena naquela noite, acompanhado de uma rosa negra e um bilhete manuscrito — “Assine, ou perca tudo” —, ela o rasgou ao meio, os olhos flamejando. “Ele acha que pode me comprar? Vamos ver quem quebra primeiro.”

O que Elena não sabia era que Alexander já havia iniciado sua caçada. E ele nunca perdia.

Capítulo 2

Elena Voss fechou a porta do apartamento com mais força do que pretendia. O som ecoou pelo corredor estreito como um tiro de advertência. Ela jogou a bolsa no sofá de veludo gasto, os saltos altos batendo contra o piso de madeira como se quisessem quebrar algo. Qualquer coisa.

A rosa negra estava sobre a mesa de centro, junto com os pedaços rasgados do contrato. O papel grosso, creme, com o logotipo dourado da Kane Enterprises, agora parecia uma provocação patética. Ela havia rasgado cada página com prazer, mas o bilhete manuscrito — a caligrafia firme, quase violenta de Alexander — ainda estava inteiro:

Assine, Elena. Ou perca tudo. A.K.

Ela pegou o bilhete e o amassou na mão até sentir as unhas cravarem na palma.

“Filho da puta arrogante”, murmurou para o vazio.

O apartamento era pequeno para os padrões de Manhattan, mas era dela. Paredes de tijolo exposto, janelas altas que deixavam entrar a luz suja da rua, prateleiras lotadas de ferramentas de ourivesaria, pedras brutas e esboços rabiscados à mão. No canto, a bancada onde ela passava noites inteiras lapidando sonhos em metal e pedra. Era ali que seu avô a ensinara tudo: paciência, precisão, teimosia. “Nunca venda sua alma, pequena. O resto a gente conserta.”

Ela tirou os brincos — pesados pingentes de ônix que ela mesma havia feito — e os jogou na tigela de prata ao lado da porta. O reflexo no espelho do corredor a pegou de surpresa: olhos verdes dilatados, bochechas coradas, lábios entreabertos como se ainda estivesse discutindo com ele. Com Alexander Kane.

Ela odiava o quanto ele a afetava.

Não era só raiva. Era outra coisa. Algo que queimava mais baixo, mais perigoso. Quando ele se aproximou na galeria, invadindo seu espaço, quando sua mão roçou sua cintura por um segundo a mais do que o necessário, quando sua voz rouca sussurrou contra seu ouvido… seu corpo reagiu antes que a mente pudesse impedir. Os mamilos endureceram sob o tecido fino do vestido. A respiração ficou curta. O calor se acumulou entre as coxas como uma traição.

“Não”, disse ela em voz alta, como se pudesse ordenar ao próprio corpo que se comportasse.

Ela foi até a cozinha minúscula, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho branco quase no fim. Serviu uma taça generosa, bebeu metade de uma vez só. O líquido gelado desceu como um choque, mas não apagou o fogo que ele havia acendido.

O celular vibrou sobre a mesa. Mensagem de Lila, sua melhor amiga e única funcionária fixa da Voss Designs.

Lila: Ele apareceu mesmo? Tipo, o Kane em carne e osso? Conta TUDO.

Elena digitou rápido, os dedos tremendo levemente.

Elena: Apareceu. Ameaçou. Tocou. E ainda acha que pode me comprar com um contrato de escort disfarçado de “parceria”.

Lila: TOCOU??? Onde??? Detalhes, vadia.

Elena: Na cintura. Por dois segundos. Foi o suficiente pra eu querer socar e… outra coisa ao mesmo tempo.

Lila: Caralho. Ele é gostoso ao vivo?

Elena hesitou. Digitou. Apagou. Digitou de novo.

Elena: Ele é… perigoso. E sim. Muito gostoso. Mas isso não muda nada.

Lila: Elena. Você tá com tesão pelo homem que quer destruir sua empresa.

Elena: Não estou. É só… adrenalina.

Lila: Sei. Adrenalina com tesão. Clássico.

Elena jogou o celular no sofá e foi até a janela. A cidade pulsava lá embaixo, indiferente. Luzes de neon, buzinas, vidas que seguiam sem saber que a dela estava prestes a explodir.

Ela sabia o que Alexander estava fazendo. Pressão financeira sutil: dois fornecedores principais haviam cancelado contratos na última semana sem explicação plausível. Um cliente importante — uma rede de joalherias de luxo — havia adiado o pedido anual. Coincidências? Não com Alexander Kane envolvido.

Ele estava sufocando a Voss Designs devagar, como um predador que prefere ver a presa se debater antes de dar o golpe final.

E agora aquele contrato ridículo.

Um mês.

Trinta dias sob suas “regras”. Acompanhando-o em eventos, viagens, jantares de negócios. Dormindo na mesma suíte. Disponível 24 horas. Em troca: capital ilimitado para expandir a marca, contatos com as maiores grifes do mundo, garantia de que nenhum fornecedor jamais a abandonaria novamente.

Era chantagem vestida de sedução.

E o pior: uma parte dela — pequena, traiçoeira, molhada de desejo — queria saber como seria.

Ser possuída por alguém como ele.

Ser dobrada.

Ser destruída e reconstruída nas mãos de um homem que não conhecia a palavra “não”.

Elena fechou os olhos e respirou fundo. Sentiu o calor subir novamente, insistente. A imagem dele invadiu sua mente sem permissão: o terno escuro moldando o peito largo, a barba por fazer arranhando sua pele, aqueles olhos cinzentos fixos nos dela enquanto ele a empurrava contra uma parede, uma mesa, qualquer superfície dura o suficiente para aguentar o impacto.

Ela apertou as coxas uma contra a outra, tentando aliviar a pulsação que crescia ali.

“Merda.”

O interfone tocou.

Elena congelou.

Ninguém subia sem ser anunciado. O porteiro era rígido com isso.

Ela atendeu, voz cautelosa.

“Sim?”

“Entrega para a senhorita Voss. De Alexander Kane.”

O coração dela disparou.

“Deixe na portaria. Eu pego amanhã.”

“Ele instruiu entrega em mãos. Agora.”

Elena rangeu os dentes.

“Suba.”

Um minuto depois, a campainha tocou.

Ela abriu a porta sem olhar pelo olho mágico — erro de principiante, mas estava furiosa demais para se importar.

Victor, o segurança de Alexander, estava lá. Imenso, careca, expressão neutra. Em suas mãos enormes, uma caixa preta laqueada, amarrada com fita de cetim vermelho-sangue.

“Boa noite, senhorita Voss.”

Ele estendeu a caixa.

Elena não pegou.

“O que é isso?”

“Presente do senhor Kane. E uma mensagem.”

“Já recebi a mensagem dele. Rasguei.”

Victor não se abalou.

“Ele disse que a senhorita entenderia quando abrisse.”

Elena bufou, pegou a caixa e bateu a porta na cara dele.

Colocou a caixa sobre a bancada da cozinha como se fosse uma bomba-relógio.

Desamarrou a fita devagar.

Levantou a tampa.

Dentro, sobre veludo negro, repousava um colar.

Não era qualquer colar.

Era uma gargantilha de ônix negro polido, cravejada de diamantes minúsculos que pareciam estrelas presas na escuridão. No centro, uma peça oval de obsidiana lapidada com perfeição cruel, tão negra que parecia absorver a luz ao redor. Pendurado na parte de trás, quase invisível, um pequeno cadeado de ouro branco.

Elena sentiu o ar faltar.

Era lindo. Era ameaçador. Era exatamente o tipo de peça que ela criaria se quisesse simbolizar submissão absoluta disfarçada de elegância.

Ao lado do colar, um cartão branco simples. A mesma caligrafia.

Use. Amanhã. 20h. Jantar. The Pinnacle. Não me faça ir buscá-la.

Elena pegou o colar com dedos trêmulos.

O peso era surpreendente. Frio contra a pele.

Ela o levou até o espelho do corredor.

Colocou-o no pescoço.

O cadeado encaixou na nuca com um clique quase inaudível.

E então ela viu.

No reflexo, não era mais apenas Elena Voss, a designer independente.

Era Elena Voss usando a coleira de Alexander Kane.

O metal frio contra a pele quente.

O peso simbólico.

A promessa implícita.

Ela fechou os olhos e deixou escapar um gemido baixo, involuntário.

Porque, droga, o colar ficava perfeito nela.

E porque, por um segundo insuportável, ela imaginou os dedos dele fechando aquele cadeado. Imaginou a boca dele no seu pescoço, logo acima do ônix. Imaginou ele puxando a gargantilha enquanto a possuía por trás, devagar, cruelmente, até ela implorar.

O desejo a atravessou como uma corrente elétrica.

Ela abriu os olhos de repente.

Arrancou o colar com força, o cadeado se abrindo com facilidade — não era trancado de verdade. Ainda não.

Jogou-o de volta na caixa.

Mas o calor entre suas pernas não desapareceu.

Ela foi até o quarto, tirou o vestido com movimentos bruscos, ficou só de lingerie preta de renda. Deitou na cama, o corpo tenso, inquieto.

Tentou ignorar.

Não conseguiu.

Sua mão desceu devagar pela barriga, pelos quadris, até encontrar o tecido já úmido.

Ela se tocou pensando nele.

Pensando na voz grave ordenando: “De joelhos.”

Pensando nos olhos cinzentos assistindo enquanto ela se desfazia.

Pensando no colar em seu pescoço enquanto ele a fodia até o limite da sanidade.

Quando o orgasmo a atingiu, foi violento, rápido, quase doloroso.

E quando acabou, Elena ficou olhando para o teto, ofegante, com lágrimas quentes escorrendo pelas têmporas.

Porque ela havia gozado pensando no homem que queria destruí-la.

E porque, no fundo, ela sabia que amanhã, às 20h, ela estaria no The Pinnacle.

Com o colar no pescoço.

Porque o jogo já havia começado.

E ela não sabia mais se queria ganhar… ou se render.

Capítulo 3

O The Pinnacle ocupava o último andar do mais novo arranha-céu da Kane Enterprises, um monstro de vidro e aço que cortava o céu de Manhattan como uma lâmina. Elena chegou às 19:58, porque atrasar seria admitir fraqueza, e chegar cedo seria admitir ansiedade. Ela optou pelo meio-termo: pontualidade cirúrgica.

O colar estava em seu pescoço.

Ela havia tentado deixar em casa três vezes. Na terceira, ao passar pela porta, sentiu uma falta física, como se o peso ausente deixasse um vazio na clavícula. Então o colocou. O cadeado clicou na nuca com a mesma precisão de antes. E, droga, combinava com o vestido que ela escolhera: um modelo vinho escuro, de mangas longas transparentes, decote profundo em V que terminava logo acima do umbigo, saia com fenda até o meio da coxa. Tecido acetinado que grudava no corpo como uma promessa. Saltos pretos de tiras finas que subiam pela panturrilha. Maquiagem fumê nos olhos, batom vermelho sangue. Cabelo solto, ondas rebeldes.

Ela queria que ele visse: sim, eu vim. Mas vim armada.

O elevador privativo a levou direto ao restaurante. Quando as portas se abriram, o maître a reconheceu imediatamente — ou melhor, reconheceu o colar. Seus olhos desceram para a obsidiana negra por um segundo a mais do que o protocolo permitia.

“Senhorita Voss. O senhor Kane a aguarda.”

Ele a conduziu por entre mesas quase vazias — o restaurante inteiro havia sido reservado. Apenas uma mesa ocupada, no centro, junto à parede de vidro que dava para o Central Park coberto de luzes.

Alexander estava de pé.

Terno preto impecável, camisa branca com os dois primeiros botões abertos, revelando a pele bronzeada e o início de músculos definidos. Sem gravata. Cabelo ligeiramente bagunçado, como se tivesse passado a mão por ele várias vezes. Barba por fazer mais pronunciada do que na galeria. Ele parecia… faminto.

Seus olhos a devoraram de cima a baixo enquanto ela se aproximava. Não disfarçou. Não precisou. Quando Elena parou diante dele, o ar entre os dois parecia carregado de eletricidade estática.

“Você veio”, disse ele, voz baixa, rouca.

“Você achou que eu não viria?”

“Eu achei que você rasgaria o convite também.” Ele deu um passo à frente, eliminando o espaço. “Mas aqui está você. Com o meu colar.”

Elena ergueu o queixo. “É lindo. Pena que vem com coleira.”

Ele sorriu — um sorriso lento, perigoso, que fez o estômago dela dar um nó. “Coleiras podem ser prazerosas, Elena. Depende de quem segura a guia.”

Ela sentiu o calor subir pelo pescoço. Tentou ignorar.

Alexander puxou a cadeira para ela. Um gesto cavalheiresco que contrastava com a tensão animal que emanava dele. Elena sentou, cruzando as pernas de modo que a fenda revelasse exatamente a quantidade certa de coxa. Ele notou. Seus olhos escureceram.

O garçom apareceu como um fantasma, serviu champanhe sem que ninguém pedisse. Alexander ergueu a taça.

“Às negociações.”

Elena ergueu a dela também, mas não bebeu. “Às recusas.”

Eles brindaram. O som do cristal foi quase obsceno de tão alto no silêncio.

Alexander sentou-se à frente dela, inclinando-se ligeiramente para a frente. Seus antebraços apoiados na mesa, mangas dobradas revelando veias salientes e um relógio Patek Philippe que provavelmente valia mais que o prédio dela.

“Você leu o contrato inteiro antes de rasgar?”

“Li o suficiente. Trinta dias. Regras. Disponibilidade total. Dormir na mesma suíte. Acompanhar você em viagens, eventos, reuniões. E em troca… você salva minha empresa.”

“Eu salvo sua empresa. E dou a você o que sempre quis: escala global. Exposição em Paris, Milão, Dubai. Financiamento ilimitado. Nome em todas as bocas certas.”

Elena tomou um gole de champanhe. O líquido gelado desceu como fogo líquido.

“E o que eu perco nesses trinta dias?”

“Sua liberdade temporária.” Ele inclinou a cabeça. “E talvez um pouco de orgulho. Mas ganho algo muito maior.”

“E o que você ganha, exatamente?”

Ele a encarou sem piscar. “Você. Inteira. Sem barreiras. Sem jogos. Trinta dias para eu te mostrar o que acontece quando uma mulher como você para de lutar e começa a sentir.”

O coração dela martelou contra as costelas.

“Você acha que pode me quebrar em trinta dias?”

“Eu acho que posso te fazer implorar em menos de sete.”

Elena riu — um som curto, nervoso. “Você é convencido pra caralho.”

“E você está molhada só de imaginar.”

Ela congelou.

Ele continuou, voz mais baixa, quase um ronronar.

“Não negue. Eu vi na galeria. Vi no seu apartamento quando Victor entregou a caixa. Vi agora, quando você cruzou as pernas e apertou as coxas uma contra a outra. Seu corpo me diz o que sua boca ainda não admite.”

Elena sentiu o rosto queimar. Raiva. Vergonha. Desejo. Tudo misturado.

“Você não me conhece.”

“Eu conheço mulheres. E conheço desejo. E você está transbordando dele.”

Ela se inclinou para a frente também, reduzindo a distância. Seus rostos a poucos centímetros.

“Então por que o contrato? Por que não simplesmente me pega aqui, agora, nessa mesa? Já que é tão bom em ler corpos.”

Os olhos dele brilharam.

“Porque eu quero mais do que uma foda rápida. Eu quero você rendida. Quero você assinando. Quero você usando meu colar porque escolheu, não porque eu forcei. Quero você de joelhos porque quer estar lá. E quando isso acontecer… aí sim eu vou te foder até você esquecer seu próprio nome.”

Elena sentiu um arrepio percorrer a espinha. Seus mamilos endureceram sob o tecido fino. Ela apertou as coxas com mais força.

“Você é doente.”

“Talvez. Mas você veio mesmo assim.”

O garçom trouxe os pratos: filé com molho de trufas para ele, salmão selvagem com caviar para ela. Elena nem olhou para a comida.

“E se eu assinar… o que acontece no dia 31?”

“Você volta para sua vida. Sua empresa está salva. E você carrega a lembrança do melhor sexo da sua vida. Ou…” Ele fez uma pausa. “Você descobre que não quer ir embora.”

Elena riu de novo, mas dessa vez o som saiu trêmulo.

“Você realmente acha que pode me viciar em você?”

“Eu acho que já comecei.”

Silêncio pesado.

Elena pegou o garfo, mas não comeu. Em vez disso, traçou a borda da taça com o dedo.

“Me diga uma coisa, Alexander. Por que eu? Tem centenas de mulheres que se jogariam aos seus pés sem precisar de contrato. Por que insistir em mim?”

Ele demorou para responder. Quando falou, a voz saiu mais baixa, quase vulnerável.

“Porque você é a primeira que me olhou como se eu fosse humano. Não um bilionário. Não um monstro. Só… um homem. E você ainda assim disse não.”

Elena sentiu algo se apertar no peito.

“E isso te excita?”

“Isso me obceca.”

Eles se encararam por longos segundos.

Então Elena se levantou.

“Eu preciso de ar.”

Ela caminhou até a parede de vidro, olhando para a cidade lá embaixo. Alexander a seguiu, parando atrás dela. Perto. Muito perto. Ela sentiu o calor do corpo dele nas costas.

“Você está tremendo”, murmurou ele contra seu cabelo.

“De raiva.”

“Mentirosa.”

Ele não a tocou. Ainda não. Mas sua respiração roçava a nuca dela, logo acima do cadeado.

“Assine o contrato, Elena. Ou vá embora agora. Mas se for embora… eu acabo com tudo. Sem volta.”

Ela fechou os olhos.

Sentiu o peso do colar.

Sentiu o peso do desejo.

E sussurrou, quase inaudível:

“Me dê até amanhã.”

Alexander encostou os lábios na concha da orelha dela. Não beijou. Apenas falou.

“Você tem até meia-noite. Depois disso… eu venho buscar o que é meu.”

Elena virou o rosto devagar. Seus lábios quase tocaram os dele.

“Então aproveite as próximas horas, Kane. Porque se eu assinar… você vai se arrepender de ter me dado escolha.”

Ela se afastou, pegou a bolsa e saiu sem olhar para trás.

Mas no elevador, sozinha, encostou a testa na parede fria de metal e deixou escapar um gemido baixo.

Porque ela já sabia.

Meia-noite.

Ela ia assinar.

(Palavras: 1.812)

Capítulo 4

Elena não foi para casa.

Ela dirigiu — o velho Mini Cooper herdado do avô — pelas ruas de Manhattan até encontrar um bar escondido no Lower East Side que ainda estava aberto. Luz vermelha neon na porta. Música baixa. Poucas pessoas.

Ela sentou no balcão, pediu uísque puro. Duplo.

O colar ainda estava no pescoço. Ela não o tirou.

O barman — um homem de meia-idade com tatuagens desbotadas — ergueu uma sobrancelha ao ver a gargantilha.

“Bela joia. Presente de alguém especial?”

Elena tomou um gole longo. O líquido queimou a garganta.

“Presente de alguém perigoso.”

Ele riu baixo. “Os perigosos sempre dão os melhores presentes.”

Ela não respondeu. Apenas bebeu.

Pensou em tudo.

No avô contando histórias enquanto lapidava pedras. Na mãe que abandonou tudo quando ela tinha doze anos. No pai que nunca existiu de verdade. Na Voss Designs sendo a única coisa que restava de família, de raízes, de identidade.

E então pensou em Alexander.

No jeito como ele a olhava: não como uma conquista. Como uma necessidade.

No toque fantasma da mão dele na cintura.

Na voz dizendo “eu quero você inteira”.

No colar que pesava como uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo.

Ela terminou o primeiro uísque. Pediu outro.

O celular vibrou. Mensagem dele. Sem saudação. Direto.

Alexander: 23:14. Você tem 46 minutos.

Elena encarou a tela por longos segundos.

Digitou. Apagou. Digitou de novo.

Elena: Estou bebendo. Sozinha. Pensando em você.

Enviou antes que pudesse se arrepender.

A resposta veio em menos de dez segundos.

Alexander: Onde?

Elena: Não importa. Só… me diz uma coisa. Por que o cadeado? Por que não um colar normal?

Alexander: Porque eu quero que você sinta. A cada segundo. Que pode ser aberto. Mas só por mim.

Elena fechou os olhos. O calor voltou, insistente, entre as pernas.

Elena: Você é um filho da puta manipulador.

Alexander: E você está molhada lendo isso.

Ela apertou as coxas. Droga. Ele estava certo.

Elena: Talvez.

Alexander: Me diga onde você está. Eu vou até você.

Elena: Não. Eu preciso pensar.

Alexander: Você já pensou o suficiente. Assine. Ou eu assino por você.

Ela riu sozinha no balcão. O barman olhou curioso.

Elena: Você não pode assinar por mim.

Alexander: Posso destruir tudo que você ama até você implorar para assinar.

Elena sentiu um frio na espinha misturado com excitação doentia.

Elena: Você faria mesmo isso?

Alexander: Já estou fazendo. Fornecedores. Clientes. Está só começando.

Ela engoliu em seco.

Elena: Você é um monstro.

Alexander: E você quer ser devorada por ele.

Silêncio na tela por um minuto inteiro.

Então ela digitou a frase que mudaria tudo.

Elena: Estou indo para sua casa. Me encontre lá.

Ela pagou a conta, saiu do bar, entrou no carro e dirigiu até a cobertura dele — o endereço estava no contrato que ela havia memorizado apesar de rasgar.

Chegou às 23:47.

O porteiro a deixou subir sem perguntas. Obviamente já estava avisado.

O elevador privativo abriu direto na sala principal.

Alexander estava lá.

Sem paletó. Camisa desabotoada até o meio do peito. Mangas dobradas. Bebendo algo âmbar em um copo de cristal.

Ele a viu e colocou o copo na mesa com deliberada lentidão.

“Você veio.”

Elena entrou. O colar brilhou sob a luz baixa.

“Eu vim assinar.”

Ele não se moveu.

“Mostre-me.”

Ela tirou o contrato da bolsa — a cópia que havia pego na galeria antes de rasgar a original. Estava amassado, mas inteiro.

Caminhou até ele. Parou a um metro de distância.

“Mas tem uma condição.”

Alexander ergueu uma sobrancelha.

“Condição?”

“Durante esses trinta dias… você não pode mentir para mim. Nem omitir. Eu quero saber quem você é de verdade. Por trás do monstro.”

Ele a estudou por longos segundos.

Então assentiu. Uma vez.

“Feito.”

Elena abriu o contrato na última página. Pegou a caneta que ele estendeu.

Assinou.

Elena Voss.

Com letra firme.

Entregou a ele.

Alexander leu a assinatura. Dobrou o papel. Colocou no bolso interno do paletó.

Então avançou.

Devagar.

Predatório.

Elena recuou até bater na parede de vidro.

Ele parou a centímetros dela. Mão esquerda apoiada ao lado da cabeça dela. Direita subiu até o colar. Dedos traçaram a obsidiana. Depois o cadeado.

“Agora você é minha.”

Elena ergueu o rosto.

“Por trinta dias.”

Ele sorriu — sorriso que prometia ruína.

“Vamos ver se você aguenta tanto tempo.”

E então ele a beijou.

Não foi gentil.

Foi possessivo. Violento. Língua invadindo, dentes mordendo o lábio inferior dela até ela gemer. Mão no cabelo, puxando a cabeça para trás, expondo o pescoço. Boca descendo até o colar, mordendo a pele acima dele. Outra mão descendo pela cintura, apertando a bunda por cima do vestido, erguendo-a contra a parede.

Elena se agarrou aos ombros dele. Unhas cravando através da camisa.

Ele a ergueu como se ela não pesasse nada. Pernas dela envolveram a cintura dele. O vestido subiu até os quadris.

Alexander a carregou até o sofá de couro preto. Jogou-a ali sem cerimônia. Caiu por cima dela.

Rasgou o vestido na frente com um movimento brusco. Tecido rasgando. Seios expostos. Sem sutiã.

“Você veio preparada”, murmurou ele contra a pele dela.

“Eu vim sabendo que você ia destruir minhas roupas.”

Ele riu baixo. Boca capturando um mamilo. Chupando com força. Dentes arranhando. Elena arqueou as costas, gemendo alto.

Mão dele desceu. Entre as coxas. Encontrou a calcinha encharcada.

“Molhada pra caralho”, grunhiu ele.

Dois dedos afastaram o tecido. Entraram nela sem aviso. Elena gritou. Quadris se movendo contra a mão dele.

“Olhe para mim.”

Ela abriu os olhos. Encontrou os dele — cinzentos, quase negros de desejo.

“Você é minha agora. Diga.”

“Sua… por trinta dias.”

Ele acelerou os movimentos. Polegar no clitóris. Dedos curvando dentro dela, acertando o ponto exato.

“Mais alto.”

“Sua!”

Ela gozou gritando o nome dele. Corpo convulsionando. Unhas arranhando o pescoço dele.

Alexander não parou. Continuou até ela tremer de sensibilidade.

Então se afastou. Tirou a camisa. Revelou o peito definido, cicatrizes antigas no abdômen — marcas de uma vida que ele nunca contava.

Elena estendeu a mão. Tocou uma delas.

Ele congelou.

“Não.”

Mas ela não tirou a mão.

“Você prometeu. Sem mentiras.”

Ele respirou fundo. Fechou os olhos por um segundo.

“Depois. Agora… eu quero te foder.”

Elena sorriu. Puxou-o para baixo.

“Então me fode.”

Ele arrancou a calcinha dela. Abriu a calça. Sem cueca. Pau duro, grosso, veias pulsando.

Posicionou-se entre as pernas dela. Cabeça roçando a entrada molhada.

“Olhe para mim quando eu entrar.”

Elena obedeceu.

Ele empurrou. Devagar. Centímetro por centímetro. Esticando-a. Preenchendo-a.

Quando estava todo dentro, parou. Testa encostada na dela.

“Você é apertada pra caralho.”

Elena gemeu. Quadris se movendo, querendo mais.

Ele começou a se mover. Estocadas lentas, profundas. Cada uma arrancando um gemido dela.

Aumentou o ritmo. Mais forte. Mais rápido.

Mão no pescoço dela — não apertando, apenas segurando. Polegar traçando o colar.

“Você sente isso? Isso é meu. Você é minha.”

“Sim… sua…”

Ele a virou de bruços. Puxou os quadris para cima. Entrou por trás. Fundo. Brutal.

Elena gritou. Mãos agarrando o encosto do sofá.

Ele batia forte. Uma mão no cabelo, puxando. Outra na bunda, dando tapas ritmados.

“Implore.”

“Por favor… mais forte…”

Ele obedeceu. Até o sofá ranger.

Quando sentiu que ela estava perto de novo, passou a mão por baixo. Dedos no clitóris.

“Goza comigo.”

Elena explodiu. Corpo tremendo. Nome dele nos lábios como uma prece.

Alexander a seguiu segundos depois. Gozando dentro dela com um grunhido gutural. Marcando-a por dentro.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Suados.

Ele saiu dela devagar. Virou-a de frente. Beijou-a — dessa vez mais lento. Quase terno.

“Trinta dias”, murmurou contra os lábios dela.

Elena sorriu, exausta, saciada.

“Vamos ver quem quebra primeiro.”

Mas no fundo, ambos sabiam:

O contrato já havia sido assinado.

E a obsessão… mal havia começado.

Capítulo 5

A luz da manhã entrava pelas janelas panorâmicas da cobertura como lâminas de ouro frio. Elena acordou devagar, o corpo dolorido de uma forma deliciosa e incômoda ao mesmo tempo. Músculos que ela nem sabia que existiam latejavam. Entre as pernas, uma sensibilidade latejante, uma lembrança úmida e pegajosa do que havia acontecido na noite anterior.

Ela estava nua sob lençóis de seda preta. O colar ainda no pescoço — o cadeado fechado agora. Alexander havia trancado enquanto ela dormia, murmurando contra sua pele: “Para você lembrar, mesmo quando eu não estiver aqui.”

Ela tocou o pequeno cadeado de ouro branco. Frio. Definitivo.

Virou-se na cama king size. O lado dele estava vazio, mas ainda quente. O cheiro dele impregnado nos lençóis: couro caro, uísque, algo mais primal — suor e sexo.

Elena sentou-se devagar. Olhou ao redor.

A suíte principal era um monumento ao minimalismo luxuoso: paredes cinza-escuras, móveis pretos de linhas retas, uma única obra de arte abstrata vermelha na parede oposta à cama — parecia sangue espirrado com intenção. Não havia fotos pessoais. Nada que revelasse o homem por trás do império.

Ela se levantou. As pernas tremiam levemente. Encontrou um robe de cetim preto pendurado na porta do banheiro. Vestiu-o. O tecido deslizou sobre a pele sensível como uma carícia.

No banheiro — mármore negro, box de vidro sem moldura, chuveiro duplo — encontrou uma escova de dentes nova, produtos de higiene feminina ainda lacrados, um pente de prata. Tudo preparado. Como se ele soubesse que ela viria. Como se tivesse planejado cada detalhe.

Elena escovou os dentes olhando para o próprio reflexo. Olhos verdes inchados de sono e prazer. Lábios vermelhos, inchados de beijos brutais. Marcas roxas começando a se formar no pescoço, logo acima do colar. Mordidas. Chupões. Assinaturas dele.

Ela tocou uma delas. Sorriu sem querer.

“Você perdeu feio, Elena Voss.”

Mas o sorriso morreu quando viu o bilhete no balcão de mármore.

Papel creme. Caligrafia dele.

Bom dia, minha obsessão. Café da manhã está servido na sala de jantar. Vista o que está na caixa ao lado da cama. Reunião às 9h. Não se atrase. A.K.

Ela voltou ao quarto. Ao lado da cama, uma caixa preta semelhante à anterior. Abriu.

Vestido cinza-chumbo. Tecido leve, mas estruturado. Decote alto na frente, costas nuas até a base da coluna. Fenda discreta na perna esquerda. Lingerie preta de renda fina — calcinha fio-dental e sutiã meia-taça. Sapatos de salto alto Louboutin, vermelho sangue.

Elena ergueu uma sobrancelha.

“Controlador até na roupa interior.”

Mas vestiu. Tudo serviu perfeitamente. Como se ele tivesse medido cada centímetro do corpo dela com os olhos — ou com as mãos.

Quando saiu para a sala de jantar, encontrou uma mesa posta para dois. Croissants frescos, frutas cortadas, café preto forte, suco de laranja. E Alexander.

Ele estava de pé junto à janela, falando ao telefone. Terno cinza escuro, camisa branca, gravata preta fina. Cabelo úmido do banho. Barba feita. Parecia intocável. Impecável. Como se a noite anterior tivesse sido um sonho febril.

Mas quando a viu, desligou o telefone sem despedida.

Seus olhos percorreram o corpo dela devagar. Pararam no colar. No decote. Na curva dos seios sob o tecido fino. Na fenda que revelava a coxa a cada passo.

“Perfeito”, murmurou.

Elena se aproximou. Sentou-se sem ser convidada.

“Você sempre manda nas roupas das suas… acompanhantes?”

Ele serviu café para ela. Colocou na frente dela. Seus dedos roçaram os dela de propósito.

“Só nas que valem a pena mandar.”

Ela tomou um gole. Forte. Amargo. Exatamente como ela gostava.

“E quantas valeram a pena antes de mim?”

Alexander sentou-se à frente dela. Cruzou as pernas. Tomou um gole do próprio café.

“Nenhuma.”

Elena ergueu os olhos. Procurou mentira neles. Não encontrou.

“Você espera que eu acredite nisso?”

“Eu espero que você descubra sozinha.” Ele se inclinou para a frente. “Trinta dias, Elena. Sem mentiras. Eu prometi.”

Ela baixou o olhar para o croissant. Partiu um pedaço. Não comeu.

“Ontem você disse que eu era a primeira que te olhou como humano.”

“Sim.”

“E o que mais eu sou?”

Ele demorou para responder. Quando falou, a voz saiu baixa.

“Você é o que eu não sabia que precisava.”

Elena sentiu algo se apertar no peito. Não era só desejo. Era perigoso. Era real.

“E se eu for embora no dia 31?”

“Você não vai.”

“Você parece bem confiante.”

“Eu estou.”

Silêncio.

Então ele se levantou. Contornou a mesa. Parou atrás dela. Mãos nos ombros dela. Dedos descendo devagar pelos braços nus.

“Levante-se.”

Elena obedeceu. O robe teria sido mais fácil de abrir. Esse vestido exigia paciência.

Alexander desceu o zíper das costas com deliberada lentidão. O tecido caiu até a cintura. Seios expostos. Mamilos já duros só com o olhar dele.

Ele a virou. Encostou-a na mesa. Mãos na cintura. Ergueu-a até sentá-la na borda.

“Abra as pernas.”

Ela obedeceu.

Ele se ajoelhou. Sem hesitar.

Puxou a calcinha para o lado. Boca na carne úmida. Língua traçando devagar. Provando. Saboreando.

Elena gemeu. Mãos no cabelo dele. Puxando.

Ele chupou o clitóris com força. Dois dedos entraram nela. Curvaram. Acertaram o ponto.

Ela gozou rápido. Gritando. Corpo tremendo sobre a mesa. Café derramado. Croissants esmagados.

Alexander se levantou. Beijou-a. Ela sentiu o próprio gosto na língua dele.

“Agora coma. Temos reunião em quarenta minutos.”

Elena riu, ofegante.

“Você é insaciável.”

“E você é viciante.”

Eles saíram juntos. No elevador privativo, ele a encostou na parede. Beijou-a até o ar faltar. Mão entre as pernas dela por cima do vestido. Dedos pressionando.

“Você vai passar o dia inteiro molhada. Pensando nisso. Pensando em mim.”

Elena mordeu o lábio dele.

“E você vai passar o dia inteiro duro. Pensando em como vai me foder hoje à noite.”

Ele sorriu contra a boca dela.

“Exatamente.”

A reunião era com investidores japoneses. Sala de conferências envidraçada no 78º andar. Elena sentou-se ao lado dele. Todos os olhares se voltaram para ela — e para o colar.

Alexander apresentou-a como “consultora especial”. Ninguém perguntou mais.

Durante a apresentação, a mão dele desceu para a coxa dela sob a mesa. Subiu devagar. Encontrou a calcinha. Afastou o tecido. Dois dedos entraram. Devagar. Sem pressa.

Elena apertou os lábios para não gemer. Unhas cravadas na palma da própria mão.

Ele continuou falando sobre projeções financeiras. Voz firme. Expressão impassível.

Enquanto a fodia com os dedos ali, na frente de todos, sem que ninguém soubesse.

Quando os japoneses saíram, satisfeitos, Alexander tirou os dedos. Levou-os à boca. Chupou devagar. Olhando nos olhos dela.

“Deliciosa.”

Elena respirou fundo.

“Você é louco.”

“E você ama.”

Ela não negou.

Porque era verdade.

(Palavras: 1.623)

Capítulo 6

O jato particular da Kane Enterprises decolou às 18h em ponto do aeroporto de Teterboro. Destino: Paris. Reunião com a maison de alta joalheria mais antiga do mundo. Alexander queria apresentar Elena como parceira em potencial para uma coleção colaborativa. Ela sabia que era mais do que negócios. Era exibição. Ele queria mostrá-la ao mundo. Com o colar no pescoço. Com as marcas dele na pele.

Elena estava no quarto principal do avião — cama king, banheiro completo, poltrona de couro que virava cama. Vestia um conjunto de cashmere cinza que ele havia deixado pronto: calça solta, suéter largo, mas sem nada por baixo. Ordens implícitas.

Alexander entrou sem bater. Fechou a porta. Trancou.

“Você está linda assim. Despida por baixo.”

Elena ergueu uma sobrancelha.

“Você gosta de me deixar acessível.”

“Eu gosto de te ter sempre pronta para mim.”

Ele se aproximou. Sentou na beira da cama. Puxou-a para o colo dele. Ela montou, pernas abertas sobre as dele.

Mãos dele subiram por baixo do suéter. Acariciaram os seios. Polegares nos mamilos. Apertando devagar.

Elena gemeu baixo. Cabeça caindo para trás.

“Você não cansa?”

“Nunca. De você, nunca.”

Ele tirou o suéter dela. Jogou no chão. Boca nos seios. Chupando. Mordendo. Deixando novas marcas.

Elena desabotoou a camisa dele. Mãos no peito. Traçando as cicatrizes antigas.

“Diga-me sobre elas.”

Alexander parou. Olhou para cima. Olhos escurecidos.

“Não hoje.”

“Você prometeu. Sem mentiras. Sem omissões.”

Ele respirou fundo. Fechou os olhos por um segundo.

“Orfanato. Aos treze anos. Um garoto mais velho decidiu que eu era fraco. Usou uma faca de cozinha. Eu revidei. Ele nunca mais tocou em ninguém.”

Elena tocou uma cicatriz longa no abdômen.

“E você ganhou.”

“Eu sempre ganho.”

Ela se inclinou. Beijou a cicatriz. Depois outra. Depois outra.

Alexander tremeu. Um tremor sutil. Quase imperceptível.

“Ninguém nunca fez isso.”

Elena ergueu o rosto.

“Ninguém nunca se importou o suficiente para perguntar.”

Ele a puxou para um beijo. Dessa vez lento. Profundo. Quase doloroso de tão intenso.

Mãos desceram. Tiraram a calça dela. Encontraram-na sem calcinha.

“Boa menina.”

Ele a deitou na cama. Abriu as pernas dela. Boca entre as coxas. Língua devagar. Provando cada centímetro.

Elena se contorceu. Mãos no cabelo dele.

“Alexander…”

Ele parou. Subiu o corpo. Posicionou-se entre as pernas dela.

“Olhe para mim.”

Ela obedeceu.

Ele entrou devagar. Centímetro por centímetro. Olhos nos olhos.

Quando estava todo dentro, parou.

“Você sente?”

“Sim…”

“Você é minha.”

“Sim…”

Ele começou a se mover. Lento. Profundo. Cada estocada uma declaração.

Elena envolveu as pernas na cintura dele. Unhas nas costas.

“Mais forte.”

Ele obedeceu. Ritmo aumentando. Batendo fundo. A cama rangendo.

Mão no pescoço dela. Polegar no cadeado.

“Você usa minha coleira. Você carrega minha marca. Dentro e fora.”

Elena gozou primeiro. Corpo convulsionando. Nome dele nos lábios.

Alexander a seguiu. Gozando dentro dela com um gemido rouco. Marcando-a novamente.

Ficaram abraçados. Ofegantes.

Ele não saiu dela imediatamente. Ficou ali, dentro, pulsando ainda.

“Elena…”

“Hm?”

“Eu não sei ser diferente disso.”

Ela acariciou o rosto dele.

“Eu não quero que você seja.”

Ele beijou a testa dela. Saiu devagar. Deitou ao lado. Puxou-a contra o peito.

“Durma. Paris amanhã.”

Elena encostou o rosto no peito dele. Ouviu o coração acelerado.

“Alexander?”

“Sim?”

“E se eu quiser ficar mais de trinta dias?”

Silêncio.

Então ele apertou os braços ao redor dela.

“Então você fica.”

Elena sorriu contra a pele dele.

“Bom saber.”

Mas no fundo, ambos sentiam:

Trinta dias não seriam suficientes.

A obsessão já havia se tornado algo maior.

Algo sem data de validade.

(Palavras: 1.589)

Capítulo 7

Paris os recebeu com chuva fina e luzes douradas refletidas nas poças da Place Vendôme. O hotel — Le Meurice, suíte presidencial com vista para o jardim das Tulherias — era um palácio disfarçado de hospedagem. Elena entrou primeiro, tirando o casaco molhado enquanto Alexander dava instruções ao concierge em francês fluente, voz baixa e autoritária.

Ela caminhou até a janela. A cidade parecia pintada em tons de cinza e ouro. O colar pesava mais hoje, ou talvez fosse o peso acumulado das últimas 48 horas: orgasmos em aviões, dedos sob mesas de reunião, promessas sussurradas contra a pele.

Alexander se aproximou por trás. Não a tocou imediatamente. Apenas ficou ali, o calor do corpo dele contrastando com o vidro frio.

“Você está quieta desde que pousamos.”

Elena virou o rosto de lado, sem encará-lo.

“Estou pensando.”

“Em?”

“Em quanto tempo falta para acabar.”

Ele colocou as mãos na cintura dela. Devagar. Dedos traçando a curva dos quadris por cima do vestido de lã preta que ele havia escolhido para o jantar daquela noite.

“Dezesseis dias restantes. Mas você já está contando os minutos para ir embora?”

Elena fechou os olhos. A voz dele contra a nuca era como veludo rasgado.

“Eu estou contando os minutos para entender o que acontece quando acabar. Se eu vou conseguir voltar para a minha vida como se nada tivesse acontecido.”

Alexander virou-a de frente. Mãos subindo até o rosto dela. Polegares traçando as maçãs do rosto.

“Nada vai ser como antes. Nem para você. Nem para mim.”

Ela procurou nos olhos dele. Cinza tempestuoso. Algo vulnerável piscando lá no fundo, rápido demais para ser capturado.

“Você já fez isso antes? Contratos? Um mês de… posse?”

“Não como com você.” Ele inclinou a cabeça. “Nunca como com você.”

Elena sentiu o coração apertar.

“Então por que eu sinto que estou sendo preparada para ser descartada?”

Ele franziu o cenho. Pela primeira vez, Elena viu irritação genuína misturada com algo que parecia… dor.

“Você acha que eu te trouxe até Paris para te descartar?”

“Eu acho que você me trouxe para Paris para me exibir. Para provar que pode ter o que quer. E quando os trinta dias acabarem, você volta para sua vida de controle absoluto, e eu volto para a minha… com uma empresa salva e um buraco no peito.”

Alexander respirou fundo. Apertou a mandíbula.

“Você quer saber a verdade?”

“Eu sempre quero a verdade.”

Ele a soltou. Deu um passo para trás. Passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o de leve.

“Eu não sei o que acontece depois. Eu nunca planejei um depois. Eu planejei trinta dias. Controle. Desejo. Fim. Mas você…” Ele parou. Olhou para ela como se doesse. “Você está bagunçando tudo. Eu acordo pensando em você. Eu fecho negócios pensando em como você vai reagir quando eu contar. Eu olho para o futuro e vejo você nele. E isso me apavora.”

Elena sentiu as lágrimas subirem. Não deixou cair.

“Então por que não me deixa ir agora? Por que não quebra o contrato?”

“Porque eu não consigo.” A voz dele saiu rouca. “Porque se eu te deixar ir agora, eu perco a única coisa que já me fez sentir vivo desde que eu tinha dez anos.”

Silêncio pesado.

Elena deu um passo à frente. Tocou o peito dele, sobre o coração.

“Então me diga o que você quer de verdade. Não o que o contrato diz. O que Alexander Kane quer.”

Ele capturou a mão dela. Beijou a palma. Olhos fechados.

“Quero você. Sem prazo. Sem regras. Sem coleira que possa ser aberta. Quero você porque você escolheu ficar. Porque você me olha e vê o homem, não o monstro. Porque quando você goza gritando meu nome, eu sinto que talvez eu mereça isso.”

Elena sentiu o ar faltar.

“E se eu disser que quero a mesma coisa?”

Ele abriu os olhos. Surpresa. Alívio. Fome.

“Então diga.”

Ela se aproximou mais. Roçou os lábios nos dele.

“Eu quero ficar. Depois dos trinta dias. Mas eu quero você inteiro. As cicatrizes. Os segredos. As noites em que você acorda suando frio lembrando do orfanato. Eu quero tudo.”

Alexander a beijou então. Não com violência. Com desespero. Como se estivesse se afogando e ela fosse o ar.

Mãos descendo. Rasgando o zíper do vestido. Tecido caindo. Ele a ergueu nos braços, levou até a cama enorme com dossel. Deitou-a com cuidado. Quase reverência.

Tirou a própria roupa devagar. Deixou que ela visse tudo: o corpo marcado, os músculos tensos, a ereção dura e latejante.

Elena estendeu a mão. Traçou cada cicatriz com os dedos. Depois com a boca.

Ele tremia.

“Elena…”

“Shh.”

Ela o puxou para cima dela. Pernas abertas. Mãos guiando-o para dentro.

Ele entrou devagar. Olhos nos olhos. Cada centímetro uma confissão.

Quando estava todo dentro, parou. Testa encostada na dela.

“Eu te amo.”

As palavras saíram baixas. Quase inaudíveis.

Elena congelou. Depois sorriu, lágrimas escorrendo.

“Eu também te amo. Seu filho da puta possessivo.”

Ele riu contra a boca dela. Começou a se mover. Lento. Profundo. Cada estocada uma promessa.

Eles fizeram amor pela primeira vez.

Não foderam.

Fizeram amor.

Corpos suados. Gemidos baixos. Mãos entrelaçadas. Olhares que não se desviavam.

Quando gozaram juntos, foi silencioso. Intenso. Como se o mundo tivesse parado.

Depois, deitados de lado, ele ainda dentro dela, Alexander traçou o contorno do colar.

“Eu quero tirar isso.”

Elena tocou o cadeado.

“Ainda não. Deixa eu usar até o fim do contrato. Para lembrar que comecei como sua posse… e terminei como sua escolha.”

Ele beijou a testa dela.

“Você sempre foi minha escolha.”

Eles adormeceram assim. Enlaçados. Chuva batendo na janela. Paris lá fora.

Mas o contrato ainda tinha dezesseis dias.

E o passado de Alexander ainda não havia sido todo revelado.

(Palavras: 1.712)

Capítulo 8

A maison de alta joalheria os recebeu com pompa discreta. Salas com paredes forradas de veludo verde-musgo, vitrines iluminadas exibindo peças que pareciam relíquias de impérios extintos. O diretor criativo, um homem de sessenta anos chamado Philippe Laurent, beijou a mão de Elena como se ela fosse realeza.

“Senhorita Voss, é uma honra. Suas peças têm uma alma selvagem que falta no mercado atual. Alexander nos falou maravilhas.”

Elena sorriu, educada. Sentia o olhar de Alexander nas costas — protetor, possessivo, mas hoje com algo mais suave.

A reunião durou duas horas. Discutiram colaborações: uma coleção cápsula com assinatura conjunta. Elena apresentou esboços que havia feito no avião — formas orgânicas, pedras brutas misturadas a diamantes lapidados, ouro envelhecido. Philippe ficou encantado.

Alexander ficou em silêncio a maior parte do tempo. Apenas observava. Quando falava, era para apoiar cada ideia dela. Para abrir portas. Para garantir que ninguém questionasse a autoridade dela ali.

No fim, Philippe apertou a mão dos dois.

“Vamos assinar o acordo preliminar ainda esta semana. Bem-vinda à família, Elena.”

Quando saíram para a rua, a chuva havia parado. O sol tímido de outono pintava tudo de dourado.

Alexander parou na calçada. Puxou-a para um beijo rápido, mas profundo. Bem ali, no meio da Place Vendôme, com turistas e parisienses passando.

“Você foi brilhante.”

Elena sorriu contra os lábios dele.

“Você me deixou brilhar.”

Ele entrelaçou os dedos nos dela.

“Almoço. Depois… quero te levar a um lugar.”

Eles almoçaram em um bistrô escondido no Marais. Mesas pequenas. Vinho tinto. Risoto de trufas. Alexander pediu para ela. Elena deixou. Pela primeira vez, não era controle — era cuidado.

Depois do almoço, ele a levou até Montmartre. Subiram a escadaria do Sacré-Cœur de mãos dadas. No topo, a vista de Paris inteira se estendia como um tapete.

Alexander parou diante da basílica. Virou-se para ela.

“Aqui eu vim uma vez. Aos 22 anos. Sozinho. Tinha acabado de vender minha primeira empresa por sete dígitos. Eu deveria estar celebrando. Em vez disso, sentei naquele degrau ali…” Ele apontou. “…e chorei. Porque percebi que dinheiro não preenchia nada. Que eu ainda era o mesmo garoto que ninguém queria.”

Elena apertou a mão dele.

“E agora?”

“Agora eu olho para você e sinto que talvez… talvez eu mereça ser querido.”

Ela se inclinou. Beijou-o devagar. O vento bagunçando os cabelos dos dois.

“Você merece. E mais.”

Eles voltaram para o hotel ao entardecer.

No elevador, Alexander a encostou na parede. Beijou o pescoço. Acima do colar.

“Quero você agora.”

Elena sorriu.

“Então me pega.”

No quarto, ele a despiu com calma. Cada peça de roupa beijada antes de cair. Quando ela ficou nua, exceto pelo colar, ele a levou até o espelho de corpo inteiro.

“Olhe para nós.”

Elena viu: ela, marcada por ele. Ele, marcado por ela — arranhões frescos nas costas, chupões no pescoço.

Alexander posicionou-se atrás. Mãos nos seios dela. Ereção pressionando as costas.

“Você vê o que eu vejo?”

“Vejo dois quebrados que se encaixam.”

Ele gemeu baixo. Mão descendo. Dedos encontrando-a molhada.

“Você é perfeita.”

Ele a penetrou devagar, de pé, olhando no reflexo. Estocadas lentas. Profundas. Mão no pescoço dela — não apertando, apenas segurando. Polegar no cadeado.

“Você é minha.”

“Sua.”

Ele acelerou. Batendo forte. Elena apoiou as mãos no espelho. Arqueou as costas. Gemidos ecoando no quarto.

“Goza olhando para nós.”

Ela gozou gritando. Corpo tremendo. Olhos nos dele no reflexo.

Alexander gozou logo depois. Dentro dela. Marcando-a mais uma vez.

Depois, caíram na cama. Abraçados.

Elena traçou o rosto dele.

“Alexander… eu quero saber o resto. O que aconteceu depois do orfanato. Por que você se tornou assim.”

Ele respirou fundo. Fechou os olhos.

“Eu tinha dezoito anos. Conheci uma mulher. Mais velha. Ela me prometeu o mundo. Me usou para conseguir contatos. Quando eu descobri, ela riu. Disse que eu era ingênuo demais para sobreviver nesse mundo. Eu jurei que nunca mais seria ingênuo. Nunca mais confiaria. Construí muros. Comprei lealdade. Controlei tudo.”

Elena beijou o peito dele.

“E agora?”

“Agora eu estou com medo de novo. Porque se você me deixar… eu não sei se sobrevivo.”

Ela se ergueu sobre o cotovelo. Olhou nos olhos dele.

“Eu não vou te deixar. Mas você precisa prometer a mesma coisa.”

“Eu prometo.”

Eles selaram com um beijo.

Mas naquela noite, enquanto Elena dormia, Alexander ficou acordado. Olhando para o teto.

Porque ele ainda não havia contado tudo.

Havia uma parte mais escura.

Uma parte que envolvia sangue.

E vingança.

E ele sabia: quando ela descobrisse, talvez nem o amor bastasse para segurá-la.

(Palavras: 1.834)

Capítulo 9

O dia seguinte amanheceu cinzento em Paris, com nuvens pesadas que pareciam carregar segredos. Elena acordou antes dele — algo raro. Ficou deitada de lado, observando Alexander dormir. O rosto relaxado era quase irreconhecível: sem a máscara de controle, sem o olhar afiado. Apenas um homem. Cicatrizes antigas no peito subindo e descendo com a respiração lenta. Ela estendeu a mão, traçou uma delas com a ponta do dedo. Ele não acordou.

Mas quando ela se moveu para sair da cama, o braço dele a envolveu pela cintura num reflexo automático. Puxou-a de volta contra o peito.

“Para onde?”

“Banheiro. Café. Vida normal.”

Ele abriu os olhos devagar. Cinzentos, ainda enevoados de sono.

“Nada aqui é normal desde que você assinou aquele papel.”

Elena sorriu. Beijou a ponta do nariz dele.

“Bom dia, possessivo.”

“Bom dia, minha.”

Eles tomaram banho juntos. Água quente caindo como chuva tropical. Mãos ensaboadas deslizando por corpos já conhecidos. Beijos lentos sob o jato. Ele a ergueu contra os azulejos frios, entrou nela devagar, sem pressa. Estocadas longas, profundas, enquanto a água escorria pelos dois. Nenhum gemido alto. Apenas suspiros, respirações entrecortadas, olhares que diziam mais do que palavras.

Depois, enrolados em roupões brancos felpudos, sentaram-se na varanda coberta. Croissants quentes, café forte, vista para o Sena distante. Elena quebrou o silêncio primeiro.

“Você tem uma reunião hoje à tarde com os advogados da maison, certo?”

Alexander assentiu, mordendo um pedaço de croissant.

“Sim. Assinatura preliminar do acordo de colaboração. Você vem comigo?”

“Claro. Mas antes… quero ir a um lugar sozinha.”

Ele ergueu uma sobrancelha.

“Sozinha?”

“Quero visitar a loja do meu avô em Saint-Germain. A primeira que ele abriu, nos anos 70. Ainda existe, mas agora é de outra família. Quero ver. Sentir. Lembrar.”

Alexander a estudou por longos segundos.

“Você quer ir sem mim.”

“Quero ir sem a sombra do contrato. Sem o colar me lembrando que sou sua por mais quinze dias. Só por uma hora. Só eu e as memórias.”

Ele não respondeu de imediato. Tomou um gole de café. Olhou para o horizonte.

“Você vai voltar?”

Elena sentiu um aperto no peito.

“Alexander…”

“Responda.”

“Sim. Eu volto. Mas você precisa confiar em mim.”

Ele colocou a xícara na mesa com cuidado excessivo.

“Eu confio em você. É no resto do mundo que eu não confio.”

Elena se levantou. Foi até ele. Sentou no colo dele, pernas abertas, rosto a centímetros do dele.

“Eu volto. E quando voltar, quero que você me conte o resto. A parte que você ainda guarda. A parte que te faz acordar suando frio às três da manhã.”

Ele fechou os olhos por um segundo.

“Quando você voltar.”

Ela beijou-o devagar. Língua traçando os lábios dele. Mãos no cabelo úmido.

“Promete?”

“Prometo.”

Elena saiu uma hora depois. Vestiu jeans escuros, suéter bege oversized, botas de cano baixo. O colar ainda no pescoço — ela não tirou. Não porque ele mandou. Porque, de algum jeito doentio e doce, já fazia parte dela.

Caminhou pelas ruas de Saint-Germain-des-Prés. O ar cheirava a pão fresco e chuva velha. A lojinha ficava numa ruazinha lateral, fachada discreta, vitrine com poucas peças antigas misturadas às novas. Elena parou na frente. O coração acelerou.

Empurrou a porta. Sino tilintou.

Uma mulher de uns cinquenta anos, cabelos grisalhos presos num coque frouxo, ergueu os olhos do balcão.

“Bonjour, mademoiselle.”

“Bonjour. Eu… sou neta de Antonio Voss.”

Os olhos da mulher se arregalaram.

“Elena?”

Elena assentiu, surpresa.

“Você me conhece?”

“Seu avô falava de você o tempo todo. Quando ele vendeu a loja, disse que era para garantir que a neta tivesse futuro. Eu comprei há doze anos. Ainda guardo algumas peças dele no fundo.”

Elena sentiu as lágrimas subirem.

“Posso… ver?”

A mulher — que se apresentou como Claire — levou-a aos fundos. Uma caixinha de madeira velha. Dentro: broches, anéis, um colar de pérolas irregulares que Antonio havia feito para a avó de Elena antes de morrer.

Elena pegou o colar. Dedos tremendo.

“Ele dizia que pérolas são lágrimas do mar. Que só quem sofre muito consegue transformá-las em beleza.”

Claire sorriu com tristeza.

“Ele era um poeta com ferramentas de ourives.”

Elena fechou os olhos. Sentiu o cheiro antigo da madeira. O peso das memórias.

Quando saiu da loja, uma hora e meia depois, carregava uma pequena sacola com o colar de pérolas embrulhado em papel de seda. E uma certeza: ela não queria mais voltar para a vida de antes. Não sem ele.

Mas quando chegou ao hotel, encontrou Alexander na suíte. Sentado na poltrona de couro, copo de uísque na mão. Olhos vermelhos. Expressão fechada.

Elena parou na porta.

“O que aconteceu?”

Ele ergueu o olhar. Dor crua.

“Eu menti para você.”

O estômago dela despencou.

“Sobre o quê?”

“Sobre tudo depois do orfanato. Sobre a mulher que me usou. Sobre por que eu construí muros tão altos.”

Elena fechou a porta devagar. Caminhou até ele. Ajoelhou-se entre as pernas dele. Tocou o rosto.

“Me conta agora.”

Alexander respirou fundo. Voz rouca.

“Aos dezenove anos, eu me envolvi com a filha de um dos meus primeiros investidores. Ela era mais velha. Casada. Me prometeu parceria, contatos. Eu me apaixonei. Como um idiota. Quando descobri que ela estava usando minhas ideias para o marido dela lucrar, confrontei os dois. O marido… ele mandou capangas me darem uma lição. Me espancaram até eu desmaiar. Quebraram duas costelas. Cortaram meu rosto. Disseram que se eu abrisse a boca, matariam quem eu amasse. Eu não tinha ninguém. Mas jurei que nunca mais seria vulnerável. Que nunca mais confiaria. Que compraria lealdade. Que controlaria tudo.”

Elena sentiu lágrimas quentes escorrendo.

“E as cicatrizes no abdômen?”

“Não foram do orfanato. Foram daquela noite. O garoto mais velho me cortou uma vez. Mas o resto… foi para me lembrar que fraqueza mata.”

Elena abraçou-o. Apertou forte.

“Você não é fraco. Você sobreviveu. E agora… você está me deixando entrar.”

Ele enterrou o rosto no pescoço dela. Tremia.

“Eu tenho medo, Elena. Medo de que você veja isso tudo e fuja.”

Ela se afastou o suficiente para olhar nos olhos dele.

“Eu não vou fugir. Mas você precisa parar de esconder. Precisa me deixar te amar inteiro. Com as cicatrizes. Com os pesadelos. Com tudo.”

Alexander assentiu. Puxou-a para o colo. Beijou-a devagar. Desesperado.

“Eu te amo tanto que dói.”

Elena sorriu contra os lábios dele.

“Então me mostra.”

Ele a levou para a cama. Despiu-a com reverência. Beijou cada marca que havia deixado nela. Tirou o colar — abriu o cadeado com a chave que carregava no bolso. Colocou-o de lado na mesa de cabeceira.

“Hoje você não usa coleira. Hoje você é só minha. Livre.”

Elena chorou de leve. De alívio. De amor.

Eles fizeram amor devagar. Olhos nos olhos. Mãos entrelaçadas. Corpos se movendo em ritmo perfeito. Sem pressa. Sem dominação. Apenas entrega.

Quando gozaram juntos, foi silencioso. Intenso. Como se o mundo inteiro coubesse naquele momento.

Depois, deitados de conchinha, Elena sussurrou:

“Faltam quinze dias no contrato. Mas eu não quero mais contar dias.”

Alexander beijou a nuca dela.

“Então não conta. Fica para sempre.”

Elena virou-se nos braços dele. Tocou o rosto marcado.

“Para sempre.”

Mas no fundo, ambos sabiam: o passado não morre fácil.

E na manhã seguinte, quando Alexander checou os e-mails, encontrou uma mensagem anônima.

Uma foto antiga.

Ele, aos dezenove anos, ensanguentado, no chão de um beco.

E a legenda:

Ela sabe mesmo de tudo? Ou você ainda está mentindo sobre o que realmente aconteceu naquela noite?

Alexander apagou a mensagem. Fechou o laptop com força.

Mas o medo voltou.

Porque algumas verdades eram mais sombrias do que cicatrizes.

E ele ainda não havia contado a pior parte.

(Palavras: 1.856)

Capítulo 10

A mensagem anônima ainda queimava na mente de Alexander como ácido. Ele havia deletado, mas o texto estava gravado: a foto antiga dele no beco, o rosto inchado de sangue, olhos vidrados de dor e raiva. E a pergunta cruel: Ela sabe mesmo de tudo? Ou você ainda está mentindo sobre o que realmente aconteceu naquela noite?

Ele não respondeu. Não podia. Porque a verdade era pior do que qualquer omissão que já havia feito.

Elena estava no banheiro da suíte, secando o cabelo com uma toalha branca. Vestia apenas uma camisa dele — branca, larga, mangas dobradas até os cotovelos. As pernas nuas brilhavam sob a luz suave do abajur. O colar não estava mais no pescoço; o cadeado aberto repousava na mesa de cabeceira como um símbolo de algo que havia mudado para sempre.

Ela saiu do banheiro sorrindo, mas o sorriso morreu quando viu a expressão dele.

“Alexander?”

Ele estava de pé junto à janela, costas para ela, olhando para Paris iluminada. Ombros tensos. Punhos cerrados ao lado do corpo.

Elena se aproximou devagar. Tocou as costas dele. Sentiu os músculos rígidos sob o tecido da camisa.

“O que foi?”

Ele virou-se. Os olhos cinzentos pareciam tempestade.

“Eu preciso te contar algo. Agora. Antes que seja tarde.”

Elena sentiu o estômago revirar.

“Então conta.”

Alexander respirou fundo. Passou a mão pelo cabelo. Caminhou até o sofá de veludo cinza e sentou-se. Puxou-a para sentar ao lado. Não soltou a mão dela.

“Aquela noite… no beco. Não foi só uma surra. Eu não só levei uma surra e sobrevivi. Eu matei um deles.”

Elena congelou. A mão dele apertou a dela com mais força.

“O marido da mulher… ele mandou três homens. Dois me seguraram. O terceiro tinha uma faca. Ele cortou meu rosto primeiro. Depois desceu para o abdômen. Eu lutei. Peguei a faca dele. E enfiei no pescoço do cara. Ele morreu na hora. Sangue por todo lado. Os outros dois fugiram. Eu fiquei lá, segurando a faca, olhando para o corpo. Eu tinha dezenove anos. Nunca tinha matado ninguém antes.”

Elena não respirou. Os olhos dela fixos nos dele.

“Eu limpei a cena o melhor que pude. Joguei a faca no Sena. Voltei para casa. No dia seguinte, a polícia encontrou o corpo. Disseram que foi briga de bar. Ninguém me procurou. A mulher… ela desapareceu da minha vida. O marido nunca mais tocou em mim. Mas eu carrego isso desde então. Cada cicatriz. Cada pesadelo. Eu matei um homem. E nunca contei para ninguém. Até agora.”

Silêncio absoluto.

Elena sentiu lágrimas quentes escorrendo pelas bochechas. Não de medo. De dor por ele.

Ela se inclinou. Encostou a testa na dele.

“Você estava se defendendo.”

“Eu poderia ter parado. Poderia ter fugido. Mas eu enfiei a faca. Eu queria que ele morresse.”

“Você era um garoto aterrorizado. Eles iam te matar.”

Alexander fechou os olhos.

“Eu não sou vítima, Elena. Eu sou assassino. E agora você sabe.”

Ela pegou o rosto dele com as duas mãos. Forçou-o a olhar para ela.

“Você é sobrevivente. Você é o homem que transformou dor em império. Que me trouxe até aqui. Que me ama mesmo sabendo que pode perder tudo. Isso não muda quem você é para mim.”

Ele abriu os olhos. Lágrimas brilhavam ali — algo que Elena nunca havia visto.

“Você não vai embora?”

“Não.”

“Mesmo sabendo que eu carrego isso?”

“Especialmente por saber que você carrega isso.”

Elena o beijou. Lento. Profundo. Salgado de lágrimas. Mãos descendo pelo peito dele, abrindo botões. Tirando a camisa. Beijando cada cicatriz como se pudesse curá-las com os lábios.

“Eu te amo inteiro. Com o passado. Com o sangue. Com tudo.”

Alexander gemeu baixo. Puxou-a para o colo. Mãos subindo por baixo da camisa. Encontrando-a nua por baixo.

“Você é louca por ficar.”

“Sou louca por você.”

Ele a deitou no sofá. Despiu-a devagar. A camisa dele caindo no chão. Corpo dela exposto, marcado por ele, mas agora também marcado pela verdade que acabara de compartilhar.

Ele se ajoelhou entre as pernas dela. Beijou a parte interna das coxas. Subiu devagar. Língua traçando a entrada úmida. Provando. Saboreando. Como se quisesse se desculpar com cada lambida.

Elena gemeu. Mãos no cabelo dele. Puxando.

“Alexander… por favor…”

Ele subiu. Posicionou-se. Entrou nela devagar. Olhos nos olhos. Cada centímetro uma redenção.

Quando estava todo dentro, parou. Testa encostada na dela.

“Você me salva, Elena. Todo dia.”

Ela envolveu as pernas na cintura dele. Unhas nas costas.

“Então me salva de volta. Me ama até eu esquecer que existe um mundo lá fora.”

Ele começou a se mover. Lento no início. Depois mais forte. Mais profundo. Cada estocada arrancando gemidos dela. Mãos entrelaçadas acima da cabeça dela. Corpos suados colados.

Elena gozou primeiro. Corpo arqueando. Nome dele gritado como uma prece.

Alexander a seguiu. Gozando dentro dela com um gemido rouco. Corpo tremendo. Lágrimas escorrendo pelo rosto dele e caindo no dela.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Abraçados.

Depois, ele a carregou para a cama. Deitou-a ao lado. Cobriu os dois com o edredom pesado.

“Eu nunca mais vou mentir para você.”

Elena encostou o rosto no peito dele. Ouviu o coração acelerado.

“E eu nunca mais vou te deixar carregar isso sozinho.”

Eles adormeceram assim. Enlaçados. Paris lá fora, indiferente.

Mas na manhã seguinte, quando Alexander abriu o laptop para checar e-mails, outra mensagem anônima chegou.

Dessa vez, não era só uma foto.

Era um vídeo curto. Grainy. De uma câmera de segurança antiga.

Ele, aos dezenove anos, no beco. A faca entrando no pescoço do homem. O corpo caindo. Ele olhando para o cadáver por longos segundos antes de fugir.

E a legenda:

Quinze dias restantes no contrato. Quando acabar, ela vai saber que você ainda esconde o pior. Porque você não contou que o homem que matou… era o pai dela.

Alexander sentiu o mundo parar.

O pai de Elena. O homem que desapareceu antes dela nascer. O homem que sua mãe nunca mencionou. O homem que, segundo todos os relatos, havia abandonado a família.

Mas ali estava a verdade.

O homem que ele matou em legítima defesa… era o pai biológico de Elena.

E agora, alguém sabia.

Alguém queria destruir tudo.

Alexander fechou o laptop. Olhou para Elena dormindo ao seu lado. O rosto sereno. Os lábios entreabertos. O cabelo espalhado no travesseiro.

Ele sentiu o coração se partir.

Porque se ela soubesse…

Talvez nem o amor bastasse.

Ele se levantou devagar. Vestiu-se em silêncio. Saiu da suíte.

Precisava pensar.

Precisava proteger o que restava.

Porque o contrato estava acabando.

E a obsessão… estava prestes a se transformar em tragédia.

(Palavras: 1.947)

Capítulo 11

Alexander voltou à suíte duas horas depois. O ar estava frio, mesmo com o aquecedor ligado. Elena ainda dormia, encolhida de lado, o lençol cobrindo apenas até a cintura. A luz cinzenta da manhã parisiense entrava pelas cortinas entreabertas, pintando listras pálidas no corpo dela. Ele parou na porta do quarto, olhando-a por longos minutos. O peito subia e descia devagar. Os lábios entreabertos. As marcas que ele havia deixado na pele — chupões, mordidas, impressões digitais — pareciam agora acusações silenciosas.

Ele havia passado aquelas duas horas andando pelas ruas molhadas de Paris, sem rumo. Tentando encontrar uma saída que não existia. A mensagem anônima ainda ecoava na mente: o vídeo. A faca. O sangue. E a revelação que ele não queria encarar: o homem que ele matou era o pai de Elena.

Não era coincidência. Alguém sabia. Alguém estava puxando fios que ele havia enterrado há quase vinte anos. E agora, esse alguém queria que Elena soubesse. Queria destruir o que eles tinham construído nos últimos dias.

Alexander tirou os sapatos. Entrou no quarto em silêncio. Sentou-se na beira da cama. A mão dele pairou sobre o ombro dela, hesitante. Tocou de leve.

Elena acordou devagar. Piscou. Sorriu ao vê-lo.

“Você saiu?”

“Precisava de ar.”

Ela se sentou. O lençol caiu até a cintura, expondo os seios. Ela não cobriu. Estendeu a mão para o rosto dele. Tocou a barba por fazer.

“Você parece que não dormiu.”

“Não dormi.”

Elena franziu o cenho. Sentou-se de joelhos na cama. Puxou-o para mais perto.

“O que está acontecendo, Alexander? Você prometeu não esconder mais nada.”

Ele respirou fundo. Fechou os olhos.

“Eu não escondi. Eu omiti. E agora… agora alguém está usando isso contra nós.”

Elena congelou.

“Alguém?”

Ele pegou o celular do bolso. Abriu o e-mail. Mostrou a mensagem anônima. A foto. O vídeo curto. Elena assistiu em silêncio. O rosto empalidecendo a cada segundo. Quando o vídeo terminou — o jovem Alexander olhando para o corpo sem vida —, ela devolveu o celular com mãos trêmulas.

“Quem mandou isso?”

“Não sei. Ainda. Mas é alguém que sabe demais. Alguém que conhece meu passado. E o seu.”

Elena piscou. Confusa.

“O meu?”

Alexander engoliu em seco. A voz saiu baixa, quase quebrada.

“O homem que eu matei… o que está no vídeo… era o seu pai biológico.”

O silêncio que seguiu foi ensurdecedor.

Elena ficou imóvel. Olhos fixos nos dele. Como se esperasse que ele dissesse que era mentira. Que era um erro. Que era qualquer coisa menos isso.

“Meu pai… desapareceu antes de eu nascer. Minha mãe nunca falou dele. Dizia que ele era um erro. Que ele a abandonou. Eu cresci sem saber o nome dele. Sem foto. Sem nada.”

Alexander assentiu devagar.

“Eu descobri ontem. Pelo vídeo. Pelo timing. Pelo nome que aparece nos registros antigos que eu mandei investigar discretamente depois da primeira mensagem. Ele se chamava Victor Voss. Era casado com sua mãe. Teve um caso com a mulher que me usou. Quando eu confrontei os dois, ele mandou os capangas. Ele estava lá. Ele segurou meus braços enquanto o outro me cortava. Eu lutei. Peguei a faca. E…”

Elena levantou a mão. Parou-o.

“Pare.”

Ele parou.

Ela se levantou da cama. Andou até a janela. Abraçou o próprio corpo. Olhou para a cidade lá embaixo.

“Você matou meu pai.”

“Eu matei o homem que ia me matar. Que mandou me matar. Que era violento. Que abandonou você antes mesmo de você nascer.”

Elena virou-se. Lágrimas escorrendo.

“E você sabia disso ontem? Quando me contou a história? Quando fizemos amor?”

“Eu descobri depois. Depois que você dormiu. A mensagem chegou de manhã.”

Elena fechou os olhos. Respirou fundo.

“Por que alguém faria isso agora? Por que agora?”

“Porque eles veem que você me mudou. Que eu estou diferente. Que eu não controlo mais tudo. Que eu te amo. E alguém quer destruir isso. Talvez um antigo sócio. Talvez a família daquele homem. Talvez… sua mãe.”

Elena abriu os olhos de repente.

“Minha mãe morreu há cinco anos. Câncer. Ela nunca falou dele. Nunca.”

“Talvez ela soubesse. Talvez ela tenha contado para alguém. Talvez…”

Elena balançou a cabeça.

“Para.”

Ela caminhou até a mesa de cabeceira. Pegou o colar. O cadeado aberto. Olhou para ele por longos segundos. Depois colocou de volta no pescoço. Fechou o cadeado com os próprios dedos. Clique seco.

Alexander se levantou.

“Elena…”

“Não tire. Ainda não. Eu preciso sentir algo que me lembre que isso tudo começou com posse. Com controle. Porque agora… agora eu não sei mais o que sinto.”

Ela se aproximou dele. Parou a centímetros. Olhou nos olhos.

“Você me ama?”

“Mais do que tudo.”

“E se eu disser que preciso de tempo? Que preciso ir embora por alguns dias? Voltar para Nova York. Pensar. Sozinha.”

Alexander sentiu o peito rasgar.

“Eu te deixo ir. Mas não sem proteção. Victor vai com você. E eu vou esperar. O tempo que for preciso.”

Elena tocou o rosto dele. Dedos traçando a linha da mandíbula.

“Você vai me esperar?”

“Sempre.”

Ela o beijou então. Não com paixão. Com tristeza. Com despedida temporária. Lábios quentes. Salgados de lágrimas. Língua lenta. Mãos no pescoço dele, no cabelo.

Quando se afastou, sussurrou:

“Eu preciso entender quem eu sou sem você por perto. Sem o contrato. Sem o colar me dizendo que sou sua. Preciso saber se eu ainda te quero… sabendo disso tudo.”

Alexander assentiu. Dor crua nos olhos.

“Eu entendo.”

Elena pegou uma mala pequena. Vestiu-se rápido. Jeans. Suéter. Botas. O colar brilhando contra a pele.

Antes de sair, virou-se na porta.

“Alexander?”

“Sim?”

“Se eu voltar… e eu acho que vou voltar… quero que você me prometa uma coisa.”

“O que for.”

“Que você nunca mais vai esconder nada. Nem por proteção. Nem por medo. Nem por amor. Nada.”

“Eu prometo.”

Ela assentiu. Saiu.

A porta fechou com um clique suave.

Alexander ficou sozinho na suíte. Sentou na cama. Enterrou o rosto nas mãos.

Pela primeira vez em anos, chorou.

Chorou como o garoto de dezenove anos que havia matado para sobreviver.

Chorou porque talvez tivesse perdido a única mulher que o fez querer viver de verdade.

Mas no fundo, uma certeza pequena, teimosa:

Ela ia voltar.

Porque o amor deles não era contrato.

Era obsessão.

E obsessão não acaba com verdades dolorosas.

Obsessão só fica mais forte.

Enquanto isso, no avião de volta para Nova York, Elena tocou o colar. Sentiu o peso. Sentiu o cadeado fechado.

E sussurrou para si mesma:

“Eu volto, Alexander. Mas quando eu voltar… vamos reescrever as regras. Juntos.”

(Palavras: 1.892)

Capítulo 12

Nova York a recebeu com o mesmo cinza implacável de sempre. O táxi parou em frente ao prédio antigo no SoHo onde ficava seu apartamento. Elena pagou em dinheiro, pegou a mala pequena e subiu as escadas estreitas sem esperar o elevador quebrado. O cheiro de tinta velha e café queimado do vizinho do andar de baixo a atingiu como uma memória física. Casa. Mas não parecia mais lar.

Victor, o segurança de Alexander, ficou no carro lá embaixo. Ordens claras: vigiar de longe, não invadir espaço, só intervir se necessário. Elena não discutiu. Sabia que discutir seria inútil.

Abriu a porta do apartamento. O silêncio era ensurdecedor. As ferramentas de ourivesaria ainda espalhadas na bancada. Esboços amassados. Uma xícara de chá frio de dias atrás. Tudo exatamente como havia deixado antes de Paris. Antes dele.

Ela largou a mala no chão. Foi direto para a cozinha. Abriu a geladeira vazia. Pegou uma garrafa de água. Bebeu em goles longos, como se pudesse lavar a verdade que ainda queimava na garganta.

O colar ainda estava no pescoço. Pesado. Frio. O cadeado fechado com o clique que ela mesma havia feito no hotel. Não tirou. Ainda não.

Sentou no sofá gasto. Tirou o celular do bolso. Mensagens acumuladas. Lila. Fornecedores. Mas nenhuma dele. Alexander não havia mandado nada desde que ela saiu do hotel. Respeitando o espaço. Ou talvez morrendo por dentro, como ela.

Elena abriu a galeria de fotos. Parou em uma que havia tirado em segredo no avião: Alexander dormindo, rosto relaxado, mão aberta sobre o peito como se protegesse algo invisível. Ela tocou a tela. Sentiu o peito apertar.

“Você matou meu pai.”

As palavras saíram em voz alta. Ecoaram no apartamento vazio.

Ela se levantou. Foi até o espelho do corredor. Olhou para si mesma: olhos inchados, cabelo bagunçado, o colar negro brilhando contra a pele pálida. Parecia uma prisioneira voluntária.

“Por que você ainda usa isso?”, perguntou ao reflexo.

Porque era a única coisa que ainda a conectava a ele. Porque tirar significaria aceitar que talvez nunca mais voltasse. Porque, droga, ela ainda o queria. Mesmo sabendo. Mesmo doendo.

Elena foi até a bancada de trabalho. Pegou um pedaço de ônix bruto que havia comprado meses atrás. Começou a lapidar. Sem plano. Sem desenho. Apenas movimento. Pedra contra lixa. Poeira preta voando. Mãos tremendo.

Horas se passaram. O apartamento escureceu. Ela não acendeu luz. Continuou trabalhando à meia-luz da rua que entrava pela janela.

Quando terminou, tinha uma peça irregular: uma gota de ônix polida, com uma borda afiada de diamante cravado no centro. Não era bonita. Era crua. Dolorosa. Como o que sentia.

Colocou a peça na palma da mão. Fechou os dedos em volta dela. Apertou até sentir a dor.

O interfone tocou.

Elena congelou.

Atendeu.

“Senhorita Voss, entrega para você.”

“Deixe na portaria.”

“É pessoal. O entregador insiste.”

Ela respirou fundo.

“Suba.”

Um minuto depois, campainha.

Abriu a porta.

Victor estava lá. Não com uma caixa. Com um envelope creme. Sem logotipo. Apenas o selo de cera preta com o A.K. gravado.

“Ele pediu para entregar em mãos.”

Elena pegou o envelope. Victor não entrou. Apenas assentiu e desceu.

Fechou a porta. Abriu o envelope com dedos trêmulos.

Dentro: uma carta manuscrita. A caligrafia dele. Firme, mas com leves tremores em algumas letras.

Elena,

Eu não sei se você vai ler isso. Não sei se vai rasgar como rasgou o primeiro contrato. Mas preciso dizer mesmo assim.

Eu não pedi perdão porque não acho que mereço. Matei um homem. Seu pai. Mesmo que ele tenha merecido, mesmo que tenha sido defesa, o sangue está nas minhas mãos. E agora está entre nós.

Mas eu te amo. Não o amor bonito dos livros. O amor feio, quebrado, obsessivo. O amor que me faz acordar no meio da noite imaginando você indo embora para sempre. O amor que me faz querer me ajoelhar e implorar, mesmo sabendo que não tenho direito.

Eu parei tudo. As pressões nos fornecedores. Os jogos corporativos. A Voss Designs está segura. Sem condições. Sem prazo. É sua. Sempre foi. Eu só queria que fosse nossa.

Se você decidir não voltar, eu entendo. Victor vai ficar até você dizer que não precisa mais. Depois disso, desapareço da sua vida. Sem perseguição. Sem contratos. Sem obsessão.

Mas se uma parte minúscula de você ainda sentir o que eu sinto… me deixa tentar consertar. Me deixa provar que posso ser mais do que o monstro que te trouxe até aqui.

Eu espero. O tempo que for. Até o último segundo que você quiser me dar.

Alexander

Elena leu duas vezes. Três. Lágrimas caindo no papel. Manchas borrando a tinta.

Ela dobrou a carta. Colocou no bolso da calça.

Foi até o quarto. Abriu a gaveta da mesinha de cabeceira. Pegou a chave pequena que Alexander havia deixado com ela em Paris — a chave do cadeado. A que abria o colar.

Segurou-a na palma da mão. Olhou para o espelho novamente.

“Você ainda quer isso?”, perguntou ao reflexo.

O reflexo não respondeu. Mas o corpo respondeu: coração acelerado, respiração curta, calor subindo pela barriga.

Elena levou a chave até a nuca. Abriu o cadeado. O colar caiu nas mãos dela. Pesado. Frio.

Ela o colocou na palma da outra mão. Junto com a peça de ônix que havia lapidado.

Então fez algo que nunca imaginou fazer.

Colocou o colar de volta no pescoço. Mas dessa vez, não fechou o cadeado. Deixou aberto. Aberto como uma escolha. Como uma promessa que ela mesma faria.

Pegou o celular. Digitou uma mensagem curta.

Elena: Estou indo para casa. Para a sua casa. Me espere.

Enviou.

Não esperou resposta.

Chamou um táxi. Desceu as escadas correndo. Victor estava lá fora. Abriu a porta do carro preto sem dizer nada.

“Para a Kane Tower.”

O carro partiu.

Durante o trajeto, Elena tocou o colar aberto. Sentiu o cadeado balançando contra a pele. Livre. Mas ainda ali.

Quando chegou ao arranha-céu, o porteiro a deixou subir sem perguntas. O elevador privativo abriu direto na cobertura.

Alexander estava na sala. De pé junto à janela. Camisa desabotoada. Cabelo bagunçado. Olhos vermelhos. Como se não tivesse dormido desde Paris.

Ele se virou quando ouviu o elevador.

Viu ela.

Parou de respirar.

Elena entrou devagar. Parou a alguns metros dele.

“Eu li a carta.”

Ele assentiu. Voz rouca.

“Você veio.”

“Eu vim.”

Silêncio.

Então Elena deu um passo à frente.

“Eu ainda te odeio pelo que você fez. Pelo sangue. Pela verdade que você carregou sozinho.”

Alexander baixou a cabeça.

“Eu sei.”

Outro passo.

“Mas eu te amo mais do que odeio. E isso me assusta pra caralho.”

Ele ergueu os olhos. Lágrimas brilhando.

Elena caminhou até ele. Parou colada. Tocou o rosto dele.

“O colar está aberto. Não tranquei. Porque agora… agora sou eu quem escolhe usar. E eu escolho usar. Com você. Sem prazo. Sem contrato. Só nós.”

Alexander tremia.

“Elena…”

Ela o beijou. Violento. Desesperado. Mãos no cabelo dele. Corpo colado no dele. Língua invadindo. Dentes mordendo.

Ele a ergueu nos braços. Levou até o sofá. Deitou-a ali. Rasgou a blusa dela. Botões voando. Boca nos seios. Chupando com força. Marcando de novo.

Elena gemeu alto. Unhas nas costas dele.

“Me fode como se fosse a última vez.”

“Não é a última vez. Nunca mais vai ser a última vez.”

Ele arrancou o jeans dela. A calcinha. Posicionou-se entre as pernas. Entrou de uma vez. Fundo. Brutal.

Elena gritou. Arqueou as costas.

Ele batia forte. Ritmo selvagem. Mão no pescoço dela — segurando, não apertando. Polegar traçando o colar aberto.

“Você é minha. Mas eu sou seu. Inteiro.”

“Sim… seu… meu…”

Ela gozou gritando. Corpo convulsionando. Unhas arranhando até sangrar.

Alexander gozou dentro dela. Marcando. Gemendo o nome dela como uma prece.

Ficaram abraçados. Ofegantes. Suados.

Elena tocou o rosto dele.

“Sem mais segredos.”

“Sem mais.”

“E sem mais contratos.”

Ele sorriu pela primeira vez em dias. Beijou a testa dela.

“Só amor. Feio. Quebrado. Obsessivo. Mas nosso.”

Elena encostou o rosto no peito dele. Ouviu o coração.

“Nosso.”

Mas no fundo, ambos sabiam: o remetente das mensagens anônimas ainda estava lá fora.

E a verdade que eles haviam enfrentado juntos… talvez fosse só o começo de algo maior.

Algo que poderia destruí-los de vez.

Ou uni-los para sempre.

(Palavras: 1.956)

Capítulo 13

A cobertura da Kane Tower parecia maior do que nunca naquela noite. As luzes da cidade entravam pelas janelas panorâmicas como estrelas caídas, mas o silêncio entre eles era mais pesado do que qualquer som. Elena e Alexander estavam sentados no chão da sala principal, costas encostadas no sofá de couro preto, pernas entrelaçadas. Não havia pressa. Não havia mais contrato. Apenas dois corpos exaustos, duas almas que acabavam de sobreviver a uma verdade que poderia ter destruído tudo.

Elena ainda usava o colar aberto. O cadeado pendia solto na nuca, balançando a cada respiração. Alexander traçava o contorno da peça com o polegar, devagar, como se temesse que ela desaparecesse se apertasse demais.

“Você não tirou”, murmurou ele, voz rouca de tanto falar, de tanto gemer, de tanto sentir.

“Eu não tirei porque ainda preciso dele. Não como coleira. Como lembrete. De que eu escolhi ficar. Mesmo sabendo que você matou meu pai. Mesmo sabendo que meu sangue carrega o mesmo homem que tentou destruir você.”

Alexander fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, estavam úmidos.

“Eu nunca vou me perdoar por isso.”

“Eu não quero que você se perdoe. Quero que você carregue. Como eu carrego. E que a gente aprenda a viver com isso juntos. Sem esconder. Sem fingir que não dói.”

Ele puxou-a para mais perto. Beijou a testa dela. Depois a têmpora. Depois a curva do pescoço, logo acima do colar aberto.

“Você é mais forte do que eu jamais fui.”

Elena riu baixo, um som trêmulo.

“Eu sou teimosa. Tem diferença.”

Eles ficaram assim por um tempo. Apenas respirando. Apenas existindo no mesmo espaço sem precisar preencher com palavras ou sexo. Era novo. Era assustador. Era necessário.

Mas o silêncio foi quebrado pelo toque do celular de Alexander. Ele ignorou. Tocou de novo. E de novo.

Elena ergueu a cabeça.

“Atende. Pode ser importante.”

Ele pegou o aparelho. Olhou a tela. Número desconhecido. Atendeu no viva-voz.

“Alexander Kane.”

Uma voz feminina, baixa, com sotaque leve que Elena não identificou de imediato.

“Você recebeu minhas mensagens.”

Elena congelou. Alexander apertou o celular com mais força.

“Quem é você?”

“Alguém que conhece a verdade melhor do que você. Alguém que viu o que você fez. Alguém que perdeu muito por causa daquela noite.”

Alexander respirou fundo.

“Fale logo. O que você quer?”

“Quero que ela saiba tudo. Não só o que você contou. O resto. O que Victor Voss realmente fazia antes de morrer. O que sua mãe nunca contou para Elena. E o que você nunca descobriu: que Victor não agiu sozinho naquela noite. Ele trabalhava para mim. E eu ainda tenho provas que podem destruir você. Ou salvar você. Depende do que você escolher.”

Elena sentiu o estômago revirar.

“Quem é você?”, perguntou ela, voz firme apesar do tremor.

Silêncio do outro lado.

Então a voz respondeu, mais suave.

“Sua tia. Irmã mais velha da sua mãe. A que desapareceu quando você tinha cinco anos. A que Victor Voss usou como moeda de troca para entrar no mundo errado. Meu nome é Sofia Voss. E eu estou em Nova York. Quero encontrar vocês. Amanhã. Meio-dia. No Central Park, no Bow Bridge. Venham sozinhos. Ou as provas vão para a imprensa. E para a polícia.”

A ligação caiu.

Elena olhou para Alexander. Ele para ela.

“Nós vamos?”, perguntou ela.

“Nós vamos.”

Na manhã seguinte, o céu estava limpo pela primeira vez em semanas. Um sol frio de outono iluminava o Central Park. Elena e Alexander caminharam lado a lado, mãos entrelaçadas. Não havia seguranças. Não havia plano B. Apenas eles dois, o colar aberto no pescoço dela e uma determinação que beirava o desespero.

O Bow Bridge era uma ponte de ferro delicada sobre o lago. Sofia estava lá, de costas para eles, olhando a água. Cabelos castanhos grisalhos, casaco longo preto, postura ereta como se carregasse o peso de décadas.

Quando ouviu os passos, virou-se.

Era mais velha do que Elena imaginava. Uns cinquenta e poucos anos. Olhos verdes iguais aos dela. Mas cansados. Marcados por linhas profundas.

“Elena.”

A voz era a mesma da ligação. Suave. Triste.

Elena parou a alguns metros.

“Sofia.”

Alexander ficou um passo atrás. Mão na cintura de Elena. Protetor. Mas sem intervir.

Sofia olhou para ele.

“Alexander Kane. O garoto que matou meu cunhado.”

“Ele tentou me matar primeiro”, disse Alexander, voz baixa. “E eu não sabia que era pai dela.”

Sofia assentiu devagar.

“Eu sei. Eu estava lá. Não fisicamente. Mas eu sabia do que Victor era capaz. Ele não era só violento. Ele era cruel. Vendia informações. Vendia pessoas. Quando ele começou a trabalhar para o cartel que financiava a amante dele, eu tentei tirar minha irmã — sua mãe — dali. Ela não quis. Disse que amava ele. Que ele mudaria. Eu desapareci para proteger vocês duas. Mudei de nome. De país. Mas nunca parei de vigiar.”

Elena sentiu as pernas fraquejarem.

“Por que agora? Por que depois de tantos anos?”

“Porque eu vi você com ele.” Sofia apontou para Alexander. “Vi nas fotos. Nos eventos. Vi o colar. Vi o jeito que ele te olha. E percebi que você estava se apaixonando pelo homem que matou seu pai. Eu não podia deixar isso acontecer sem que você soubesse o resto.”

“O resto?”, perguntou Elena.

Sofia tirou um envelope da bolsa. Estendeu para ela.

Elena pegou. Abriu. Fotos antigas. Documentos. Relatórios policiais arquivados. E uma carta manuscrita da mãe dela, datada de dois anos antes de morrer.

Elena leu em voz alta, voz tremendo.

“Sofia, se você ler isso, significa que eu não consegui. Victor não é quem eu pensei. Ele me bate. Ele ameaça Elena. Se algo acontecer comigo, proteja ela. E se alguém machucar ele… não culpe. Ele merece o que vier. Eu já o perdoei há muito tempo. Mas Elena não pode crescer com esse peso. Diga a ela que o pai dela morreu antes de ela nascer. É melhor assim.”

Elena deixou as lágrimas caírem. Dobrou a carta. Olhou para Sofia.

“Ela sabia. O tempo todo.”

Sofia assentiu.

“Ela sabia. E escolheu proteger você da verdade. Mas eu não consegui. Quando soube que você estava com Alexander, eu entrei em pânico. Mandei as mensagens. O vídeo. Queria te afastar dele. Queria te proteger.”

Alexander deu um passo à frente.

“E agora? O que você quer agora?”

Sofia olhou para ele. Longo. Profundo.

“Quero que você prove que mudou. Que não é mais o garoto que matou por raiva. Que pode amar minha sobrinha sem possuí-la. Sem controlá-la. E quero que Elena decida. Sem pressão. Sem contrato. Sem colar.”

Elena tocou o colar aberto.

“Eu já decidi.”

Ela olhou para Alexander.

“Eu escolho ficar. Com você. Com as cicatrizes. Com o passado. Com tudo.”

Depois virou-se para Sofia.

“E eu quero você na minha vida. Como tia. Como família. Porque eu cresci sem saber que tinha alguém que me amava o suficiente para desaparecer por mim. Agora eu sei. E não quero mais perder.”

Sofia chorou. Pela primeira vez. Passos hesitantes. Abraçou Elena. Forte. Como se nunca mais fosse soltar.

Alexander observou. Silencioso. Lágrimas escorrendo pelo rosto dele também.

Quando se separaram, Sofia olhou para os dois.

“Eu vou embora de novo. Mas não para sempre. Vou ficar em Nova York. Quero conhecer minha sobrinha. Quero ver se esse homem…” Ela olhou para Alexander. “…realmente merece você.”

Alexander assentiu.

“Eu vou provar. Todo dia.”

Sofia sorriu. Pela primeira vez.

“Então prove.”

Ela se afastou. Caminhou pela ponte. Desapareceu entre as árvores.

Elena virou-se para Alexander.

“Você está bem?”

Ele puxou-a para um abraço. Enterrou o rosto no cabelo dela.

“Eu estou livre. Pela primeira vez. Porque você escolheu ficar. Mesmo sabendo tudo.”

Elena ergueu o rosto. Beijou-o devagar.

“Então vamos para casa. E vamos começar de verdade. Sem contratos. Sem obsessão cega. Só amor. Do tipo que dói. Do tipo que cura.”

Eles voltaram andando de mãos dadas. O sol batendo nas costas. O colar aberto balançando no pescoço dela como uma bandeira de rendição voluntária.

Naquela noite, na cobertura, eles fizeram amor devagar. Sem pressa. Sem dominação. Apenas corpos se reconhecendo. Mãos explorando. Bocas sussurrando promessas.

Alexander beijou cada centímetro da pele dela. Parou no colar.

“Você quer que eu tire?”

Elena balançou a cabeça.

“Deixa. Aberto. Como eu deixei meu coração para você.”

Ele sorriu. Beijou o cadeado.

“Então fica. Como símbolo. De que você é livre. E escolheu ser minha.”

Elena envolveu as pernas na cintura dele. Guiou-o para dentro. Gemeu baixo quando ele a preencheu.

“Eu sou sua. E você é meu.”

Eles se moveram juntos. Ritmo lento. Profundo. Olhos nos olhos. Lágrimas misturadas a gemidos.

Quando gozaram, foi silencioso. Intenso. Como se o mundo inteiro coubesse naquele momento.

Depois, deitados de conchinha, Elena sussurrou:

“Faltam dez dias no contrato original. Mas ele não existe mais.”

Alexander beijou a nuca dela.

“Ele nunca existiu de verdade. Era só uma desculpa para eu te ter perto. Agora eu te tenho porque você quer.”

Elena virou-se nos braços dele.

“E eu quero para sempre.”

Ele sorriu. Beijou-a devagar.

“Para sempre.”

Mas no fundo, ambos sabiam: Sofia havia trazido paz. Mas também perguntas.

E em algum lugar, ainda havia sombras do passado que talvez voltassem.

Mas pela primeira vez, eles não tinham medo.

Porque enfrentariam juntos.

Obsessão não era mais prisão.

Era escolha.

E eles escolheram um ao outro.

(Palavras: 2.012)

Capítulo 14

Os dias seguintes foram estranhos, doces e intensos ao mesmo tempo.

Como se eles tivessem sobrevivido a um incêndio e agora estivessem aprendendo a conviver com as brasas ainda quentes sob os pés.

Elena acordava na cama enorme da cobertura e, pela primeira vez, não sentia o peso do contrato pairando sobre ela. Não havia prazo. Não havia regras escritas. Apenas o corpo de Alexander ao lado do dela, o cheiro dele nos lençóis, a mão pesada e possessiva que sempre a procurava mesmo dormindo.

Naquela manhã, ela abriu os olhos e o encontrou já acordado, olhando para ela com uma intensidade que ainda fazia seu estômago dar cambalhotas.

“Bom dia”, murmurou ele, voz rouca de sono.

“Bom dia…” Ela se espreguiçou devagar, deixando o lençol descer até a cintura, expondo os seios. Um sorriso malicioso surgiu nos lábios dela quando viu os olhos dele escurecerem imediatamente.

Alexander não disse nada. Apenas se moveu sobre ela. Beijou a clavícula. Desceu devagar. Capturou um mamilo entre os lábios. Chupou com calma, quase reverência, enquanto a outra mão descia pelo ventre dela, abria as coxas com delicadeza e encontrava-a já molhada.

“Você acorda assim todo dia pra mim?” perguntou ele contra a pele, voz baixa e perigosa.

“Parece que meu corpo aprendeu a reconhecer você antes mesmo da minha cabeça.”

Ele riu baixo. Um som raro, quente, que vibrava contra o peito dela.

Dois dedos entraram nela devagar. Curvaram. Acertaram o ponto exato.

Elena arqueou as costas, gemendo alto.

“Assim… por favor…”

Ele continuou o movimento lento e torturante enquanto a boca descia mais. Beijou a barriga. A curva do quadril. Depois se instalou entre as pernas abertas dela e colocou a boca exatamente onde ela mais precisava.

Língua lenta. Provocante. Chupando o clitóris com pressão perfeita. Dedos entrando e saindo. Outra mão subindo para apertar o seio, beliscar o mamilo.

Elena se perdeu rápido.

“Alexander… eu vou… ah, caralho…”

Gozo forte. Pernas tremendo. Mãos agarrando o cabelo dele com força. Gritando o nome dele como se fosse a única palavra que ainda fazia sentido.

Ele subiu o corpo devagar. Beijou-a com gosto. Deixou que ela sentisse o próprio sabor na língua dele.

“Agora vira de bruços.”

Elena obedeceu, ainda ofegante.

Ele a puxou pelos quadris até ficar de quatro. Acariciou as costas dela. A curva da bunda. Deu um tapa firme, mas carinhoso.

“Você fica linda assim. Toda aberta. Toda minha.”

“Sou sua…” ela sussurrou, empinando ainda mais.

Alexander se posicionou. Cabeça grossa roçando a entrada encharcada. Entrou devagar. Muito devagar. Centímetro por centímetro. Fazendo-a sentir cada veia, cada pulsação.

Quando estava todo dentro, parou. Mãos firmes nos quadris dela.

“Você sente?”

“Sim… você todo dentro de mim…”

Ele começou a se mover. Estocadas longas, profundas, controladas. Cada saída quase completa. Cada entrada até o fundo. Ritmo que fazia os dois gemerem ao mesmo tempo.

Elena apoiou os antebraços no colchão. Empinou mais. Pediu mais.

“Mais forte… por favor…”

Ele obedeceu.

A cama começou a ranger. O som dos corpos se chocando enchia o quarto. Mão dele subiu pelas costas, agarrou o cabelo dela, puxou a cabeça para trás. Não com violência. Com posse.

“Olha pra mim pelo espelho.”

Elena virou o rosto. Encontrou os olhos dele no reflexo. Cinzentos. Tempestuosos. Cheios de algo que ia muito além de desejo.

“Você é linda pra caralho quando goza pra mim.”

Ela apertou em volta dele só de ouvir aquilo.

“Alexander…”

“Goza comigo. Agora.”

Ele acelerou. Batendo fundo. Mão livre descendo entre as pernas dela. Dedos rápidos no clitóris.

Elena explodiu.

Corpo convulsionando. Nome dele gritado. Lágrimas de prazer escorrendo.

Alexander a seguiu segundos depois. Gozando forte dentro dela. Gemendo rouco. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos segundos. Ele ainda dentro. Ela ainda tremendo.

Depois ele saiu devagar. Virou-a de frente. Deitou por cima dela. Beijou-a com uma ternura que contrastava com tudo que tinham acabado de fazer.

“Eu te amo”, sussurrou contra os lábios dela.

“Eu também te amo… seu filho da puta possessivo.”

Ele riu. Rolou para o lado. Puxou-a para o peito dele.

“Sem mais segredos?”

“Sem mais.”

“Sem mais prazos?”

“Nunca mais.”

Elena encostou o rosto no peito dele. Ouviu o coração batendo forte.

“E agora? O que a gente faz agora que não tem mais prazo pra terminar?”

Alexander acariciou o cabelo dela devagar.

“Agora a gente vive. De verdade. Sem medo. Sem data de validade. Só nós dois.”

Elena ergueu o rosto. Sorriu.

“Parece bom.”

“Parece pouco.”

Ele a beijou de novo. Mais lento. Mais profundo.

“Quero te levar pra jantar hoje. Quero te mostrar pro mundo inteiro que você é minha. E que eu sou seu. Sem coleira. Sem contrato. Só escolha.”

Elena tocou o colar aberto no pescoço.

“Eu vou usar ele hoje. Aberto. Como símbolo.”

Alexander sorriu. Beijou o cadeado.

“Perfeito.”

Naquela noite eles saíram.

Elena usava um vestido longo preto, decote profundo nas costas, o colar aberto brilhando contra a pele. Alexander usava terno azul-marinho, sem gravata, barba por fazer, olhar que não desgrudava dela nem por um segundo.

No restaurante mais exclusivo de Manhattan eles não se esconderam.

Ele segurou a mão dela sobre a mesa. Beijou os dedos dela na frente de todos. Olhou nos olhos dela como se o resto do mundo não existisse.

E quando voltaram para casa, fizeram amor de novo.

Devagar.

Intenso.

Como quem celebra uma vitória.

Como quem sabe que, dessa vez, o jogo não tem fim.

(Palavras: 1.987)

Capítulo 15

Duas semanas depois.

Elena estava na sala de criação da Voss Designs — agora finalmente recuperada e crescendo de forma orgânica, sem nenhum centavo da Kane Enterprises. Ela havia recusado qualquer ajuda financeira. Queria construir do jeito certo. Do jeito dela.

Mas Alexander aparecia quase todo dia.

Não para controlar.

Para estar perto.

Naquela tarde ele chegou sem avisar. Terno cinza chumbo. Camisa com os primeiros botões abertos. Olhar predatório que ainda fazia o corpo dela responder imediatamente.

Elena estava debruçada sobre a bancada, lapidando uma nova peça. Quando sentiu a presença dele, ergueu os olhos. Sorriu devagar.

“Oi.”

“Oi.” Ele trancou a porta da sala. Virou a placa para “Não perturbe”.

Elena ergueu uma sobrancelha.

“Achei que você tinha reunião importante.”

“Eu tinha. Cancelei.”

Ele caminhou até ela devagar. Parou atrás. Mãos na cintura dela. Queixo no ombro.

“Você está linda concentrada assim.”

“Você está lindo me distraindo.”

Ele riu baixo contra o pescoço dela.

“Quero te distrair mais.”

Mãos subiram. Desabotoaram o macacão de alfaiataria que ela usava para trabalhar. Desceram o zíper com calma. Revelaram que ela não usava nada por baixo.

Alexander gemeu rouco.

“Você veio trabalhar sem calcinha hoje?”

“Eu sabia que você ia aparecer…”

Ele virou-a de frente. Sentou-a na bancada. Abriu as pernas dela. Ficou entre elas.

Beijou-a com fome.

Língua invadindo. Dentes mordendo o lábio inferior. Mãos nos seios. Apertando. Beliscando os mamilos até ela gemer alto.

“Você fica molhada só de me ver chegando?”

“Fico molhada só de pensar em você vindo me foder aqui.”

Ele sorriu contra a boca dela. Desceu. Beijou o pescoço. Os seios. A barriga. Ajoelhou-se.

Língua na entrada dela. Saboreando devagar. Chupando o clitóris com força. Dois dedos entrando. Curvando.

Elena se apoiou nas mãos. Cabeça jogada para trás. Gemendo sem se importar se alguém do corredor pudesse ouvir.

“Alexander… mais…”

Ele chupou com mais força. Dedos acelerando.

Ela gozou rápido. Corpo tremendo. Nome dele gritado.

Ele se levantou. Abriu a calça. Sem cueca. Pau duro, grosso, pulsando.

Posicionou-se.

“Olha pra mim quando eu entrar.”

Ela obedeceu.

Ele empurrou. Fundo. De uma vez.

Elena gritou de prazer.

Ele começou a se mover. Estocadas fortes. Ritmo rápido. Bancada tremendo. Ferramentas caindo no chão.

Mão dele no pescoço dela. Polegar traçando o colar aberto.

“Você é minha.”

“Sua…”

“Repete.”

“Sua… toda sua…”

Ele acelerou ainda mais. Batendo fundo. Mão livre descendo. Dedos no clitóris.

“Goza comigo de novo.”

Elena explodiu outra vez. Corpo convulsionando. Unhas cravando nos ombros dele.

Alexander gozou forte dentro dela. Gemendo rouco. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos segundos. Ofegantes. Suados.

Depois ele a abraçou. Beijou a testa dela.

“Eu te amo pra caralho.”

“Eu também te amo… seu tarado insaciável.”

Ele riu. Beijou-a devagar.

“Quero te levar pra jantar hoje. Depois quero te levar pra casa. Depois quero te foder a noite inteira. E amanhã de manhã quero acordar com você do meu lado. E depois de amanhã. E depois. E sempre.”

Elena sorriu. Tocou o rosto dele.

“Parece um plano perfeito.”

Ele a ajudou a descer da bancada. Ajeitou as roupas dela com carinho. Beijou-a de novo.

“Você tem noção do quanto eu esperei por isso? Por alguém que me olhasse sabendo de tudo e ainda assim escolhesse ficar?”

“Eu tenho noção do quanto eu esperei por alguém que me fizesse sentir segura pra ser inteira. Selvagem. Vulnerável. Tudo ao mesmo tempo.”

Eles se olharam por longos segundos.

Depois Alexander pegou a mão dela.

“Vamos pra casa?”

Elena entrelaçou os dedos nos dele.

“Vamos.”

Eles saíram da sala de mãos dadas.

O colar aberto balançava no pescoço dela.

O passado ficava para trás.

O futuro era deles.

E, pela primeira vez, parecia infinito.

(Palavras: 1.912)

Capítulo 16

O outono em Nova York estava terminando de forma cruel: folhas douradas caindo como promessas quebradas, vento cortante que entrava pelas frestas das janelas antigas da Voss Designs. Elena estava sozinha na loja, depois do horário de fechamento. As luzes principais apagadas, apenas a luminária de bancada iluminando a peça que ela lapidava: um anel de ouro branco com uma safira negra central, lapidada em forma de lágrima invertida. Era a primeira peça que criava sem esboço prévio. Nascia das mãos, do instinto, da memória.

Ela ouviu a porta da frente abrir com a chave reserva. Não se assustou. Sabia quem era.

Alexander entrou devagar, sem paletó, camisa branca com as mangas dobradas até os antebraços, revelando as veias salientes e as cicatrizes antigas que agora faziam parte da paisagem que ela amava. Ele parou na entrada da sala de criação, encostado no batente, braços cruzados, olhando para ela como se fosse a primeira vez.

“Você ainda está aqui”, disse ele, voz baixa.

“Eu ainda estou aqui”, respondeu ela, sem erguer os olhos da peça. “E você ainda vem me buscar.”

Ele caminhou até a bancada. Parou atrás dela. Mãos nos ombros dela, descendo devagar pelos braços até cobrir as mãos que seguravam a lixa. Dedos entrelaçados.

“Eu vim porque não consigo ficar longe mais de duas horas sem sentir que falta ar.”

Elena sorriu de leve. Virou o rosto para encostar a bochecha na dele.

“Você está ficando romântico demais, Kane. Isso não combina com o homem que me comprou com um contrato.”

“Eu nunca te comprei. Eu só te convenci a ficar o suficiente para você decidir que queria comprar a mim.”

Ela riu baixo. Largou a lixa. Virou-se na banqueta alta, ficando de frente para ele. Pernas abertas. Ele se encaixou entre elas naturalmente, como se os corpos já soubessem o caminho.

“E você se vendeu barato”, provocou ela, dedos traçando a linha da mandíbula dele.

“Eu me vendi caro pra caralho. O preço foi minha sanidade. E eu paguei feliz.”

Elena puxou-o pela gravata inexistente — só pela camisa aberta — e o beijou. Lento no início. Depois mais fundo. Língua encontrando a dele, dentes mordendo o lábio inferior até ele gemer baixo contra a boca dela.

Mãos dele subiram pelas coxas dela, por baixo da saia lápis preta que ela usava. Encontraram a liga de renda. Subiram mais. Encontraram a calcinha já úmida.

“Você está molhada desde que eu entrei?”

“Desde que ouvi a chave na porta.”

Ele sorriu contra os lábios dela. Dedos afastaram o tecido. Dois entraram devagar. Curvaram. Acertaram o ponto.

Elena gemeu alto. Cabeça caindo para trás.

“Alexander…”

“Olha pra mim.”

Ela obedeceu. Olhos verdes nos cinzentos.

Ele acelerou os dedos. Polegar no clitóris. Ritmo perfeito.

“Você goza pra mim aqui, na sua bancada de trabalho. Onde você cria coisas lindas. Porque eu quero que cada peça que você fizer a partir de agora tenha o meu cheiro. O meu gosto. O meu nome gravado na sua pele.”

Elena apertou em volta dos dedos dele. Corpo tremendo.

“Eu já tenho seu nome gravado em todo lugar…”

“Goza. Agora.”

Ela gozou gritando. Corpo convulsionando. Unhas cravando nos ombros dele através da camisa.

Alexander não esperou. Tirou os dedos. Abriu a calça. Entrou nela de uma vez. Fundo. Brutal.

Elena gritou de novo. Pernas envolvendo a cintura dele. Bancada tremendo. Ferramentas caindo.

Ele batia forte. Ritmo selvagem. Mão no pescoço dela — segurando, não apertando. Polegar traçando o colar aberto.

“Você sente? Eu dentro de você. Todo dia. Toda hora. Sem fim.”

“Sim… todo dia… me fode… me marca…”

Ele acelerou ainda mais. Batendo até a bancada ranger. Mão livre descendo. Dedos no clitóris novamente.

“Goza comigo de novo. Quero sentir você apertando enquanto eu gozo dentro.”

Elena explodiu outra vez. Corpo arqueando. Nome dele gritado como uma prece.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Abraçados. Ele ainda dentro dela.

Depois ele saiu devagar. Ajeitou a calcinha dela com carinho. Beijou a testa suada.

“Vamos pra casa?”

Elena sorriu. Desceu da bancada. Ajeitou a saia.

“Vamos. Mas antes… olha isso.”

Ela pegou o anel que estava lapidando. Colocou no dedo anelar da mão esquerda dele.

“É seu. Sem data de validade. Sem contrato. Só escolha.”

Alexander olhou para o anel. Safira negra brilhando sob a luz fraca.

“Você está me pedindo em casamento?”

“Eu estou te dizendo que eu escolho você. Todo dia. Para sempre. Se você quiser o mesmo.”

Ele pegou o rosto dela com as duas mãos. Beijou-a devagar. Profundo. Lágrimas escorrendo pelo rosto dele — algo que ainda a surpreendia.

“Eu quero. Todo dia. Para sempre.”

Eles saíram da loja de mãos dadas. O anel brilhando no dedo dele. O colar aberto no pescoço dela.

A cidade lá fora pulsava indiferente.

Mas para eles, o mundo inteiro cabia naquele toque.

(Palavras: 2.034)

Capítulo 17

A neve começou a cair em Nova York mais cedo do que o previsto. Flocos grossos dançando sob as luzes da Quinta Avenida. Elena e Alexander caminhavam devagar pela calçada, casacos pesados, cachecóis enrolados, mãos enluvadas entrelaçadas.

Eles haviam acabado de sair de um jantar privado com Sofia — a tia que reaparecera na vida de Elena como uma presença constante, mas nunca invasiva. Sofia contara histórias da mãe de Elena que ela nunca soubera. Histórias leves. Histórias tristes. Histórias que curavam feridas antigas.

Agora, na rua quase vazia, Elena parou em frente a uma vitrine iluminada de joalheria. Dentro: um colar de diamantes brancos, clássico, perfeito. Nada a ver com o estilo dela.

Alexander parou ao lado. Olhou para o reflexo dos dois no vidro.

“Você quer?”

Elena balançou a cabeça.

“Não. Eu já tenho o meu colar.” Tocou o de ônix com o cadeado aberto. “Esse aqui é perfeito. Porque é imperfeito. Porque me lembra que eu escolhi usar. Todo dia.”

Ele sorriu. Puxou-a para mais perto. Beijou a têmpora dela por cima do gorro de lã.

“Você já pensou em casar comigo de verdade? Com papel, igreja, vestido, tudo?”

Elena virou o rosto para encará-lo.

“Eu pensei em casar com você de verdade desde o dia que rasguei aquele primeiro contrato. Mas eu não quero igreja. Não quero vestido branco. Não quero plateia. Quero só nós dois. Em algum lugar quieto. Com votos que a gente mesmo escreva. E depois… quero que você me foda como marido. Como se fosse a primeira e a última vez. Todo dia.”

Alexander riu baixo. O som quente contra o frio da noite.

“Eu aceito esses votos.”

Eles continuaram andando. Chegaram ao Central Park. Entraram por uma trilha pouco iluminada. A neve caía mais forte agora, abafando os sons da cidade.

Pararam em uma clareira pequena, sob uma árvore antiga coberta de branco.

Alexander tirou as luvas. Pegou as mãos dela. Tirou as luvas dela também.

“Elena Voss… eu te escolho. Todo dia. Com as cicatrizes. Com os pesadelos. Com o passado que nunca some. Eu escolho te amar feio. Te amar possessivo. Te amar inteiro. Eu escolho ser seu. Sem controle. Sem coleira. Só amor.”

Elena sentiu lágrimas quentes escorrendo pelo rosto gelado.

“Alexander Kane… eu te escolho. Com o sangue nas mãos. Com os muros que você construiu. Com o medo que ainda te acorda de noite. Eu escolho te amar selvagem. Te amar vulnerável. Te amar quebrado e inteiro ao mesmo tempo. Eu escolho ser sua. Livre. Mas sua.”

Eles se beijaram ali, na neve caindo.

Beijo lento. Profundo. Cheio de promessas.

Depois Alexander a ergueu nos braços. Carregou-a de volta para o carro que esperava na saída do parque.

No banco de trás, com a divisória levantada, ele a beijou como se o mundo estivesse acabando.

Mãos abrindo casacos. Desabotoando roupas. Encontrando pele quente sob camadas frias.

Elena montou no colo dele. Saia erguida. Calcinha afastada. Ele dentro dela em segundos.

Movimentos lentos. Profundos. Olhos nos olhos.

“Minha esposa…”

“Ainda não…”

“Já é. Aqui. Agora. Para sempre.”

Elena gozou sussurrando o nome dele. Corpo tremendo. Lágrimas misturadas ao suor.

Alexander gozou logo depois. Marcando-a. Gemendo baixo contra o pescoço dela.

“Minha…”

“Sua…”

Eles voltaram para casa assim. Enlaçados. Nevando lá fora.

Na cobertura, tomaram banho quente juntos. Fizeram amor de novo sob a água. Devagar. Carinhoso. Como quem celebra um começo.

Depois, na cama, Elena deitou no peito dele. Tocou o anel de safira negra no dedo dele.

“Quando a gente fizer de papel… eu quero que seja simples.”

“Vai ser simples. Só nós dois. E talvez Sofia como testemunha.”

Elena sorriu.

“E depois… quero viajar. Ver o mundo com você. Sem agenda. Sem reuniões. Só nós.”

Alexander beijou o topo da cabeça dela.

“Depois a gente faz tudo isso. E mais. Porque agora não tem mais fim.”

Elena ergueu o rosto. Olhou nos olhos dele.

“Não tem mais fim.”

Eles adormeceram assim. Neve batendo na janela. Corpos quentes. Corações sincronizados.

O contrato de obsessão havia acabado há muito tempo.

O que restava era algo maior.

Algo sem nome.

Algo eterno.

Eles.

(Palavras: 2.056)

Capítulo 18

A neve havia parado durante a noite, deixando Nova York coberta por um manto branco que abafava todos os sons. A cobertura da Kane Tower parecia suspensa no tempo: janelas embaçadas pelo calor interno, lareira acesa crepitando baixo, luzes suaves que mal iluminavam o quarto.

Elena acordou primeiro. Estava deitada de lado, corpo nu colado ao de Alexander, perna jogada sobre a coxa dele, mão aberta no peito marcado por cicatrizes. O anel de safira negra que ela havia feito para ele brilhava na penumbra, no dedo anelar esquerdo — o mesmo dedo que ele usava para traçar círculos preguiçosos nas costas dela enquanto dormia.

Ela se mexeu devagar, roçando os lábios no ombro dele. Ele abriu os olhos imediatamente, como se o corpo dele tivesse aprendido a acordar só com o toque dela.

“Você está me olhando há quanto tempo?” perguntou ele, voz rouca de sono e desejo.

“Tempo suficiente pra decidir que quero começar o dia dentro de você.”

Alexander sorriu — aquele sorriso lento, perigoso, que ainda fazia o ventre dela se contrair.

“Então vem.”

Elena montou nele sem pressa. Sentou-se sobre os quadris dele, sentindo a ereção matinal dura e quente contra a entrada já úmida. Desceu devagar, centímetro por centímetro, gemendo baixo quando ele a preencheu completamente.

“Assim… devagar…” sussurrou ela, mãos apoiadas no peito dele.

Ele deixou. Mãos nos quadris dela, guiando o ritmo, mas sem forçar. Deixando que ela ditasse.

Elena começou a se mover. Subia quase até a cabeça, descia até o fundo. Ritmo lento, profundo, torturante para os dois. Seios balançando a cada descida. Olhos nos olhos dele.

“Você fica linda assim… montando em mim como se eu fosse seu.”

“Você é meu.”

Ele gemeu. Mãos subindo para os seios. Apertando. Polegares nos mamilos. Beliscando devagar.

Elena acelerou um pouco. Quadris girando em círculos. Sentindo ele acertar todos os pontos certos.

“Alexander… mais fundo…”

Ele ergueu os quadris. Empurrou para cima enquanto ela descia. Batendo forte. Ritmo perfeito.

Mão dele subiu para o pescoço dela. Polegar traçando o colar aberto.

“Você ainda usa isso… aberto… pra me lembrar que pode ir embora quando quiser.”

“Eu uso pra te lembrar que eu fico porque quero. Todo dia. Todo segundo.”

Ele virou-a de repente. Ficou por cima. Pernas dela abertas ao redor da cintura dele. Entrou de novo. Fundo. Brutal.

“Então fica. Sempre.”

Estocadas fortes. Ritmo selvagem. Cama rangendo. Gemidos ecoando.

Elena cravou as unhas nas costas dele. Arranhando até sangrar. Marcando-o como ele a marcava.

“Goza pra mim… goza no seu homem…”

Ela explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado. Lágrimas de prazer escorrendo.

Alexander a seguiu. Gozando forte dentro dela. Gemendo rouco. Corpo tremendo.

Ficaram abraçados. Ofegantes. Suados.

Depois ele rolou para o lado. Puxou-a para o peito. Beijou o topo da cabeça dela.

“Eu quero casar com você amanhã.”

Elena riu contra a pele dele.

“Amanhã?”

“Sim. Sem espera. Sem planejamento. Só nós dois. Sofia como testemunha. Um juiz de paz. E depois… uma semana inteira trancados aqui. Sem roupa. Sem sair. Só nós.”

Elena ergueu o rosto. Olhou nos olhos dele.

“Você está falando sério?”

“Eu nunca falei mais sério na vida.”

Ela sorriu. Beijou-o devagar.

“Então amanhã. Eu aceito.”

Eles passaram o resto do dia planejando em sussurros, entre beijos e carícias. Ligaram para Sofia. Ela chorou ao telefone. Aceitou ser testemunha. Prometeu não contar para ninguém.

Naquela noite, fizeram amor de novo. Devagar. Como quem celebra uma promessa.

Alexander a possuiu de todas as formas que conhecia. Por trás. De lado. Ela por cima. Boca nele. Ele nela. Até os dois não aguentarem mais.

Quando adormeceram, o anel de safira negra brilhava no dedo dele. O colar aberto no pescoço dela.

E o amanhã parecia, pela primeira vez, um começo de verdade.

(Palavras: 2.048)

Capítulo 19

O dia do casamento foi simples. Cinzento. Frio. Perfeito.

Eles escolheram um pequeno cartório no Brooklyn, longe dos olhares curiosos de Manhattan. Sofia chegou primeiro, vestida de cinza perolado, olhos úmidos, sorriso trêmulo. Abraçou Elena forte quando ela entrou.

“Você está linda, menina.”

Elena usava um vestido branco simples — nada de cauda, nada de véu. Tecido acetinado que abraçava o corpo, decote sutil, costas nuas até a base da coluna. O colar de ônix aberto brilhava contra a pele. Nenhum outro adorno. Só ela. E o anel de safira negra que havia dado a ele.

Alexander esperava ao lado do juiz. Terno preto impecável. Sem gravata. Cabelo ligeiramente bagunçado. Olhos cinzentos fixos nela desde o momento em que ela cruzou a porta.

Quando Elena chegou até ele, ele pegou as mãos dela. Tremia levemente.

“Você veio”, sussurrou.

“Eu sempre venho.”

O juiz começou. Palavras curtas. Legais. Impessoais.

Depois pediu os votos.

Alexander falou primeiro. Voz baixa. Firme. Mas rouca de emoção.

“Elena… eu prometo te amar sem tentar te controlar. Prometo te deixar livre todos os dias, mesmo que isso me mate de medo. Prometo carregar meu passado sem esconder de você. Prometo te foder como se fosse a primeira vez. Te abraçar como se fosse a última. Prometo ser seu. Inteiro. Quebrado. Obsessivo. Mas seu. Até o último segundo que eu tiver.”

Elena sentiu lágrimas escorrendo. Apertou as mãos dele.

“Alexander… eu prometo te amar mesmo nos dias que você se odiar. Prometo te lembrar que você merece ser amado. Prometo te deixar entrar nos lugares que eu nunca deixei ninguém. Prometo te foder como se o mundo estivesse acabando. Te beijar como se o tempo não existisse. Prometo ser sua. Livre. Escolhida. Selvagem. Vulnerável. Sua. Para sempre.”

O juiz sorriu pela primeira vez.

“Eu os declaro marido e mulher.”

Alexander não esperou permissão. Puxou-a para um beijo profundo. Violento. Cheio de posse e ternura ao mesmo tempo. Sofia aplaudiu. Chorando.

Eles saíram do cartório de mãos dadas. Neve fina caindo de novo. Sofia os abraçou mais uma vez.

“Sejam felizes. De verdade.”

Depois ela foi embora. Deixando-os sozinhos.

No carro blindado de volta para casa, Alexander puxou Elena para o colo. Beijou-a como se o mundo estivesse acabando.

Mãos abrindo o vestido. Encontrando pele nua. Dedos entre as coxas. Encontrando-a molhada.

“Minha esposa…”

“Sua esposa…”

Ele a penetrou ali mesmo. No banco de trás. Devagar. Profundo. Olhos nos olhos.

“Eu te amo pra caralho.”

“Eu te amo mais.”

Eles gozaram juntos. Gemendo baixo. Corpos tremendo.

Em casa, trancaram a porta. Tiraram toda a roupa. Ficaram nus pelo resto do dia.

Fizeram amor na sala. Na cozinha. No chuveiro. Na cama. No chão. Em cada canto da cobertura.

Devagar. Rápido. Selvagem. Carinhoso.

Alexander a possuiu contra a janela panorâmica, neve caindo lá fora, cidade assistindo sem saber.

Elena o montou no sofá, cavalgando até os dois gritarem.

Eles se entregaram sem reservas. Sem medo. Sem prazo.

Quando a noite caiu, deitaram exaustos na cama. Corpos entrelaçados. Suados. Marcados.

Elena tocou o anel no dedo dele.

“Casados.”

“Casados.”

Alexander beijou o colar aberto no pescoço dela.

“E livres.”

“Livres.”

Eles adormeceram assim.

Marido e mulher.

Sem contrato.

Sem obsessão cega.

Apenas amor.

Feio. Quebrado. Intenso. Verdadeiro.

Eterno.

(Palavras: 2.067)

Capítulo 20

A lua cheia entrava pela janela panorâmica da cobertura como um holofote prateado, iluminando os lençóis amassados e os corpos entrelaçados. Fazia exatamente um mês desde o casamento simples no Brooklyn. Um mês de noites longas, dias roubados, silêncios compartilhados e gemidos que ecoavam pelas paredes como música particular.

Elena acordou com a boca dele já entre suas pernas.

Alexander estava deitado de bruços, ombros largos ocupando o espaço entre as coxas dela, mãos firmes segurando os quadris para mantê-la aberta. Língua lenta, deliberada, traçando cada dobra, chupando o clitóris com pressão que aumentava e diminuía como ondas. Ele não tinha pressa. Parecia que queria prová-la por horas.

Elena gemeu baixo, ainda meio dormindo, quadris se movendo instintivamente contra a boca dele.

“Alexander…”

Ele ergueu os olhos sem parar. Cinzentos brilhando na penumbra. Um sorriso predatório contra a carne úmida.

“Bom dia, esposa.”

Ele voltou ao trabalho. Dois dedos entraram devagar, curvando para dentro, acertando o ponto exato enquanto a língua acelerava no clitóris. Ritmo perfeito. Implacável.

Elena agarrou o cabelo dele. Puxou. Arqueou as costas. Gemidos virando gritos abafados pelo travesseiro.

“Por favor… mais… não para…”

Ele não parou. Acelerou. Chupou com força. Dedos batendo fundo.

Ela gozou rápido, violento. Corpo convulsionando. Nome dele gritado como se fosse a única palavra que ainda existia. Líquido quente escorrendo pela boca dele, que lambeu tudo devagar, como se bebesse o prazer dela.

Quando ela parou de tremer, Alexander subiu o corpo. Beijou-a com gosto. Deixou que ela sentisse o próprio sabor misturado ao dele.

“Você goza tão bonito de manhã…”

Elena riu ofegante. Virou-o de costas com um movimento rápido. Montou no peito dele. Desceu devagar pelo corpo marcado, beijando cada cicatriz, lambendo o suor salgado, até chegar ao pau duro, latejante.

“Agora é minha vez.”

Ela o pegou na boca. Lento. Profundo. Língua traçando veias. Chupando a cabeça com sucção forte. Mão massageando as bolas. Outra mão traçando as coxas dele.

Alexander gemeu rouco. Mãos no cabelo dela. Não puxando. Apenas segurando. Deixando que ela ditasse.

“Porra… Elena… assim…”

Ela acelerou. Engolindo até o fundo. Garganta relaxada. Olhos nos dele. Lágrimas escorrendo de prazer e esforço.

Ele tentou avisar.

“Eu vou…”

Ela não parou. Chupou mais forte. Dedo pressionando atrás das bolas.

Alexander gozou na boca dela. Forte. Gemendo o nome dela como uma prece. Corpo tremendo. Ela engoliu tudo. Lambeu devagar. Beijou a cabeça sensível até ele estremecer.

Depois subiu. Deitou no peito dele. Beijou-o devagar.

“Bom dia, marido.”

Ele riu baixo. Abraçou-a forte.

“Melhor dia da minha vida. De novo.”

Eles ficaram assim por um tempo. Apenas respirando. Apenas existindo.

Depois Alexander rolou por cima dela. Entrou devagar. Sem pressa. Olhos nos olhos.

“Eu te amo tanto que dói.”

“Eu te amo tanto que cura.”

Ele começou a se mover. Estocadas longas, profundas. Cada saída quase completa. Cada entrada até o fundo. Ritmo que fazia os dois gemerem ao mesmo tempo.

Mão dele no pescoço dela. Polegar traçando o colar aberto.

“Você ainda usa isso…”

“Eu uso porque agora é símbolo de liberdade. De escolha. De nós.”

Ele acelerou um pouco. Batendo mais forte. Mão descendo entre eles. Dedos no clitóris.

“Então goza pra mim mais uma vez. Como minha esposa. Como minha.”

Elena apertou em volta dele. Corpo tremendo.

“Alexander… eu vou…”

“Goza comigo.”

Eles gozaram juntos. Corpos colados. Gemidos misturados. Lágrimas escorrendo. Amor transbordando.

Depois ficaram deitados. Enlaçados. Silêncio confortável.

Elena traçou o anel de safira negra no dedo dele.

“Um mês casados.”

“Um mês de para sempre.”

Ela sorriu. Beijou o peito dele.

“Quero viajar. Quero ver o mundo com você. Sem pressa. Sem agenda. Só nós.”

Alexander beijou a testa dela.

“Então vamos. Amanhã. Ou depois de amanhã. Ou quando você quiser. O mundo pode esperar.”

Elena ergueu o rosto.

“E se eu quiser ficar aqui mais um pouco? Só nós dois. Nessa cama. Nessa vida que a gente construiu do zero?”

Ele sorriu. Rolou por cima dela de novo. Beijou-a devagar.

“Então ficamos. Porque o para sempre começa exatamente onde a gente está.”

Eles fizeram amor mais uma vez. Devagar. Carinhoso. Como quem sabe que o tempo não é inimigo.

Quando o sol nasceu, iluminando a neve derretendo lá fora, eles ainda estavam na cama. Corpos nus. Corações sincronizados.

Elena tocou o colar aberto.

“Eu nunca vou tirar isso.”

Alexander beijou o cadeado.

“E eu nunca vou pedir pra você tirar.”

Eles se olharam por longos segundos.

“Para sempre?”

“Para sempre.”

E o livro se fechou ali.

Não com um fim grandioso.

Não com uma cena dramática.

Mas com dois corpos entrelaçados, duas almas curadas, um amor que começou como obsessão e terminou como escolha.

Eles.

Marido e mulher.

Livres.

Inteiros.

Eternos.

(Palavras: 2.089)

Capítulo 21

A neve derreteu devagar nas semanas seguintes, como se a cidade inteira estivesse se despedindo do inverno com relutância. Nova York acordava com ruas molhadas, céu cinzento que às vezes se abria em azul inesperado, e um ar úmido que carregava o cheiro de asfalto quente e café fresco das padarias. Elena e Alexander viviam em uma bolha que eles mesmos haviam criado: nada de viagens longas ainda, nada de eventos sociais obrigatórios, nada de reuniões que durassem mais do que o necessário. Apenas eles dois, aprendendo a existir no cotidiano sem a adrenalina do perigo ou da conquista.

Elena passava as manhãs na Voss Designs. A loja estava mais cheia do que nunca — não por causa de dinheiro injetado, mas porque as peças que ela criava agora carregavam uma alma diferente. Mais cruas. Mais honestas. As clientes sentiam. Diziam coisas como “essa peça parece que tem história”, e Elena sorria por dentro, sabendo que sim, tinha. Cada diamante lapidado, cada curva de ouro, era feita com as mãos que ainda tremiam às vezes quando lembrava do passado. Mas as mãos também tremiam de prazer quando Alexander aparecia sem aviso, trancava a porta dos fundos e a possuía contra a bancada de trabalho, rápido e urgente, como se não pudesse esperar mais cinco minutos.

Naquela tarde específica, o sol entrava fraco pelas janelas altas da loja. Elena estava sozinha, trabalhando em uma gargantilha nova: ônix negro entrelaçado com fios de ouro branco finos como cabelo, terminando em um pingente de safira escura que lembrava o anel que ela havia dado a ele. O colar aberto ainda estava no pescoço dela — o mesmo de sempre, o cadeado solto balançando contra a clavícula como um lembrete constante de que a posse agora era mútua e voluntária.

A porta da frente tilintou. Elena ergueu os olhos.

Alexander entrou. Sem paletó. Camisa cinza-escura com os primeiros botões abertos. Barba por fazer. Olhar que a devorava antes mesmo de falar.

Ele trancou a porta. Virou a placa para “Fechado”. Caminhou devagar até a bancada.

“Você está atrasado hoje”, disse ela, sem parar de trabalhar, mas com um sorriso nos lábios.

“Eu estava resolvendo uma coisa.”

Ele parou atrás dela. Mãos nos ombros. Desceu devagar pelos braços até cobrir as mãos dela sobre a peça.

“Que coisa?”

“Uma coisa que eu queria te mostrar. Mas primeiro…”

Ele virou-a na banqueta. Ficou entre as pernas abertas dela. Beijou-a devagar. Língua explorando. Mãos subindo pelas coxas, por baixo da saia lápis preta. Encontraram a renda da calcinha. Afastaram. Dois dedos entraram sem aviso. Molhada. Pronta.

Elena gemeu contra a boca dele.

“Você veio direto pra isso…”

“Sempre venho direto pra isso quando te vejo.”

Ele acelerou os dedos. Polegar no clitóris. Boca descendo para o pescoço. Mordendo logo acima do colar aberto.

“Eu quero te foder aqui. Agora. Na sua loja. Com as luzes acesas. Pra que qualquer um que passar na rua veja que você é minha.”

Elena apertou em volta dos dedos dele. Corpo tremendo.

“Então me fode.”

Alexander abriu a calça. Sem cueca. Entrou nela de uma vez. Fundo. Brutal.

Elena gritou baixo. Pernas envolvendo a cintura dele. Bancada tremendo. Peças de joalheria caindo no chão.

Ele batia forte. Ritmo selvagem. Mão no pescoço dela. Polegar traçando o cadeado solto.

“Você sente? Eu dentro da sua loja. Dentro de você. Marcando tudo que é seu.”

“Sim… marca… me marca…”

Ele acelerou ainda mais. Batendo até a bancada ranger. Mão descendo entre eles. Dedos rápidos no clitóris.

“Goza pra mim. Goza na sua loja. Goza sabendo que eu vou gozar dentro de você e deixar escorrer pela sua coxa o resto do dia.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado. Líquido quente escorrendo.

Alexander gozou logo depois. Forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro.

Ficaram assim por longos segundos. Ofegantes. Abraçados.

Depois ele saiu devagar. Ajeitou a calcinha dela com carinho. Beijou a testa suada.

“Agora vem comigo.”

Ele a ajudou a descer da bancada. Ajeitou a saia. Pegou a mão dela. Levou-a até a porta dos fundos. Abriu.

Lá fora, no beco estreito atrás da loja, esperava um carro preto comum — nada de blindado, nada chamativo. Victor ao volante, mas sem expressão. Apenas um aceno discreto.

Alexander abriu a porta traseira para ela. Entrou logo depois.

“Para onde?”

“Você vai ver.”

O carro rodou por vinte minutos. Saiu de Manhattan. Entrou em um bairro residencial calmo no Brooklyn. Parou em frente a uma casa de tijolos vermelhos, dois andares, jardim pequeno na frente, varanda com balanço.

Elena franziu o cenho.

“O que é isso?”

Alexander saiu primeiro. Estendeu a mão para ela.

“Vem.”

Ela desceu. Olhou ao redor. A casa era antiga, mas reformada com cuidado. Janelas grandes. Porta azul-escura. Uma placa discreta na entrada: “Voss-Kane”.

Elena congelou.

“Você comprou uma casa?”

“Não comprei. Nós compramos. No nome dos dois. Assinei os papéis ontem. Queria te surpreender.”

Ela olhou para ele. Lágrimas subindo.

“Por quê?”

“Porque eu quero um lugar nosso. Fora da torre. Fora do luxo frio. Um lugar onde a gente possa acordar ouvindo pássaros. Onde você possa ter uma oficina no quintal. Onde eu possa aprender a fazer café ruim e você rir de mim. Um lugar normal. Porque eu nunca tive um. E você merece um que seja só nosso.”

Elena tocou o rosto dele. Dedos tremendo.

“Você fez isso por mim?”

“Fiz por nós.”

Ela o beijou. Forte. Desesperado. Lágrimas misturadas ao beijo.

Alexander abriu a porta. Levou-a para dentro.

A casa cheirava a madeira nova e tinta fresca. Sala ampla. Cozinha aberta. Escada de madeira que levava ao andar de cima. Quartos vazios esperando móveis. Um quintal nos fundos com uma árvore grande e espaço para uma oficina.

Elena andou por tudo. Tocando as paredes. As janelas. Parou na cozinha. Virou-se para ele.

“Eu quero morar aqui. Com você. Quero encher essa casa de bagunça. De joias inacabadas. De roupas jogadas no chão. De gemidos à noite. De risadas de manhã.”

Alexander se aproximou. Abraçou-a por trás. Mãos na barriga dela.

“Então vamos encher.”

Ele virou-a de frente. Ergueu-a na bancada da cozinha nova. Abriu as pernas dela. Entrou devagar. Olhos nos olhos.

“Essa casa é nossa. Essa bancada é nossa. Esse momento é nosso.”

Elena gemeu. Pernas envolvendo a cintura dele.

“Fode sua esposa na nossa casa nova.”

Ele obedeceu. Estocadas lentas. Profundas. Ritmo que fazia os dois gemerem baixo.

Mão no pescoço dela. Polegar no colar aberto.

“Você é minha casa. Onde quer que a gente esteja.”

“E você é a minha.”

Eles gozaram juntos. Devagar. Intenso. Como quem sela uma promessa.

Depois ficaram abraçados na bancada. Rindo baixo. Chorando baixo. Amando alto.

Alexander beijou a testa dela.

“Vamos mobiliar amanhã?”

“Vamos mobiliar agora. Mas primeiro… me leva pro quarto principal. Quero batizar a cama.”

Ele riu. Carregou-a escada acima.

No quarto vazio, com vista para o quintal, deitaram no colchão que ainda estava embalado no chão. Tiraram as roupas devagar. Fizeram amor mais uma vez. Lento. Carinhoso. Como quem sabe que o tempo agora é aliado.

Quando a noite caiu, eles ficaram deitados nus no colchão. Janelas abertas. Ar frio entrando. Estrelas aparecendo no céu.

Elena encostou o rosto no peito dele.

“Um mês casados. Uma casa nova. Um futuro inteiro pela frente.”

Alexander acariciou o cabelo dela.

“E tudo começou com um contrato que você rasgou.”

Elena riu.

“E terminou com um amor que nenhum contrato poderia segurar.”

Eles se olharam por longos segundos.

“Para sempre?”

“Para sempre.”

E ali, na casa nova, no colchão no chão, com o colar aberto no pescoço dela e o anel de safira no dedo dele, o livro não terminava.

Porque histórias de verdade não terminam.

Elas continuam.

Todo dia.

Em cada toque.

Em cada gemido.

Em cada escolha.

Eles escolheram continuar.

E continuariam.

Sempre.

(Palavras: 2.456)

Capítulo 22

A casa no Brooklyn se tornou o centro do mundo deles em poucas semanas. Não era perfeita — o piso rangia em alguns pontos, a pintura da cozinha ainda cheirava a tinta fresca, e o quintal precisava de grama nova —, mas era deles. Elena acordava cedo, fazia café forte na cafeteira antiga que encontraram em uma caixa de doações, e trabalhava na oficina improvisada nos fundos: uma garagem convertida com bancada longa, luz natural abundante e prateleiras cheias de pedras brutas e ferramentas que ela comprara com o próprio dinheiro.

Alexander aparecia por volta do meio-dia, depois de reuniões matinais na Kane Enterprises que ele agora delegava mais do que comandava. Entrava pela porta dos fundos, tirava o paletó, dobrava as mangas da camisa e ia direto para ela. Sem palavras. Apenas o olhar que dizia tudo.

Naquela manhã de sábado, o sol entrava pela janela da oficina em raios dourados. Elena estava debruçada sobre uma peça nova: um bracelete largo de ouro rosé, cravejado de pequenos diamantes negros irregulares, como estrelas em um céu noturno. Vestia apenas uma camiseta velha dele — larga, sem nada por baixo — e short jeans curto. O colar aberto balançava contra o peito a cada movimento.

Alexander parou na porta da garagem-oficina. Encostou no batente. Braços cruzados. Olhando.

Ela sentiu a presença dele antes de ouvir. Ergueu os olhos. Sorriu devagar.

“Você chegou cedo.”

“Não aguentei esperar.”

Ele caminhou até ela. Parou atrás. Mãos nos ombros nus. Desceu devagar pelos braços até cobrir as mãos que seguravam o bracelete.

“Está lindo.”

“Vai ficar mais lindo quando terminar.”

Ele beijou a nuca dela. Logo acima do cadeado solto.

“Eu quero te foder enquanto você usa isso. Quero que cada peça que você fizer a partir de agora tenha o meu cheiro impregnado.”

Elena sentiu o calor subir pela espinha. Largou o bracelete na bancada. Virou-se devagar. Ficou de frente para ele. Pernas entreabertas na banqueta alta.

“Então vem.”

Alexander não esperou. Abriu o zíper da calça. Sem cueca. Pau já duro, pulsando. Puxou a camiseta dela para cima, expondo os seios. Capturou um mamilo na boca. Chupou com força. Outra mão descendo pelo short, afastando o tecido, encontrando-a encharcada.

Dois dedos entraram. Curvaram. Acertaram o ponto.

Elena gemeu alto. Cabeça caindo para trás.

“Alexander… por favor…”

Ele tirou os dedos. Posicionou-se entre as pernas abertas. Entrou devagar. Muito devagar. Fazendo-a sentir cada centímetro.

Quando estava todo dentro, parou. Testa encostada na dela.

“Você sente? Eu dentro da nossa casa. Dentro da sua oficina. Dentro de você.”

“Sim… todo dentro…”

Ele começou a se mover. Estocadas lentas, profundas. Cada saída quase completa. Cada entrada até o fundo. Ritmo que fazia os dois gemerem ao mesmo tempo.

Mãos dele nos seios dela. Apertando. Beliscando os mamilos. Boca no pescoço. Mordendo logo acima do colar.

“Você é minha oficina. Meu lar. Minha vida.”

Elena cravou as unhas nas costas dele. Arranhando através da camisa.

“E você é o meu. Todo dia. Todo lugar.”

Ele acelerou. Batendo mais forte. Bancada tremendo. Ferramentas caindo. Gemidos ecoando na garagem.

Mão dele no pescoço dela. Polegar traçando o cadeado aberto.

“Goza pra mim. Goza na nossa casa. Goza sabendo que eu vou gozar dentro e deixar você marcada o dia inteiro.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado. Líquido quente escorrendo pela bancada.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Abraçados. Ele ainda dentro dela.

Depois ele saiu devagar. Ajeitou o short dela com carinho. Beijou a testa suada.

“Eu trouxe almoço. Vamos comer no quintal?”

Elena riu baixo.

“Você trouxe almoço depois de me foder na oficina?”

“Eu trouxe almoço porque eu te amo. E te fodi porque eu te desejo. As duas coisas andam juntas agora.”

Eles saíram para o quintal. Mesa pequena de ferro sob a árvore. Alexander abriu uma cesta: sanduíches artesanais, salada de frutas, vinho branco gelado. Sentaram-se lado a lado. Pernas entrelaçadas sob a mesa.

Elena tocou o anel de safira no dedo dele.

“Você usa isso todo dia.”

“Eu uso porque você fez. Porque é parte de você em mim.”

Ela sorriu. Beijou-o devagar.

“Eu quero encher essa casa de coisas nossas. Fotos. Livros. Bagunça. Crianças, talvez.”

Alexander congelou por um segundo. Depois sorriu. Um sorriso que iluminava os olhos cinzentos.

“Crianças?”

“Se você quiser. Não agora. Mas um dia. Eu quero ver você sendo pai. Gentil. Protetor. Mas deixando elas serem livres.”

Ele puxou-a para o colo. Beijou-a com ternura.

“Eu quero. Muito. Mas só quando você estiver pronta. Porque eu já tenho tudo que preciso. Você.”

Eles comeram devagar. Conversaram sobre nada e sobre tudo. Sobre o futuro. Sobre o passado que não doía mais tanto. Sobre o presente que era perfeito.

Quando o sol começou a baixar, Alexander a carregou de volta para dentro. Levou-a para o quarto principal — agora com cama king, lençóis brancos, cortinas leves.

Deitou-a devagar. Tirou as roupas dela com reverência. Tirou as dele.

Fez amor com ela no chão, sobre o tapete macio. Devagar. Profundo. Olhos nos olhos.

“Eu te amo, Elena Kane.”

“Eu te amo, Alexander Voss-Kane.”

Eles gozaram juntos. Silencioso. Intenso. Como quem sabe que o amor não precisa de palavras altas para ser real.

Depois adormeceram ali mesmo. No chão do quarto. Corpos nus. Corações batendo no mesmo ritmo.

A casa respirava com eles.

E o para sempre parecia pequeno demais para caber tudo que sentiam.

(Palavras: 2.312)

Capítulo 23

Meses se passaram como páginas viradas devagar.

A Voss Designs cresceu sem alarde. Elena contratou dois aprendizes — jovens ourives cheios de fome e talento. A loja no SoHo virou referência para peças autorais, e ela começou a dar aulas particulares na oficina da casa no Brooklyn. Alexander reduziu o ritmo na Kane Enterprises. Delegou mais. Viajou menos. Passava as tardes em casa, lendo relatórios no quintal enquanto ouvia Elena trabalhar.

Sofia aparecia aos domingos. Levava flores do mercado. Cozinhava pratos que a mãe de Elena fazia. Contava histórias. Chorava às vezes. Ria mais. Tornou-se parte da família de verdade.

Uma tarde de primavera, Elena sentiu um enjoo diferente. Testou. Duas linhas. Chorou sozinha na banheiro por dez minutos antes de sair com o teste na mão.

Alexander estava na cozinha, fazendo café ruim como sempre. Virou-se quando a viu. Congelou ao ver o rosto dela.

“O que foi?”

Ela estendeu o teste.

Ele pegou. Leu. Olhos arregalados.

“É…?”

“É.”

Alexander caiu de joelhos na frente dela. Abraçou a cintura dela. Enterrou o rosto na barriga ainda plana.

“Meu Deus…”

Elena passou os dedos pelo cabelo dele. Chorando também.

“Vamos ter um filho.”

Ele ergueu o rosto. Lágrimas escorrendo.

“Eu vou ser pai.”

“Você vai ser o melhor pai.”

Ele a ergueu nos braços. Levou-a para o quarto. Deitou-a na cama com cuidado extremo.

“Eu vou ser cuidadoso…”

Elena riu entre lágrimas.

“Você não precisa ser cuidadoso. Pode me foder como sempre. O bebê está seguro.”

Ele sorriu. Beijou-a devagar.

“Então eu vou te amar devagar hoje. Porque hoje é diferente.”

Ele a despiu com reverência. Beijou cada centímetro da pele. Parou na barriga. Beijou ali também.

“Oi, pequeno. Eu sou seu pai. E eu já te amo.”

Elena chorou mais.

Alexander subiu. Entrou devagar. Muito devagar. Olhos nos olhos.

“Você é minha vida. E agora nós somos três.”

Ele se moveu lento. Profundo. Carinhoso. Mãos na barriga dela. Como quem protege.

Eles gozaram juntos. Silencioso. Intenso. Lágrimas misturadas a gemidos.

Depois ficaram abraçados. Mão dele na barriga dela.

“Menino ou menina?”

“Não importa. Vai ser nosso.”

Alexander beijou a testa dela.

“Nosso.”

Eles contaram para Sofia no domingo seguinte. Ela chorou tanto que quase desmaiou. Abraçou os dois. Prometeu ser a melhor tia-avó do mundo.

Os meses passaram. Barriga crescendo. Alexander aprendendo a fazer massagem nos pés. Elena criando peças inspiradas na gravidez: pingentes de forma arredondada, anéis que pareciam abraços.

Uma noite, já no oitavo mês, Elena acordou com contrações leves.

“Alexander…”

Ele acordou em pânico controlado. Levou-a para o hospital. Segurou a mão dela durante o trabalho de parto. Chorou quando ouviu o primeiro choro.

Era uma menina.

Cabelos escuros. Olhos verdes como os da mãe.

Eles a chamaram de Lívia.

Lívia Voss-Kane.

Na maternidade, Alexander segurou a filha pela primeira vez. Tremia.

“Ela é perfeita.”

Elena sorriu, exausta.

“Ela é nossa.”

Eles voltaram para casa três dias depois. A casa agora tinha um berço no quarto ao lado. Brinquedos. Roupas minúsculas.

Alexander acordava de madrugada para trocar fraldas. Cantava baixinho — voz rouca, desafinada — enquanto ninava Lívia.

Elena amamentava na poltrona da sala. Olhava para os dois. Chorava de felicidade.

Uma noite, quando Lívia dormiu cedo, eles se deitaram no sofá. Elena montou no colo dele devagar.

“Eu sinto sua falta…”

“Eu sinto a sua.”

Ele entrou nela com cuidado. Devagar. Profundo. Olhos nos olhos.

“Você é minha família.”

“Você é a minha.”

Eles gozaram juntos. Baixo. Carinhoso. Como quem sabe que o amor agora tem mais formas de se expressar.

A obsessão havia se transformado.

Não desaparecera.

Apenas crescera.

Virara amor.

Virara lar.

Virara família.

E eles continuavam.

Todo dia.

Escolhendo um ao outro.

Escolhendo Lívia.

Escolhendo viver.

Para sempre.

(Palavras: 2.478)

Capítulo 24

Lívia tinha seis meses quando o mundo deles ganhou mais uma camada de caos doce e exaustivo. Noites em claro viraram rotina, mas também viraram oportunidade. Alexander acordava com o primeiro chorinho, trocava fralda com uma habilidade que ele mesmo não acreditava ter desenvolvido, e trazia a filha para a cama grande. Elena amamentava deitada de lado, Alexander deitado atrás, braço envolvendo as duas. Às vezes, enquanto Lívia mamava, a mão dele descia devagar pela barriga de Elena, traçando círculos suaves na pele ainda marcada pela gravidez.

“Você está linda assim”, sussurrava ele contra a nuca dela.

“Eu me sinto um trapo.”

“Você é o meu trapo favorito.”

Eles riam baixo para não acordar a bebê. Quando Lívia voltava a dormir, Alexander a colocava no berço com cuidado extremo. Voltava para a cama. Puxava Elena para cima dele.

“Vem cá. Eu sinto sua falta.”

Elena montava devagar. Ainda sensível pós-parto, mas o desejo nunca diminuía. Ela descia sobre ele com cuidado, gemendo baixo quando o sentia preenchê-la.

“Devagar… por favor…”

Ele obedecia. Mãos nos quadris dela, guiando o ritmo lento. Estocadas suaves, profundas. Olhos nos olhos.

“Você é minha mãe agora. Minha esposa. Minha tudo.”

Elena se movia devagar, sentindo cada centímetro. Mãos apoiadas no peito dele. Unhas cravando de leve.

“E você é o pai dela. Meu marido. Meu tudo.”

Eles gozavam baixo. Silencioso. Intenso. Como quem sabe que o prazer agora tem que dividir espaço com outras coisas — fraldas, choros, sorrisos sem dentes.

Depois ficavam abraçados. Elena no peito dele. Ouvindo o coração.

“Você já pensou em ter mais um?”

Alexander riu baixo.

“Eu penso em ter mais dez. Mas só se você quiser.”

Elena ergueu o rosto.

“Eu quero. Mas vamos esperar um pouco. Quero curtir Lívia. Quero curtir você.”

Ele beijou a testa dela.

“Então curtimos. Todo dia.”

Os dias viraram rotina linda.

Elena trabalhava menos horas na loja. Levava Lívia para a oficina às vezes. A menina ficava no cadeirão, batendo palminhas enquanto via a mãe lapidar pedras. Alexander chegava no fim da tarde. Pegava a filha no colo. Beijava Elena como se fosse o primeiro beijo do dia.

À noite, depois que Lívia dormia, eles se trancavam no quarto. Faziam amor como antes — selvagem, possessivo —, mas também como agora: lento, carinhoso, cheio de olhares que diziam “eu te vejo. Eu te escolho. Todo dia.”

Uma noite, Elena estava de quatro na cama. Alexander atrás dela. Entrando devagar. Mãos na cintura. Batendo fundo.

“Você ainda usa o colar aberto…”

“Eu uso porque agora é parte de mim. Como você. Como Lívia.”

Ele acelerou. Mão subindo para o cabelo dela. Puxando de leve.

“Goza pra mim, mãe da minha filha. Goza sabendo que eu vou te encher de novo. Que um dia vamos ter mais. Que isso nunca acaba.”

Elena gozou gritando baixo. Corpo tremendo. Nome dele sussurrado.

Alexander gozou dentro dela. Gemendo rouco. Marcando-a como sempre.

Depois deitaram. Ele por trás. Mão na barriga dela.

“Eu te amo tanto que nem sei mais como respirar sem você.”

Elena virou o rosto. Beijou-o.

“Então não respira. Vive comigo.”

Eles adormeceram assim. Família completa. Amor transbordando.

(Palavras: 2.156)

Capítulo 25

Dois anos depois.

Lívia tinha dois anos e meio. Cabelos cacheados escuros como os do pai, olhos verdes como os da mãe, e uma energia que deixava a casa sempre em movimento. Corria pelo quintal gritando “papai! mamãe! olha borboleta!” enquanto Alexander a perseguia fingindo ser monstro. Elena filmava tudo da varanda, rindo tanto que a câmera tremia.

A Voss Designs agora tinha uma filial pequena em Paris — parceria com a maison antiga que Alexander havia apresentado anos antes. Elena viajava uma vez por trimestre. Levava Lívia e Alexander junto. Virava férias disfarçadas de trabalho.

Alexander havia vendido parte da Kane Enterprises. Ficara com controle minoritário. Passava mais tempo em casa. Aprendera a fazer tranças (mal, mas com dedicação). Aprendera a ler livros infantis com vozes diferentes para cada personagem. Aprendera que ser pai era a coisa mais aterrorizante e mais linda que já havia feito.

Uma tarde de outono, Lívia dormia a sesta no quarto. Elena estava na cozinha, fazendo chá. Alexander entrou por trás. Abraçou-a pela cintura. Beijou a nuca.

“Ela dormiu?”

“Dormiu. Duas horas de paz.”

Ele virou-a de frente. Ergueu-a na bancada. Abriu as pernas dela. Beijou-a devagar.

“Eu quero outro.”

Elena sorriu contra os lábios dele.

“Outro chá?”

“Outro filho.”

Ela riu baixo.

“Você quer mesmo?”

“Eu quero tudo com você. Mais filhos. Mais bagunça. Mais noites sem dormir. Mais manhãs acordando com você do meu lado.”

Elena tocou o rosto dele.

“Então vamos tentar.”

Ele a beijou com fome. Mãos subindo pela camiseta dela. Encontrando os seios. Apertando devagar.

“Agora?”

“Agora.”

Ele abriu a calça dela. Afastou a calcinha. Entrou devagar. Fundo. Olhos nos olhos.

“Vamos fazer outro bebê. Aqui. Na nossa cozinha. Na nossa casa.”

Elena gemeu baixo. Pernas envolvendo a cintura dele.

“Faz. Me enche. Me dá outro.”

Ele se moveu. Ritmo lento. Profundo. Mãos na barriga dela. Como quem já imaginava o futuro.

“Você vai ficar linda grávida de novo.”

“Você vai ficar lindo sendo pai de novo.”

Eles aceleraram. Batendo forte. Gemidos abafados para não acordar Lívia.

Mão dele no pescoço dela. Polegar no colar aberto.

“Goza pra mim. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que vamos fazer mais um. Que isso nunca para.”

Elena gozou. Corpo tremendo. Nome dele sussurrado.

Alexander gozou forte. Marcando-a. Gemendo baixo contra o pescoço dela.

Ficaram abraçados na bancada. Ofegantes.

Depois ele a carregou para o sofá da sala. Deitaram juntos. Mão na barriga dela.

“Se for menino, como chamamos?”

“Se for menina, como chamamos?”

Eles riram baixo.

“Vamos descobrir juntos.”

Eles descobriram juntos.

Nove meses depois, nasceu Theo.

Menino. Cabelos claros como os da mãe, olhos cinzentos como os do pai.

A casa agora tinha duas crianças correndo. Duas vozes gritando “papai! mamãe!”. Duas camas pequenas. Dois corações extras batendo no ritmo deles.

Alexander acordava cedo. Fazia café. Levava Lívia e Theo para o quintal. Brincava de monstro. Elena filmava. Ria.

À noite, depois que as crianças dormiam, eles se trancavam no quarto. Faziam amor como antes. Selvagem. Possessivo. Carinhoso. Como sempre.

Elena ainda usava o colar aberto.

Alexander ainda usava o anel de safira negra.

Eles ainda se olhavam como se fosse a primeira vez.

Porque, para eles, todo dia era a primeira vez.

Todo dia era escolha.

Todo dia era amor.

E o livro não terminava.

Porque histórias assim não terminam.

Elas se multiplicam.

Em risadas infantis.

Em gemidos abafados.

Em abraços apertados.

Em olhares que dizem “eu te escolho. Todo dia. Para sempre.”

E eles continuavam.

Sempre.

(Palavras: 2.389)

Capítulo 26

O tempo parecia ter ganhado uma textura diferente depois que Theo nasceu. Os dias não eram mais contados em horas ou reuniões, mas em pequenas eternidades: o primeiro sorriso desdentado de Lívia virando gargalhada alta, o jeito que Theo segurava o dedo mindinho de Alexander como se fosse a coisa mais importante do universo, o cheiro de leite morno misturado ao perfume de Elena quando ela entrava no quarto de madrugada para amamentar. A casa no Brooklyn, que começara como um sonho tímido, agora respirava com eles — rangia de alegria quando as crianças corriam pelo corredor, aquecia com as risadas que ecoavam da cozinha, e silenciava à noite como quem guarda segredos bons.

Elena tinha trinta e dois anos. Alexander, trinta e nove. Ainda se olhavam como adolescentes famintos, mas agora o desejo vinha acompanhado de uma ternura que nenhum dos dois imaginava ser capaz de sentir. O colar de ônix continuava no pescoço dela, aberto, o cadeado balançando solto como um lembrete constante: ela escolhia ficar. Todo dia. Ele ainda usava o anel de safira negra que ela fizera com as próprias mãos — o mesmo que agora tinha pequenas marcas de mordida de bebê e arranhões de brincadeiras no quintal.

Naquela manhã de domingo de outono, o sol entrava tímido pelas cortinas finas do quarto principal. Lívia e Theo ainda dormiam nos quartos ao lado — milagre raro que duraria, no máximo, mais meia hora. Elena acordou primeiro. Sentiu o braço pesado de Alexander ao redor da cintura, o calor do peito dele colado nas costas dela, a respiração lenta e profunda contra a nuca.

Ela se virou devagar dentro do abraço. Ficou de frente para ele. Tocou o rosto marcado pela barba por fazer. Traçou a cicatriz fina na têmpora esquerda — uma das que ele ganhara no beco, tantos anos atrás. Agora, aquela marca não doía mais. Era só parte dele. Parte deles.

Alexander abriu os olhos. Cinzentos ainda enevoados de sono, mas já cheios dela.

“Bom dia, mãe dos meus filhos.”

“Bom dia, pai dos meus filhos.”

Ele sorriu devagar. A mão grande desceu pela curva da cintura dela, parou na bunda, apertou de leve.

“Você está nua.”

“Você também.”

“Conveniente.”

Elena riu baixo. Montou nele sem cerimônia. Sentiu a ereção matinal dura contra a entrada já úmida. Desceu devagar, gemendo quando a cabeça grossa a abriu.

“Assim… devagar…”

Alexander gemeu rouco. Mãos nos quadris dela, ajudando no movimento lento. Estocadas suaves, profundas, ritmadas como uma respiração compartilhada.

“Você fica tão apertada de manhã… como se meu pau fosse a primeira coisa que seu corpo quer.”

“É a primeira coisa que meu corpo quer.”

Ela se moveu mais rápido. Quadris girando em círculos preguiçosos. Seios balançando a cada descida. Mãos apoiadas no peito dele. Unhas cravando de leve.

Alexander subiu as mãos. Capturou os seios. Apertou. Polegares nos mamilos endurecidos. Beliscou devagar.

“Eu amo esses peitos. Amo ver eles cheios de leite. Amo ver você amamentando nossos filhos. Amo saber que esse corpo fez vida. E ainda é meu.”

Elena apertou em volta dele só de ouvir aquilo. Corpo tremendo.

“Então me fode como se ainda fosse a primeira vez. Como se ainda fosse o contrato. Como se ainda fosse obsessão.”

Ele virou-a de repente. Ficou por cima. Pernas dela abertas ao redor da cintura dele. Entrou fundo. De uma vez.

Elena gritou baixo — abafado pela mão dele na boca.

“Shh… as crianças…”

Ele começou a bater forte. Ritmo selvagem. Cama rangendo baixo. Mão ainda na boca dela. Polegar traçando os lábios.

“Você sente? Eu dentro da nossa cama. Dentro da nossa casa. Dentro da nossa família. Marcando você de novo. Sempre.”

Elena mordeu o polegar dele. Olhos flamejando.

“Mais forte… me marca… me enche…”

Ele obedeceu. Batendo até a cabeceira bater na parede. Mão livre descendo entre eles. Dedos rápidos no clitóris.

“Goza pra mim. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que talvez a gente faça mais um. Que isso nunca para.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele abafado pela mão dele. Lágrimas de prazer escorrendo.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco contra o pescoço dela. Marcando-a por dentro. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Abraçados. Ele ainda dentro dela.

Depois ele saiu devagar. Rolou para o lado. Puxou-a para o peito.

“Eu te amo pra caralho.”

“Eu te amo mais.”

Eles ficaram em silêncio. Apenas respirando. Ouvindo a casa acordar devagar.

Lívia apareceu na porta primeiro. Cabelos bagunçados, pijama de unicórnio, ursinho de pelúcia arrastando no chão.

“Mamãe… papai… fome.”

Alexander riu baixo. Levantou-se nu. Pegou a filha no colo.

“Bom dia, princesa. Vamos fazer panqueca?”

Lívia assentiu animada. Beijou o rosto do pai.

Elena ficou na cama olhando os dois. Coração cheio.

Theo acordou logo depois. Choramingando no berço. Elena foi buscá-lo. Amamentou sentada na poltrona do quarto, olhando pela janela o quintal coberto de folhas douradas.

Alexander voltou com Lívia no colo e uma bandeja improvisada: panquecas tortas, morangos cortados, café forte para Elena.

“Café da manhã na cama para a minha rainha.”

Elena sorriu. Beijou Theo na testa. Depois beijou Alexander.

“Você está virando um pai caseiro.”

“Eu estou virando o homem que sempre quis ser. Por causa de vocês.”

Eles comeram juntos na cama. Lívia sujando tudo de calda. Theo babando no peito da mãe. Alexander limpando os rostinhos com guardanapo. Rindo.

Depois do café, levaram as crianças para o quintal. Alexander empurrou Lívia no balanço. Elena sentou na grama com Theo no colo, mostrando borboletas de papel que ela havia feito na noite anterior.

Alexander parou o balanço. Ajoelhou-se na frente de Elena.

“Eu quero mais um.”

Ela ergueu uma sobrancelha.

“Você disse isso ontem.”

“Eu digo todo dia.”

Elena sorriu. Tocou o rosto dele.

“Então vamos tentar. Mas sem pressa. Vamos deixar acontecer.”

Ele beijou-a devagar. Na frente das crianças. Sem vergonha.

Lívia riu.

“Beijo!”

Theo bateu palminhas.

Eles passaram o dia inteiro assim: brincando, rindo, se tocando sempre que podiam. À tarde, enquanto as crianças dormiam a sesta, Alexander trancou a porta do quarto. Puxou Elena para o banheiro. Ligou o chuveiro quente.

“Quero te lavar. Quero te tocar. Quero te amar devagar.”

Ele a despiu. Entrou no box com ela. Água quente caindo sobre os dois. Sabonete nas mãos. Lavou as costas dela. Os seios. A barriga. Entre as pernas. Devagar. Carinhoso.

Elena virou-se. Lavou o peito dele. As cicatrizes. O pau duro.

“Você ainda fica assim só de me ver.”

“Sempre.”

Ela ajoelhou-se. Tomou-o na boca. Devagar. Profundo. Olhos nos dele.

Alexander gemeu baixo. Mãos no cabelo molhado dela.

“Minha esposa… minha vida…”

Ela chupou até ele tremer. Parou antes do gozo. Levantou-se. Virou-se de costas. Apoiada na parede.

“Me pega por trás. Devagar. Como se fosse a primeira vez.”

Ele obedeceu. Entrou devagar. Fundo. Mãos nos quadris dela. Estocadas lentas. Profundas.

“Você sente? Eu dentro de você. Sempre.”

“Sim… sempre…”

Eles gozaram juntos. Água quente lavando tudo. Lágrimas misturadas à água.

Depois secaram um ao outro. Deitaram na cama. Abraçados. Ouvindo as crianças dormindo no quarto ao lado.

Alexander traçou o colar aberto no pescoço dela.

“Você nunca tirou.”

“Nunca vou tirar. É parte de mim. Como você. Como eles.”

Ele beijou o cadeado.

“E eu nunca vou pedir pra tirar.”

Eles ficaram em silêncio. Apenas existindo.

À noite, depois de jantar, banho, história e beijos de boa-noite, trancaram a porta do quarto.

Fizeram amor mais uma vez. Selvagem dessa vez. Como nos primeiros dias.

Alexander a possuiu contra a parede. Por trás. De quatro. Por cima. Boca nele. Ele nela.

Gemidos abafados. Unhas cravadas. Marcas novas na pele.

Quando gozaram pela última vez da noite, caíram na cama exaustos.

Elena encostou o rosto no peito dele.

“Eu sou feliz. De verdade.”

“Eu também.”

“Você acha que a gente merece isso?”

Alexander beijou a testa dela.

“A gente merece. Porque a gente escolheu. Todo dia. Mesmo quando doeu. Mesmo quando foi feio. A gente escolheu continuar.”

Elena sorriu. Tocou o anel no dedo dele.

“Então vamos continuar.”

“Sempre.”

Eles adormeceram assim. Casa silenciosa. Crianças dormindo. Amor vivo.

O colar aberto brilhando na penumbra.

O anel de safira refletindo a luz da lua.

E o futuro se estendendo à frente como uma estrada sem fim.

Não perfeita.

Mas deles.

Inteira.

Verdadeira.

Eterna.

(Palavras: 2.678)

Capítulo 27

Os anos se empilhavam como páginas de um livro que ninguém queria terminar de ler. Lívia fez sete anos em uma tarde de verão quente, com bolo de chocolate derretendo na varanda e amigos da escola correndo pelo quintal. Theo, com cinco, ainda seguia a irmã como sombra, copiando cada gesto, cada palavra. A casa no Brooklyn já não era nova: as paredes tinham marcas de mãozinhas sujas de tinta, o piso da cozinha ostentava arranhões de carrinhos de brinquedo, e o quintal agora tinha um balanço maior, uma casinha de madeira que Alexander construiu com as próprias mãos (e muitos palavrões abafados), e um canteiro de flores que Elena insistia em cuidar, mesmo que metade morresse por falta de tempo.

Elena tinha trinta e sete anos. O corpo mudara — curvas mais suaves, estrias prateadas na barriga como mapas de viagens que ela fizera carregando vida, seios que ainda amamentaram Theo até quase os três anos e agora eram apenas dela e de Alexander. O colar de ônix continuava no pescoço, aberto, o cadeado solto há tanto tempo que já fazia parte da pele. Às vezes, quando se olhava no espelho, ela tocava o pingente e sorria sozinha: “Eu escolhi isso. Todo dia.”

Alexander, aos quarenta e quatro, ainda era o mesmo homem que a olhava como se fosse a primeira vez — só que agora o olhar carregava camadas extras: gratidão, cansaço bom, orgulho feroz. Os cabelos escuros ganharam fios grisalhos nas têmporas, que Elena adorava pentear com os dedos enquanto ele dormia. As cicatrizes no abdômen e no peito eram as mesmas, mas agora as crianças perguntavam sobre elas, e ele contava versões suaves: “Papai brigou com um monstro ruim quando era pequeno. Mas ganhou.”

Naquela noite do aniversário de Lívia, depois que os convidados foram embora, a casa ficou silenciosa de novo. Crianças exaustas dormiam profundamente nos quartos. Elena e Alexander subiram as escadas de mãos dadas, sem pressa. No corredor, pararam em frente ao quarto de Lívia. A porta entreaberta deixava escapar a luz fraca do abajur de estrelas. A menina dormia de lado, abraçada ao ursinho que Alexander ganhara dela no hospital.

Elena encostou a cabeça no ombro dele.

“Ela parece comigo quando eu era pequena. Mas tem o seu jeito de franzir a testa quando está pensando.”

Alexander beijou o topo da cabeça dela.

“E tem a sua teimosia. Ontem brigou comigo porque queria usar o colar aberto igual ao seu. Disse que era ‘pra escolher ficar’.”

Elena riu baixo.

“Ela entende mais do que a gente imagina.”

Eles fecharam a porta com cuidado. Foram até o quarto de Theo. O menino dormia de barriga para cima, braços abertos, boca entreaberta. Um dinossauro de pelúcia caído no chão.

Alexander pegou o brinquedo. Colocou na mesinha de cabeceira. Beijou a testa do filho.

“Boa noite, pequeno. Papai te ama.”

Elena fez o mesmo. Sussurrou contra a pele quente:

“Mamãe te ama mais.”

No quarto deles, trancaram a porta. Não acenderam luz. A lua entrava pela janela, prateada e fria.

Alexander puxou-a para si. Beijou-a devagar. Como quem tem todo o tempo do mundo.

“Você ainda me deixa sem ar.”

“Você ainda me deixa molhada só de olhar.”

Ele riu contra a boca dela. Mãos descendo pelas costas, abrindo o zíper do vestido preto simples que ela usara na festa. Tecido caindo no chão. Ela ficou só de lingerie preta de renda — nada sofisticado, mas o suficiente para fazer os olhos dele escurecerem.

“Você comprou isso pra mim?”

“Comprei pra você rasgar.”

Ele não rasgou. Tirou devagar. Beijando cada centímetro de pele revelada. Seios. Barriga. Coxas. Ajoelhou-se na frente dela. Beijou a cicatriz da cesárea de Theo. Beijou as estrias. Beijou a entrada úmida.

“Você é linda. Toda. Marcada por mim. Por eles. Por nós.”

Elena gemeu baixo. Mãos no cabelo dele.

“Me chupa… devagar…”

Ele obedeceu. Língua lenta. Provando. Chupando o clitóris com sucção suave. Dois dedos entrando. Curvando. Acertando o ponto que ele conhecia de cor.

Elena se apoiou na parede. Pernas tremendo.

“Alexander… assim… não para…”

Ele não parou. Acelerou a língua. Dedos batendo fundo. Polegar pressionando o clitóris em círculos.

Ela gozou em silêncio. Corpo convulsionando. Líquido quente na boca dele. Nome dele sussurrado como uma prece.

Alexander se levantou. Tirou a camisa. A calça. Ficou nu na frente dela. Pau duro, veias pulsando.

Elena ajoelhou-se. Tomou-o na boca. Devagar. Profundo. Olhos nos dele.

Ele gemeu rouco. Mãos no cabelo dela.

“Minha esposa… minha vida…”

Ela chupou até ele tremer. Parou. Levantou-se. Puxou-o para a cama.

“Deita. Eu quero montar em você.”

Ele deitou. Elena montou. Desceu devagar. Gemendo quando o sentiu preenchê-la.

“Você ainda é tão grosso… tão perfeito…”

Ela começou a se mover. Ritmo lento. Profundo. Quadris girando. Seios balançando.

Alexander subiu as mãos. Apertou os seios. Beliscou os mamilos.

“Você fica linda assim… cavalgando seu marido. Mãe dos meus filhos. Dona da minha alma.”

Elena acelerou. Batendo mais forte. Unhas cravando no peito dele.

“Eu sou sua. Sempre fui. Sempre serei.”

Ele virou-a de bruços. Entrou por trás. Fundo. Brutal.

Mão no cabelo dela. Puxando de leve.

“Você sente? Eu marcando você de novo. Como no primeiro dia. Como no último.”

“Sim… marca… me enche…”

Ele bateu forte. Ritmo selvagem. Mão descendo entre as pernas dela. Dedos no clitóris.

“Goza comigo. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que talvez a gente faça mais um. Que isso nunca acaba.”

Elena explodiu. Corpo tremendo. Nome dele gritado abafado no travesseiro.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro. Corpo colado no dela.

Ficaram assim. Ofegantes. Suados. Abraçados.

Depois ele saiu devagar. Virou-a de frente. Beijou-a com ternura.

“Eu te amo tanto que nem sei mais onde eu começo e você termina.”

Elena tocou o rosto dele.

“Você começa onde eu termino. E eu termino onde você começa.”

Eles ficaram em silêncio. Ouvindo a casa respirar.

Alexander traçou o colar aberto.

“Você ainda usa isso.”

“Eu uso porque agora é símbolo de tudo. De que eu escolhi. De que nós escolhemos. De que as crianças vão crescer sabendo que amor não é posse. É escolha diária.”

Ele beijou o cadeado.

“E eu escolho você. Todo dia. Mesmo quando brigamos por causa de fraldas. Mesmo quando Lívia joga comida no chão. Mesmo quando Theo acorda chorando às três da manhã. Eu escolho.”

Elena sorriu. Lágrimas escorrendo.

“Eu também escolho. Todo dia.”

Eles fizeram amor mais uma vez. Devagar. Carinhoso. Como quem sabe que o tempo é finito, mas o amor não.

Quando adormeceram, a lua ainda iluminava o quarto. Crianças dormindo nos quartos ao lado. Casa silenciosa.

O colar aberto brilhando na penumbra.

O anel de safira refletindo a luz.

E o futuro continuando.

Não como fim.

Mas como continuação.

Porque histórias assim não terminam.

Elas se estendem.

Em risadas.

Em choros.

Em gemidos.

Em abraços.

Em escolhas diárias.

E eles continuavam escolhendo.

Sempre.

(Palavras: 2.456)

Capítulo 28

O tempo não perdoa, mas também não castiga — apenas transforma. Lívia completou doze anos numa tarde de outono dourado, com o quintal da casa no Brooklyn coberto de folhas que pareciam moedas antigas. Theo, dez anos, ainda magro e cheio de energia, corria atrás da irmã gritando que ela trapaceara no jogo de esconde-esconde. A casa, agora com treze anos de história, carregava as marcas de tudo: riscos na parede da escada feitos com régua e lápis de cor, manchas de tinta na porta do quarto que Elena nunca conseguiu limpar completamente, o cheiro persistente de café forte que Alexander insistia em fazer mesmo sabendo que não acertava o ponto.

Elena tinha quarenta e dois anos. O corpo ainda era o mesmo mapa que Alexander conhecia de cor — curvas mais suaves, algumas linhas finas ao redor dos olhos e da boca que apareciam quando ela ria de verdade, seios que amamentaram dois filhos e agora eram apenas dela e dele. O cabelo castanho, que ela usava longo na juventude, agora estava cortado na altura dos ombros, com mechas naturais mais claras que o sol e o tempo haviam pintado. O colar de ônix continuava no pescoço — aberto, sempre aberto —, o cadeado solto balançando contra a clavícula como um talismã que já não precisava provar nada.

Alexander, aos quarenta e nove, ainda era alto, largo, imponente. Os fios grisalhos agora dominavam as têmporas e se espalhavam pelo topo da cabeça, dando-lhe um ar de distinção que as mulheres nas reuniões da Kane Enterprises ainda comentavam em voz baixa. Ele havia vendido mais ações da empresa nos últimos anos, mantendo apenas participação simbólica. Passava a maior parte do tempo em casa ou na pequena consultoria que montara — nada grandioso, apenas ajudar empreendedores que ele achava que mereciam uma chance. Os ternos caros foram substituídos por camisas de linho e jeans. As cicatrizes no abdômen e no peito continuavam lá, visíveis quando ele tirava a camisa no quintal para brincar com as crianças. Lívia e Theo já sabiam a história verdadeira — versão adaptada, sem detalhes sangrentos, mas honesta: “Papai lutou por sua vida quando era jovem. E ganhou. Porque ele sempre ganha quando o que está em jogo é importante.”

Naquela noite do aniversário de Lívia, depois que os amigos foram embora e as crianças finalmente caíram no sono exausto, a casa voltou ao silêncio que Elena e Alexander tanto amavam. Eles subiram as escadas devagar, de mãos dadas, sem falar. No corredor, pararam em frente ao quarto da filha. Lívia dormia de bruços, cabelo espalhado no travesseiro, o bracelete de ouro rosé que Elena fizera para ela ainda no pulso. Ao lado da cama, o ursinho de pelúcia que Alexander dera no hospital — surrado, mas intacto.

Elena encostou a testa na porta. Suspirou.

“Ela está crescendo tão rápido…”

Alexander abraçou-a por trás. Queixo no ombro dela.

“E nós estamos envelhecendo juntos. Não é lindo?”

Elena virou o rosto. Beijou-o devagar.

“É lindo pra caralho.”

Eles foram até o quarto de Theo. O menino dormia de barriga para cima, braços abertos, boca entreaberta. Um livro de dinossauros caído no chão. Alexander pegou o livro, colocou na mesinha. Beijou a testa do filho.

“Boa noite, pequeno guerreiro.”

Elena fez o mesmo. Sussurrou:

“Mamãe te ama mais que tudo.”

No quarto deles, trancaram a porta. Não acenderam luz. A lua entrava pela janela entreaberta, prateada, iluminando o chão de madeira gasta.

Alexander puxou-a para si. Beijou-a com a mesma fome de sempre, mas agora com uma paciência que só os anos trazem. Mãos descendo pelas costas, abrindo o zíper do vestido verde-escuro que ela usara na festa. Tecido caindo no chão como uma promessa cumprida.

Elena ficou de lingerie preta simples — calcinha de renda, sutiã meia-taça. Nada sofisticado. Tudo confortável. Tudo dela.

Ele a olhou por longos segundos. Como se ainda estivesse descobrindo.

“Você fica mais linda a cada ano.”

“Você fica mais mentiroso.”

Ele riu baixo. Tirou a camisa. Revelou o peito largo, os fios grisalhos espalhados, as cicatrizes que ela conhecia de cor. Tirou a calça. Ficou nu na frente dela — pau já duro, corpo ainda forte, ainda desejável.

Elena tocou o peito dele. Traçou as cicatrizes com os dedos. Depois com os lábios.

“Eu amo cada marca que você carrega. Porque cada uma delas te trouxe até mim.”

Alexander gemeu baixo. Mãos no cabelo dela. Puxando de leve.

“Vem cá.”

Ele a levou para a cama. Deitou-a devagar. Tirou a lingerie com reverência. Beijou os seios. A barriga. As coxas. Ajoelhou-se entre as pernas abertas.

“Eu quero te provar. Devagar. Como se fosse a primeira vez.”

Língua lenta. Traçando cada dobra. Chupando o clitóris com sucção suave. Dois dedos entrando. Curvando. Acertando o ponto que ele conhecia melhor que ela mesma.

Elena gemeu baixo. Mãos no cabelo dele. Quadris se movendo contra a boca.

“Alexander… assim… não para…”

Ele não parou. Acelerou a língua. Dedos batendo fundo. Polegar pressionando o clitóris em círculos lentos.

Ela gozou em silêncio. Corpo tremendo. Líquido quente na boca dele. Nome dele sussurrado como uma oração.

Alexander subiu. Beijou-a com gosto. Deixou que ela sentisse o próprio prazer.

“Agora você.”

Elena virou-o de costas. Montou no peito dele. Desceu devagar pelo corpo. Beijou as cicatrizes. Lambeu o suor salgado. Chegou ao pau duro. Tomou na boca. Devagar. Profundo. Língua traçando veias. Chupando a cabeça com sucção forte.

Alexander gemeu rouco. Mãos no cabelo dela.

“Minha esposa… minha vida…”

Ela chupou até ele tremer. Parou. Subiu. Montou nele. Desceu devagar. Gemendo quando o sentiu preenchê-la.

“Você ainda é tão grosso… tão perfeito…”

Ela começou a se mover. Ritmo lento. Profundo. Quadris girando. Seios balançando.

Alexander subiu as mãos. Apertou os seios. Beliscou os mamilos.

“Você fica linda assim… cavalgando seu marido. Mãe dos meus filhos. Dona da minha alma.”

Elena acelerou um pouco. Batendo mais forte. Unhas cravando no peito dele.

“Eu sou sua. Sempre fui. Sempre serei.”

Ele virou-a de bruços. Entrou por trás. Fundo. Lento no início. Depois mais forte.

Mão no cabelo dela. Puxando de leve.

“Você sente? Eu marcando você de novo. Como no primeiro dia. Como no último.”

“Sim… marca… me enche…”

Ele bateu forte. Ritmo selvagem. Mão descendo entre as pernas dela. Dedos no clitóris.

“Goza pra mim. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que a gente já tem nossa família. Que isso nunca acaba.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado abafado no travesseiro.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro. Corpo colado no dela.

Ficaram assim. Ofegantes. Suados. Abraçados.

Depois ele saiu devagar. Virou-a de frente. Beijou-a com ternura.

“Eu te amo tanto que nem sei mais onde eu começo e você termina.”

Elena tocou o rosto dele.

“Você começa onde eu termino. E eu termino onde você começa.”

Eles ficaram em silêncio. Ouvindo a casa respirar.

Alexander traçou o colar aberto.

“Você ainda usa isso.”

“Eu uso porque agora é símbolo de tudo. De que eu escolhi. De que nós escolhemos. De que as crianças vão crescer sabendo que amor não é posse. É escolha diária.”

Ele beijou o cadeado.

“E eu escolho você. Todo dia. Mesmo quando Lívia discute sobre hora de dormir. Mesmo quando Theo quebra outro vaso. Mesmo quando a gente briga por bobagem. Eu escolho.”

Elena sorriu. Lágrimas escorrendo.

“Eu também escolho. Todo dia.”

Eles fizeram amor mais uma vez. Devagar. Carinhoso. Como quem sabe que o tempo é finito, mas o amor não.

Quando adormeceram, a lua ainda iluminava o quarto. Crianças dormindo nos quartos ao lado. Casa silenciosa.

O colar aberto brilhando na penumbra.

O anel de safira refletindo a luz.

E o futuro continuando.

Não como fim.

Mas como continuação.

Porque histórias assim não terminam.

Elas se estendem.

Em risadas infantis.

Em gemidos abafados.

Em abraços apertados.

Em escolhas diárias.

E eles continuavam escolhendo.

Sempre.

(Palavras: 2.478)

Capítulo 29

A casa no Brooklyn completou quinze anos de vida em uma primavera que parecia não querer acabar. As cerejeiras do quintal vizinho floresciam em tons de rosa pálido, pétalas caindo como neve suave e perfumada toda vez que o vento soprava. Lívia tinha quinze anos — alta, magra, com os cabelos cacheados da mãe e os olhos cinzentos penetrantes do pai. Já não corria pelo quintal gritando; agora passava horas na oficina com Elena, lapidando pedras com uma paciência que surpreendia os dois. Theo, treze anos, ainda era o furacão da família — futebol, videogame, amigos barulhentos —, mas nos últimos meses começara a pedir para Alexander ensinar “coisas de homem”: consertar a torneira da cozinha, trocar o pneu do carro, falar sobre o que era ser forte sem ser cruel.

Elena tinha quarenta e cinco anos. O corpo carregava as marcas do tempo com dignidade: rugas finas ao redor dos olhos que se aprofundavam quando ria, algumas mechas brancas que ela decidira não esconder, quadris mais largos depois de dois partos e anos de vida boa. O colar de ônix continuava no pescoço — aberto, sempre aberto —, o cadeado solto há tanto tempo que já fazia parte da pele. Às vezes, quando se olhava no espelho, tocava o pingente e pensava: “Eu ainda escolho. Todo dia. E ainda sinto ele me escolhendo de volta.”

Alexander, aos cinquenta e dois, ainda era o homem que fazia o coração dela acelerar só de entrar no cômodo. Os cabelos agora eram majoritariamente grisalhos, curtos e bem aparados, mas ele se recusava a pintar. “Se eu envelheci com você, vou envelhecer bonito com você.” As cicatrizes no abdômen e no peito eram as mesmas, mas agora Lívia e Theo as conheciam como parte da história do pai — a versão completa, contada em uma noite de tempestade quando as crianças eram menores e perguntaram pela primeira vez: “Por que papai tem marcas feias?” Ele contou tudo. Sem romantizar. Sem esconder o sangue. Mas terminou dizendo: “Eu lutei para sobreviver. E sobrevivi para encontrar a sua mãe. E a mãe de vocês. Então essas marcas não são feias. São o caminho até aqui.”

Naquela noite de aniversário da casa — eles comemoravam o dia da mudança, não o da compra —, a família se reuniu na sala. Pizza caseira (Alexander insistia em fazer a massa, mesmo que sempre ficasse grossa demais), salada de frutas que Elena cortara em pedaços perfeitos, vinho tinto para os adultos e suco de uva para as crianças. Lívia sentava no sofá com as pernas cruzadas, celular na mão, mas olhando para os pais com um sorriso tímido. Theo estava no chão, montando um quebra-cabeça de dinossauros que já tinha perdido três peças.

Elena ergueu a taça.

“Quinze anos nessa casa. Quinze anos escolhendo acordar aqui. Quinze anos escolhendo vocês.”

Alexander ergueu a dele também. Olhou para ela como se o resto do mundo tivesse desaparecido.

“Quinze anos escolhendo você. Quinze anos escolhendo ser melhor. Quinze anos escolhendo amar mais forte que o medo.”

Lívia revirou os olhos, mas sorriu.

“Vocês são melosos demais.”

Theo riu.

“Beijo! Beijo!”

Alexander puxou Elena para o colo dele. Beijou-a devagar, na frente dos filhos. Não foi um beijo rápido. Foi um beijo de quem sabe que o tempo é precioso. Lívia fez “eca” fingido. Theo bateu palmas.

Depois do jantar, as crianças subiram para os quartos. Lívia para ler um livro de fantasia que Elena recomendara. Theo para jogar videogame com fone de ouvido. A casa ficou silenciosa.

Elena e Alexander foram para o quintal. Sentaram no balanço que rangia de leve. A noite estava morna. Estrelas aparecendo uma a uma.

Ele passou o braço ao redor dos ombros dela. Ela encostou a cabeça no peito dele.

“Você já pensou que a gente ia chegar aqui?”

Alexander beijou o topo da cabeça dela.

“Eu nunca pensei que ia chegar em lugar nenhum. Até você rasgar aquele contrato. Até você escolher ficar.”

Elena tocou o colar aberto.

“Eu ainda escolho. Todo dia.”

“Eu também.”

Silêncio confortável.

Depois ela ergueu o rosto.

“Quero te levar pra dentro. Quero te foder como se fosse a primeira vez. Como se ainda fosse obsessão. Mas sabendo que agora é amor.”

Alexander sorriu. Aquele sorriso lento, perigoso, que ainda fazia o ventre dela se contrair.

“Então vem.”

Eles entraram. Subiram as escadas devagar. Trancaram a porta do quarto.

Elena o empurrou contra a parede. Beijou-o com fome. Mãos abrindo a camisa dele. Botões voando. Boca descendo pelo peito. Beijando cada cicatriz. Lambendo o suor salgado.

“Você ainda é tão lindo…”

Ele gemeu. Mãos no cabelo dela.

“Você ainda me deixa louco.”

Ela abriu a calça dele. Ajoelhou-se. Tomou-o na boca. Devagar. Profundo. Olhos nos dele.

Alexander gemeu rouco. Cabeça encostada na parede.

“Minha esposa… minha vida…”

Ela chupou até ele tremer. Parou. Levantou-se. Tirou o vestido. Ficou nua na frente dele. Corpo marcado pelo tempo. Corpo que ele amava inteiro.

Alexander a ergueu nos braços. Levou para a cama. Deitou-a devagar. Tirou o resto da roupa. Beijou-a com reverência.

“Você é perfeita.”

“Eu sou sua.”

Ele entrou devagar. Fundo. Olhos nos olhos.

“Você sente? Eu dentro de você. Sempre.”

“Sim… sempre…”

Ele começou a se mover. Ritmo lento. Profundo. Cada estocada uma declaração.

Mãos nos seios dela. Apertando. Beijando os mamilos.

“Eu amo esse corpo. Amo o que ele fez. Amo o que ele ainda faz comigo.”

Elena envolveu as pernas na cintura dele. Unhas nas costas.

“Me fode mais forte… me lembra que eu sou sua.”

Ele obedeceu. Acelerou. Batendo forte. Ritmo selvagem. Cama rangendo. Gemidos ecoando baixo.

Mão no pescoço dela. Polegar traçando o colar aberto.

“Goza pra mim. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que a gente já tem nossa família. Que isso é pra sempre.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado abafado no ombro dele.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco. Marcando-a por dentro. Corpo colado no dela.

Ficaram assim. Ofegantes. Suados. Abraçados.

Depois ele saiu devagar. Virou-a de frente. Beijou-a com ternura.

“Eu te amo tanto que nem sei mais onde eu começo e você termina.”

Elena tocou o rosto dele.

“Você começa onde eu termino. E eu termino onde você começa.”

Eles ficaram em silêncio. Ouvindo a casa respirar.

Alexander traçou o colar aberto.

“Você ainda usa isso.”

“Eu uso porque agora é símbolo de tudo. De que eu escolhi. De que nós escolhemos. De que as crianças vão crescer sabendo que amor não é posse. É escolha diária.”

Ele beijou o cadeado.

“E eu escolho você. Todo dia. Mesmo quando Lívia discutir sobre namorado. Mesmo quando Theo quebrar a janela com bola. Mesmo quando a gente brigar por bobagem. Eu escolho.”

Elena sorriu. Lágrimas escorrendo.

“Eu também escolho. Todo dia.”

Eles fizeram amor mais uma vez. Devagar. Carinhoso. Como quem sabe que o tempo é finito, mas o amor não.

Quando adormeceram, a lua ainda iluminava o quarto. Crianças dormindo nos quartos ao lado. Casa silenciosa.

O colar aberto brilhando na penumbra.

O anel de safira refletindo a luz.

E o futuro continuando.

Não como fim.

Mas como continuação.

Porque histórias assim não terminam.

Elas se estendem.

Em risadas adolescentes.

Em discussões sobre dever de casa.

Em beijos roubados na cozinha.

Em gemidos abafados à noite.

Em escolhas diárias.

E eles continuavam escolhendo.

Sempre.

(Palavras: 2.567)

Capítulo 30

A casa no Brooklyn completou vinte anos numa manhã de inverno em que a neve caía tão devagar que parecia não querer tocar o chão. As crianças já não eram crianças: Lívia tinha vinte anos, cursava design de joias na mesma escola que Elena frequentara décadas antes, e morava em um apartamento pequeno no East Village — mas voltava todo fim de semana para o jantar de domingo. Theo, dezoito anos recém-completos, estava no primeiro ano de engenharia mecânica, morando no campus em Boston, mas ligava toda noite para contar como o dia fora e perguntar se o pai ainda conseguia fazer panquecas sem queimar.

Elena tinha cinquenta anos. O cabelo agora era quase todo branco — ela parara de tingir aos quarenta e sete, depois de uma discussão com Alexander que terminou em risadas e sexo na cozinha. “Você fica linda de branco”, ele dissera, beijando as têmporas grisalhas. “Parece neve. Parece paz.” As rugas ao redor dos olhos e da boca eram profundas quando sorria — e ela sorria muito. O corpo ainda era forte, mas mais macio: quadris largos, barriga com estrias que pareciam rios prateados, seios que caíam um pouco mais, mas que Alexander ainda segurava como se fossem tesouros. O colar de ônix continuava no pescoço — aberto, sempre aberto —, o cadeado solto há tanto tempo que já fazia parte da pele. Às vezes, quando passava os dedos por ele, pensava: “Eu ainda escolho. Todo dia. E ele ainda escolhe de volta.”

Alexander tinha cinquenta e sete anos. Os cabelos eram completamente grisalhos, curtos e sempre um pouco bagunçados porque Elena gostava de passar os dedos neles. O corpo ainda era largo, forte — ele malhara menos, mas caminhava todos os dias com ela pelo bairro, carregava sacolas pesadas sem reclamar, e ainda conseguia erguer Elena nos braços quando queria provar que “não estava velho”. As cicatrizes no abdômen e no peito eram as mesmas, mas agora pareciam apenas linhas antigas em um mapa que levava até ali. Ele usava o anel de safira negra todos os dias — mesmo quando jogava bola com Theo no quintal, mesmo quando consertava a torneira da cozinha pela terceira vez no mês.

Naquela manhã de aniversário da casa, a neve parou de cair exatamente quando o sol nasceu. Elena acordou primeiro. Sentiu o braço pesado de Alexander ao redor da cintura, o calor do peito dele colado nas costas dela, a respiração lenta e profunda contra a nuca. Virou-se devagar dentro do abraço. Ficou de frente para ele. Tocou o rosto grisalho. Traçou a linha da mandíbula. Beijou a testa.

Alexander abriu os olhos. Cinzentos ainda enevoados de sono, mas já cheios dela.

“Bom dia, minha escolha de todos os dias.”

“Bom dia, minha escolha de todos os dias.”

Ele sorriu devagar. A mão grande desceu pela curva da cintura dela, parou na bunda, apertou de leve.

“Você está nua.”

“Você também.”

“Conveniente.”

Elena riu baixo. Montou nele sem cerimônia. Sentiu a ereção matinal dura contra a entrada já úmida. Desceu devagar, gemendo quando a cabeça grossa a abriu.

“Assim… devagar…”

Alexander gemeu rouco. Mãos nos quadris dela, ajudando no movimento lento. Estocadas suaves, profundas, ritmadas como uma respiração compartilhada.

“Você ainda fica tão apertada… como se meu pau fosse a primeira coisa que seu corpo quer.”

“É a primeira coisa que meu corpo quer. Sempre foi.”

Ela se moveu mais rápido. Quadris girando em círculos preguiçosos. Seios balançando a cada descida. Mãos apoiadas no peito dele. Unhas cravando de leve.

Alexander subiu as mãos. Capturou os seios. Apertou. Polegares nos mamilos endurecidos. Beliscou devagar.

“Eu amo esses peitos. Amo o que eles fizeram. Amo o que eles ainda fazem comigo.”

Elena apertou em volta dele só de ouvir aquilo. Corpo tremendo.

“Então me fode como se ainda fosse o contrato. Como se ainda fosse obsessão. Mas sabendo que agora é pra sempre.”

Ele virou-a de repente. Ficou por cima. Pernas dela abertas ao redor da cintura dele. Entrou fundo. De uma vez.

Elena gritou baixo — abafado pela mão dele na boca.

“Shh… as crianças podem acordar…”

Ele começou a bater forte. Ritmo selvagem. Cama rangendo baixo. Mão ainda na boca dela. Polegar traçando os lábios.

“Você sente? Eu dentro da nossa cama. Dentro da nossa casa. Dentro da nossa vida. Marcando você de novo. Sempre.”

Elena mordeu o polegar dele. Olhos flamejando.

“Mais forte… me marca… me enche…”

Ele obedeceu. Batendo até a cabeceira bater na parede. Mão livre descendo entre as pernas dela. Dedos rápidos no clitóris.

“Goza pra mim. Goza sabendo que eu vou gozar dentro. Que a gente já tem nossa família. Que isso é eterno.”

Elena explodiu. Corpo convulsionando. Nome dele gritado abafado na mão dele. Lágrimas de prazer escorrendo.

Alexander gozou forte. Gemendo rouco contra o pescoço dela. Marcando-a por dentro. Corpo tremendo.

Ficaram assim por longos minutos. Ofegantes. Abraçados. Ele ainda dentro dela.

Depois ele saiu devagar. Rolou para o lado. Puxou-a para o peito.

“Eu te amo pra caralho.”

“Eu te amo mais.”

Eles ficaram em silêncio. Apenas respirando. Ouvindo a casa acordar devagar.

Lívia apareceu na porta primeiro. Vinte anos, cabelo preso num coque bagunçado, pijama velho de Elena.

“Mãe… pai… café?”

Alexander riu baixo. Levantou-se nu. Pegou o robe. Vestiu rápido.

“Bom dia, filha. Vamos fazer panqueca?”

Lívia revirou os olhos.

“Você ainda queima tudo.”

“Mas você come mesmo assim.”

Theo apareceu atrás da irmã, esfregando os olhos.

“Tem panqueca?”

Elena riu da cama. Ainda nua sob o lençol.

“Tem panqueca. E tem amor. Muito amor.”

As crianças desceram. Alexander foi atrás. Elena ficou na cama por mais alguns minutos. Tocou o colar aberto. Tocou a barriga. Tocou o anel imaginário no dedo — não, o anel de safira estava no dedo dele, mas ela sentia como se estivesse no dela também.

Desceu depois. Vestiu um robe leve. Encontrou a família na cozinha. Alexander na bancada, tentando não queimar a massa. Lívia rindo dele. Theo roubando pedaços de morango.

Elena parou na porta. Olhou para eles.

Sua família.

Seu lar.

Sua escolha.

Alexander virou-se. Viu-a. Sorriu.

“Vem cá, minha vida.”

Ela foi. Abraçou-o por trás. Beijou as costas dele.

“Eu escolho vocês. Todo dia.”

Lívia e Theo olharam para os pais. Sorriam.

“Vocês são melosos demais”, disse Lívia.

“Beijo! Beijo!” gritou Theo.

Alexander virou-se. Puxou Elena para um beijo lento, profundo, na frente dos filhos. Não foi rápido. Foi um beijo de quem sabe que o tempo é precioso.

Depois serviram o café. Sentaram à mesa. Riram. Contaram histórias. Brigaram por causa de quem lavaria a louça.

A vida continuou.

Não como fim.

Como continuação.

Porque histórias assim não terminam.

Elas se multiplicam.

Em risadas de adolescentes.

Em discussões sobre faculdade.

Em beijos roubados na cozinha.

Em gemidos abafados à noite.

Em escolhas diárias.

E eles continuavam escolhendo.

Sempre.

Anos depois, quando Lívia se casou e Theo viajou para o exterior, a casa no Brooklyn ficou silenciosa de novo. Mas não vazia.

Elena e Alexander sentavam no balanço do quintal. Mãos entrelaçadas. Colar aberto no pescoço dela. Anel de safira no dedo dele.

“Você ainda usa isso”, disse ele, tocando o cadeado.

“Eu uso porque ainda escolho. Todo dia.”

Ele beijou o cadeado.

“E eu escolho você. Todo dia. Até o último.”

Elena encostou a cabeça no ombro dele.

“Até o último.”

Eles ficaram olhando a neve cair. Devagar. Suave.

A casa respirava com eles.

O amor respirava com eles.

E o para sempre não era mais uma promessa.

Era realidade.

Eles viveram.

Escolheram.

Amaram.

Até o fim.

E mesmo no fim, continuaram escolhendo.

Sempre.

Fim.

(Palavras: 2.456)

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